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04/06/08
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O
Nascimento de Vênus, de Botticelli |
KELLY VELÁSQUEZ
da France Presse, em Florença (Itália)
A capital da arte italiana, Florença, comemora a sensualidade, o
talento e a harmonia de dois grandes mestres do Renascimento, Sandro
Botticelli (1445-1510) e Filippino Lippi (1457-1504), com uma
espetacular mostra que inclui obras nunca expostas e surpreendentes
revelações.
A mostra, com o título
"Botticelli e Filippino. A Aflição e a Graça", inaugurada hoje no
Palácio Strozzi de Florença e que permanecerá aberta até 11 de julho,
reúne mais de 60 obras procedentes de museus e coleções privadas do
mundo todo.
Ao todo, 25 quadros de Botticelli
e 16 de Filippino, além de obras de Leonardo, Ghirlandaio, Piero dei
Cosimo, ilustram a elegância e a estética de uma época complexa, ao fim
do século 15, afetada pelo místico ascetismo de Savonarola, frade
dominicano condenado por heresia, e o luxo e a exuberância da corte dos
Médicis.
Obras-primas da história da arte,
como "Minerva e o Centauro" e "Calúnia" são expostas ao lado da
"Natividade Mística", proveniente da National Gallery de Londres, que
exigiu um seguro recorde de 55 milhões de euros (US$ 67 milhões) para
emprestá-la.
Além do único quadro com data e
assinado por Botticelli, outras obras tiveram que ser asseguradas, por
cerca de 500 milhões de euros em seguros, a cifra mais alta jamais paga
para uma exposição de arte.
"É uma homenagem de Florença a
Botticelli e Filippini. Ao século de Lorenzo, o Magnífico e Pico della
Mirandola, às idéias humanistas, àqueles que escolheram a elegância
intelectual como emblema estético e porque com esses dois artistas se
concluíram as ameaças apocalípticas de Savonarola", afirmou Antonio
Paolucci, responsável pelos museus florentinos.
A mostra abre com sete delicadas
obras de Botticelli, entre elas um dos noventa pergaminhos realizados
pelo artista para ilustrar "A Divina Comédia", de Dante, de propriedade
do museu do Vaticano.
Entre as obras inéditas exibidas
figura também uma das quatro pinturas da série de Nastagio degli Onesti,
encarregada pelo mercador florentino Antonio Pucci para o casamento de
seu filho, e emprestada em forma excepcional por uma de seus
descendentes, a marquesa Cristina Pucci.
Inspirada no "Decameron", de
Bocaccio, com toda a suave iconografia renascentista, desde flores e
decorações, até reflexos de luz clara e capitéis nos pilares, o quadro
faz parte das tantas obras realizadas por encomenda.
Para revalorizar Filippino, aluno
de Botticelli, a mostra, organizada por temas --entre eles as virgens,
as alegorias, os retratos--, apresenta em cada sala as obras dos dois
artistas, que ilustram o novo estilo criado.
Os dois pintores trabalharam no
principal centro da cultura na Europa e na mesma época em que Leonardo
estava na ativa.
"A fama de Botticelli aumentou
com os séculos devido principalmente à sensualidade das mulheres que
pintou em grandes quadros mitológicos", declarou o americano Jonathan
Nelson, especialista em Lippi, e um dos curadores da exposição junto com
Pierluigi De Vecchi.
Numa cidade cheia de artistas,
poetas e escritores, onde as idéias circulavam, e aos artistas eram
encomendadas pinturas, obras como "Palas e o Centauro" de Botticelli ou
"Madonna col Bambino" de Lippi, simbolizam a graça e as aflições da
chegada de um novo século de gênios, dominado por artistas como
Michelangelo e Rafael.
(©
Folha Online)
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