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04/06/08
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O cartaz do
filme de Gibson |
O diretor de Jesus de
Nazaré e Romeu e Julieta, católico praticante, disse que o
filme de Mel Gibson é anti-semita e teme por seus efeitos
Assimina Vlahou, da BBC
Brasil
Roma,
da BBC Brasil - A Paixão de Cristo,
de Mel Gibson, é um "retorno ao obscurantismo medieval cristão
anti-hebraico", na opinião do cineasta italiano Franco Zeffirelli. O
diretor de Romeu e Julieta e Jesus de Nazaré disse que a
violência do filme não o chocou, mas lamentou e afirmou que se sentiu
ofendido pelo preconceito contra o povo judeu.
"Percorremos um longo percurso
para nos liberar dessa herança dramática e não podemos permitir a volta
aos tempos de barbárie absurda que custaram a vida de milhões de
inocentes", disse. Zeffirelli, de 81 anos, acha que pode haver
"kamikazes cristãos contra judeus". Ele espera que a França, como
anunciado, proíba sua divulgação.
"Quando se toca essa matéria,
é preciso estar muito atento, é uma responsabilidade. O cinema é uma
arma de penetração perigosíssima e deve ser usado com cuidado porque
deixa cicatrizes inapagáveis na memória e na consciência", disse
Zeffirelli. Para ele, o filme de Gibson tem várias falsidades
históricas, além de "uma tendência sanguinária exibida".
Gibson e Zeffirelli
trabalharam juntos em 1990, quando o cineasta italiano dirigiu o ator em
Hamlet. Em um artigo que escreveu para um jornal italiano,
Zeffirelli lembrou que, durante as filmagens, ouviu de Gibson uma
descrição crua e detalhada da expressão que os animais fazem quando
estão prestes a morrer.
"Aprendeu matando bezerros em
suas fazendas, para relaxar. Não com uma arma, mas com facões", diz o
texto do cineasta. Definindo-se como rofundamente católico, o cineasta
lamenta que a Igreja Católica não tenha tomado uma posição nítida contra
o filme para "confirmar o que já disse há 25 anos e repetiu com o pedido
de perdão de joelhos pelos erros do passado".
(©
O Estado de S. Paulo)
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