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04/06/08
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Luciano Pavarotti no dia do seu casamento com Nicoletta |
Luciano Pavarotti foi
aplaudido durante cinco minutos, no sábado à noite, após a primeira de
sua três performances como Cavaradossi, protagonista da ópera “Tosca”,
de Puccini, no que está sendo anunciado como sua despedida do
Metropolitan Opera House de Nova York. Cinco minutos é muito pouco para
os padrões locais.
O tenor voltará a representar
o papel amanhã e no sábado, dia 13, o que fez o crítico do “New York
Times”, Anthony Tommasini, escrever que é esperada uma recepção mais
calorosa no próximo sábado, dia da “verdadeira despedida”.
O tenor fica quase imóvel no palco
Apesar da expectativa
anunciada pelo crítico do “New York Times”, ele mesmo não foi nada
caloroso em sua crítica publicada na edição de ontem do jornal.
“Fisicamente, ele nunca pareceu
tão pesado”, escreveu Anthony Tommasini. “Problemas nos joelhos e nos
quadris fazem com que ele fique quase imóvel. Enquanto ele se arrasta
pelo palco, algumas vezes apoiando-se em sua Tosca, a soprano Carol
Vaness, a platéia se pergunta por que ele se submeteu a este desafio.”
A descrição do preparo físico do
cantor é devastadora : “Quando Cavaradossi é baleado no fim da ópera e o
pobre Senhor Pavarotti tem que cair lentamente sobre uma pilha de sacos
de estopa, ele estica os braços para amortecer a queda.”
Sobre a parte vocal, a crítica
também não é entusiasmada. “De vez em quando, havia um flash do
incomparável som Pavarotti”, escreveu Tommasini. “No seu auge, o cantor
possuía uma musicalidade instintiva, um carisma vocal enorme e uma
energia abundante. É triste ouvi-lo agora com energia tão diminuta. O
regente, James Levine, e a orquestra do Metropolitan tentavam seguir
Pavarotti, esperando para que ele os encontrasse, ou apressando o
andamento, quando ele saltava algumas notas. É sempre difícil para um
grande cantor saber o momento de parar.”
Aos 68 anos, Pavarotti cantou
sábado no Metropolitan quase como uma vingança contra o diretor da casa,
Joseph Volpe. Esta “despedida”, na verdade, estava marcada para dois
anos atrás. Na ocasião, o tenor cancelou as duas apresentações em que
representaria o mesmo Cavaradossi, alegando uma gripe forte. Irritado,
Volpe, que tinha convencido Pavarotti a participar da ópera, anunciou
que o tenor certamente voltaria ao Metropolitan para algum tipo de
concerto de despedida, mas que jamais atuaria lá em outra ópera
completa. Pavarotti sentiu-se humilhado com a reação de Volpe. Como se
tivesse algo a provar, desta vez foi ele quem insistiu em protagonizar
uma nova montagem da obra de Puccini.
A récita de sábado passado e as
duas outras programadas para esta semana comprovam que Volpe voltou
atrás, embora estivesse certo.
(©
O Globo)
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