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04/06/08
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Miguel Angel Zotto e Soledad Rivera |
da France Presse, em Roma
A espetacular e fascinante lenda do tango, contada pela companhia
Tango X2, dirigida pelo famoso bailarino e coreógrafo argentino Miguel
Angel Zotto, seduziu o público romano, que durante vinte dias lotou a sala
do Teatro Olímpico.
O espetáculo, que tem o título de
"Tangos, uma lenda", apresentado pela primeira vez em Buenos Aires em
setembro do ano passado, conquistou o público italiano em sua primeira
exibição na Europa, atraindo mais de 20 mil espectadores.
Considerado um dos mais respeitados
bailarinos de tango de todos os tempos, Zotto conduz o público numa
cativante viagem pela história do tango, recorrendo também à história da
Argentina, da chegada dos imigrantes europeus, passando pela época do
lendário Carlos Gardel, do rock and roll e pelos anos negros da repressão
militar.
"Duas horas de paixão dançada",
definiu o jornal "La Repubblica", que lembrou outras criações de sucesso,
apresentadas por Zotto na Itália, entre elas "Uma noite de tango", de
1998.
Com a estréia, em Roma, onde ficará
até 22 de fevereiro, a companhia argentina, formada por 30 pessoas, entre
casais de bailarinos e músicos, começa uma viagem que a levará a Milão e
Londres, depois para Miami, América Central, Venezuela, México, Colômbia,
de volta a Nápoles e depois, Austrália e Nova Zelândia.
Graças à sugestiva mistura de
passos e coreografias coletivas, montadas num ritmo rápido e em alguns
momentos divertido, com a ajuda de um moderno sistema de imagens
projetadas num telão, Zotto e sua primeira bailarina, Soledad Rivero,
transmitem a vitalidade, a alegria, a melancolia, o peso social e
artístico da música que identifica o povo argentino.
"É como um retrato da vida em
Buenos Aires", comparou Zotto, que reconstruiu os bordéis da capital do
início do século 20, cheios de gaúchos e "guapos", lembra a chegada dos
imigrantes europeus, na maioria homens, revive o Café Marzotto, com suas
orquestras dos anos 20, e as festas populares do bairro La Boca.
Sem esquecer os duros anos de
confrontos políticos, o peronismo e a violenta repressão que se seguiu,
Zotto chega ao tango de Astor Piazzolla e aos comoventes versos do poeta
uruguaio Horacio Ferrer.
Sob a direção musical de Andrés
Linetzky, "nascido e criado sob a guia de Astor Piazzolla", os seis
músicos, todos jovens, prestam uma verdadeira homenagem ao tango refinado,
que não se dança apenas, mas se ouve, e que rompeu com todos os moldes.
As melodias do instrumentista,
compositor e arranjador argentino, que viveu muitos anos na Europa, se
unem aos personagens de Ferrer, como "María de Buenos Aires", "El flaco de
la bicicleta", "El gordo triste" e o louco de "Balada para un loco".
(© Folha Online)
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