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Julgamentos do ex-premiê italiano Giulio Andreotti vão virar filme

04/06/08

O ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti

da France Presse, em Roma

   Um filme sobre os problemas judiciais do ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti, condenado e depois absolvido pelo assassinato de um jornalista e por ligações com a máfia, será rodado em março na Itália, anunciaram os produtores.

   O filme, que contará dez anos de audiências, condenações, absolvições, revelações e mistérios, será dirigido pelo italiano Palquale Squitieri, marido da atriz Claudia Cardinale. Andreotti será interpretado pelo ator francês Michel Serrault.

   O roteiro, escrito por Squitieri e pelo jornalista e parlamentar do Força Itália (centro-direita) Lino Jannuzzi, foi aprovado por Andreotti.

   As filmagens do longa, com título provisório de "O Processo do Século", serão iniciadas em 13 de março em Pesaro (região central da Itália) e já foram concedidas as autorizações para filmar no Tribunal de Justiça, no Palácio dos Duques, no conservatório e no célebre teatro Rossini.

   Andreotti, 84, é um dos políticos mais importantes da Itália. Ex-líder da Democracia Cristã, sete vezes primeiro-ministro, esteve nas rédeas do poder político por quase cinqüenta anos. Atualmente, ocupa o cargo de senador vitalício.

   Julgado a partir de 1993, em Perusa (centro), como um dos mandantes do assassinato de um jornalista, e em Palermo, capital da Sicília, como suposto membro de honra da Cosa Nostra, a poderosa máfia local, foi absolvido de boa parte das acusações entre 2001 e 2003, após várias audiências, condenações e recursos.

  Os juízes sicilianos destacaram que Andreotti manteve contatos com a máfia até os anos 80, mas ele não podia ser julgado por estes crimes.

   Autor de vários filmes, entre eles "Claretta", sobre a amante do ditador Benitto Mussolini, Squitieri sempre foi considerado um cineasta contracorrente, ligado à direita italiana.

   Produzido por Cecchi Gori, o filme "é uma defesa do direito", disse o cineasta, que considera que "depois de tantos erros chamativos, os magistrados devem conquistar a confiança dos cidadãos".

(© Folha Online)

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