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04/06/08
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Stefano Tanzi, presidente do Parma
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Dívida conjunta dos times da Série A italiana fica
perto dos 2 bilhões
RODRIGO BUENO
DA REPORTAGEM LOCAL
MASSIMO GENTILE
EDITOR DE ARTE
O calcio,
eldorado do futebol mundial, está quebrado. A soma das dívidas dos times
da Série A quase bate em 2 bilhões (cerca de R$ 7 bilhões). Estão
comprovadas manipulações de balanços dos times para que esses não sejam
dados como falidos.
O chamado doping
administrativo motivou uma caça aos balanços dos clubes por parte de
autoridades italianas. Muitos times não têm pago impostos, e outros
estão com dívidas com jogadores. Mais de 50 equipes tiveram suas sedes
tomadas por policiais em busca de documentos recentemente (foram
confiscados 263 balanços).
Os clubes têm
turbinado seus registros contábeis com a chamada mais-valia ou
reavaliação para evitar a falência e atrair investidores -times têm
ações na bolsa.
Atribuem aos
atletas valores que não correspondem à realidade. Compra-se um jogador
por 1 milhão, por exemplo, e coloca-se no balanço que o atleta vale 15
milhões. Ou vende-se um jogador avaliado no balanço por 10 milhões por
apenas 60 mil, como aconteceu com Panarelli, jogador que foi cedido pela
Roma ao Taranto. Outra prática comum na Itália é trocar atletas com
valores superestimados, o que ocorreu na transação do atacante Crespo
para a Lazio em 2000.
Entre 1997 e
2002, o uso da mais-valia nos balanços dos times da Série A teve aumento
de 740%.
Essa maquiagem de
balanços foi uma prática muito usada na Itália por Sergio Cragnotti e
Stefano Tanzi, homens que controlaram a Lazio e o Parma,
respectivamente, até as crises da Cirio e da Parmalat, empresas que
deram sustentação aos dois times. Ambos já tiveram prisão decretada.
A Fiorentina, uma
das mais tradicionais equipes do país, faliu em 2002. Vittorio Cecchi
Gori, ex-proprietário do clube, foi acusado de falência fraudulenta,
contabilidade falsa e também de apropriação indevida de fundos.
A Roma, em
novembro, acumulava mais de 100 milhões só em dívida tributária. Os
times da capital são os que mais devem na Itália. A Lazio fechou 2003
devendo 471,8 milhões.
As autoridades
italianas estão intervindo na venda da Roma para um grupo petrolífero
russo. As negociações entre o vice-líder do Italiano e o Nafta Moskva
estavam praticamente concluídas, mas os últimos acontecimentos no calcio
melaram o acordo.
Com salários
atrasados, a Roma seria vendida por 400 milhões, valor um pouco maior do
que a dívida do clube, ameaçado de não jogar competição européia na
próxima temporada por falta da licença da Uefa, obtida por clubes com
boa saúde financeira.
Mesmo na Itália
os clubes que estiverem atolados em dívidas poderão ser impedidos de
jogar. A liga do país anunciou que só aceitará para a próxima temporada
inscrições de clubes que tenham pago em dia seus impostos e que não
possuam no máximo dois meses de salários atrasados com atletas.
Os times
""enforcados", tanto na Série A quanto na Série B, têm até o meio do ano
para contornar seus problemas financeiros. A federação italiana,
seguindo a linha da liga do país, deverá exigir a quitação dos débitos
dos clubes com a Receita até o fim deste mês.
(© Folha de S.
Paulo)
Contratação de estrangeiros deve ser reduzida
DA REPORTAGEM LOCAL
O futebol brasileiro pode ser
profundamente afetado nos próximos meses pela devassa que está sendo
feita no futebol italiano.
Além de poderem não disputar
competições na Europa, os clubes italianos que não comprovarem boa saúde
financeira poderão ser impedidos de contratar atletas.
O Milan, por exemplo, mostrava
uma dívida em 2003 de 173,8 milhões e tinha uma folha de pagamento de
156,7 milhões. Nada que o impediu de contratar Kaká -pagou oficialmente
cerca de US$ 8 milhões ao São Paulo.
Espera-se na Itália para a
próxima temporada um número bem menor de transações envolvendo jogadores
sul-americanos. Se antes havia um limite no Italiano para estrangeiros,
agora o limite será imposto pela capacidade financeira real dos times.
O Milan é o time na Itália que
mais gasta anualmente com pagamento de salários. Mesmo na atual crise
financeira do calcio, ele aumentou em 25,1% sua folha de pagamento de
2002 para 2003.
As autoridades italianas
também estão investigando contratos dos clubes com patrocinadores e os
direitos de TV. (RBU E MG)
(© Folha de S.
Paulo)
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