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04/06/08
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Kaká
vibra com mais uma vitória do
Milan: craque incensado por jornalistas e torcedores |
A torcida do poderoso
Milan vive um idílio com o jovem craque Kaká, que retribui com gols e
ótimas atuações
Celso Fonseca
Quando jogava no São Paulo, a
presença de Kaká despertava reações histéricas entre adolescentes que
tinham quase a mesma idade que ele e se tornaram conhecidas como
kakazetes. Elas choravam, descabelavam-se diante daquele menino de rosto
terno, alto e magro – 1,86 m e 73 quilos –, solícito e ao mesmo tempo
tímido. Kaká era o ídolo em que se podia confiar. Já os marmanjos que
ocupavam as arquibancadas do Morumbi pareciam nunca estar felizes com o
jogador de passes cerebrais, dribles imprevisíveis e passadas
inalcançáveis que o técnico Luiz Felipe Scolari transformou, em 2002, no
mais jovem pentacampeão de seu time.
Desde agosto do ano passado,
por aproximados US$ 8,5 milhões, Kaká – apelido e grife de Ricardo
Izecson Santos Leite – foi para o Milan ganhar algo em torno de US$ 2,2
milhões por temporada. Em pouco tempo, converteu-se quase num santo para
os tifosi – fanáticos torcedores – que por ele cantam, gritam e erguem
estandartes. Aquecidos por seus cachecóis vermelhos e negros – cores do
time, também chamado de Il Diavolo –, os milanistas amam Kaká, sem
pensar em sua beleza juvenil. A Itália, afinal, está repleta de
craques-galãs: Paolo Maldini, Francesco Totti ou Fabio Canavarro. Porém,
poucos são tão bons quanto Kaká com a bola nos pés.
Os tifosi se enchem de alegria
com os gols do bambino, como mostram as cenas do especial Kaká, o
menino de ouro do Milan, que a ESPN Brasil (NET e TVA, DirecTV e
Sky) – que transmite os jogos do Calcio – exibe na terça-feira 9, às
22h. Os repórteres André Plihal e João Castelo Branco acompanharam o
jogador por cinco dias e trazem depoimentos de sumidades como José
Altafini, o Mazola, que, depois de disputar a Copa do Mundo de 1958 pelo
Brasil, foi para a Itália com 20 anos – mais novo portanto que o próprio
Kaká. Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália e presidente do
Milan, elogia o garoto, a quem define como “completo”.
Os momentos mais emocionantes,
porém, trazem a explosão dos torcedores diante do gol do jogador contra
o rival Internazionale de Milão, num potente chute de direita de fora da
área, característica que ele aprimorou nos gramados italianos. Ao final
da partida, Kaká cerra dentes e punhos para celebrar a vitória, que
alçou o Milan a favorito ao título italiano. O time lidera o torneio com
58 pontos, cinco à frente da Roma. A possibilidade da conquista de Kaká
– que completa 22 anos no mês que vem – tem deixado exultantes os
passionais cronistas esportivos italianos. Eles não param de incensá-lo,
comparando a craques históricos como o francês Michel Platini, e
asseguram que será o melhor jogador da Copa do Mundo de 2006.
Numa edição recente, o La
Gazzetta dello Sport lhe atribuiu, num paralelo à premiação
hollywoodiana, “o Oscar de melhor jogador”. A camisa do Milan que veste,
a 22, é mais vendida que a de qualquer outro ídolo da Itália ou do
mundo, como o inglês do Real Madrid, David
Beckham, como ele um dos poucos jogadores com patrocínio exclusivo da
Adidas. Até no mercado negro, a 22 é a mais requisitada. Kaká também é
patrocinado pela indústria de bebidas AmBev,
mas só para a publicidade do guaraná Antarctica. Nada de divulgar
cerveja, como faz Ronaldo.
Não bebe, não fuma. Evangélico
praticante, como toda a família, tem idéias conservadoras sobre sexo e
casamento. Se diz abençoado. Tem razão. Em 2000, antes de ser famoso,
correu o risco de ficar paraplégico num acidente num tubo-água, na
cidade de Caldas Novas. Recuperou-se sem sequelas. Na Itália, sabia que
daria certo. Viveu os primeiros meses sozinho, antes da chegada dos pais
e do irmão mais novo, Rodrigo – zagueiro que já treina no Milan. “Foi
uma fase de crescimento e amadurecimento. Eu estava adaptado às
cobranças no São Paulo. Sempre disse que estava pronto para este
desafio. O apego a Jesus sempre foi muito importante na minha vida.
É nele que busco força e
amparo”, disse a ISTOÉ, na terça-feira 2, por e-mail. “Sabia que teria
de me adaptar a muitas coisas, então procurei fazê-las o mais rápido
possível. Era o momento correto para vir para a Itália, e o que está
acontecendo, por enquanto, prova que eu estava certo. Para jogar
aqui o jogador deve estar maduro, confiante e com a cabeça no lugar.
” A vida italiana lhe traz
algumas benesses. Os bons restaurantes que adora e boas grifes de
roupas. “Não sou fanático por moda, gosto de vestir roupas que acho
legais, mas aqui os jogadores vão aos treinamentos como quem está indo a
uma festa, diferente do Brasil,
que íamos mais à vontade. Com isso, visto muitas roupas Armani e em
outras ocasiões, mais esportivas, Adidas.” Mantém sólido o namoro a
distância com a adolescente Caroline, filha de Rosângela Lyra,
representante da Christian Dior no Brasil. “Caroline é minha namorada e
procuramos, sempre que possível, estar juntos.”
E aderiu ao golfe como segundo
esporte, treinando ao lado do ucraniano Adriy Shevchenko, arrasador
atacante do Milan. Kaká, o abençoado, tem um futuro muito promissor. Na
última Copa do Mundo jogou pouco. Na final, contra a Alemanha chegou a
ser chamado para aquecimento, mas não entrou. “Jogar numa final seria
maravilhoso, mas não deu, quem sabe não
próxima eu não esteja por lá?” Alguém duvida?
(© ISTO É)
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