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Gênova quer apagar de vez imagem de cidade caótica

04/06/08

Palazzo Ducale, em Gênova

David Ricardo

   Gênova - A cidade italiana de Gênova vive um sentimento de empolgação de quem descobriu a América. Ou mais ou menos isso. A terra natal do navegador Cristóvão Colombo é este ano, junto com Lille, na França, capital européia da cultura. O sentimento pode ser explicado como a oportunidade de capitalizar o evento e apagar de vez a imagem de cidade portuária, escura e caótica. E ainda firmar-se como centro cosmopolita, fascinante e vibrante. Adjetivos que já ostentou no passado, quando rivalizava com Veneza como potência marítima.

   Milhões de euros foram investidos para recuperar prédios históricos e igrejas, melhorar a infra-estrutura para a visitação de museus, incrementar a rede de transportes urbanos, recuperar ruas, praças e parques. Todas essas melhorias vieram juntar-se àquelas feitas em razão das comemorações pelos 500 anos do descobrimento de Colombo, em 1992, e para o tumultuado encontro do G-8, em 2001.

   O tema da renovação urbana, por sinal, já foi discutido antes mesmo da virada do ano, com a exposição Bilbao em Gênova: a Cultura Transforma as Cidades, realizada no Palazzo Ducale. A mostra traçou um paralelo de como intervenções na arquitetura - no caso de Bilbao, o famoso prédio do Museu Guggenheim, em especial - e em aspectos urbanísticos de uma cidade, aliadas a uma boa dose de cultura, podem resgatar centros degradados, reforçar a auto-estima de seus habitantes e incrementar o fluxo turístico.

   Mas este foi apenas o início de um ano recheado de atividades que devem fazer o mundo voltar seus olhos para lá. Escultura, pintura, música, dança, cinema, teatro, arquitetura, ciências, história, esportes e tantos outros assuntos são temas de mostras, shows e exposições espalhados pela cidade. A lista completa pode ser consultada no site www.genova-2004.it.

   Soberba cidade - Apelidada como "A Soberba" no passado de glórias, a capital da Ligúria pode parecer um pouco assustadora à primeira vista. Localizada em um dos mais belos e ensolarados trechos do litoral mediterrâneo, no noroeste da Itália, seus limites se estendem por uma faixa de 30 quilômetros. Mas o fato é que a região central fica compactada entre as duas principais estações de trem (Brignole e Príncipe) e o bairro medieval, que pode - e deve - ser explorado a pé, já que muitas ruas são fechadas para veículos.

   A principal artéria no centro da cidade é o charmoso bulevar da Via XX Settembre, que termina na Piazza de Ferrari. A "piazza" é cercada por belos prédios como o teatro Carlo Felice, o Palazzo Ducale e o Palazzo dela Borsa. Essa região será o centro gravitacional das manifestações artísticas programadas para celebrar a capital européia da cultura.

   Atravessando a Piazza Matteotti, chega-se à Via San Lorenzo, onde está a catedral de mesmo nome. Sua fachada gótica listada de mármore preto e branco parece capturar a visão e fica gravada na memória. Em uma atmosfera de penumbra, o Museo del Tesoro da catedral guarda relíquias sacras, entre elas o prato que Jesus teria usado na última ceia.

   A melhor maneira de explorar o bairro medieval é simplesmente não se preocupar em se perder. No fervilhante emaranhado de ruazinhas e becos bastante estreitos, o melhor é aproveitar a luz do dia para reparar nas construções, nos habitantes e trabalhadores do local, visitar palácios e igrejas e parar num dos muitos cafés e restaurantes para descansar.

   Se for o caso de uma refeição, não perca a chance de provar um prato de massa al pesto genovese em sua terra de origem. Um detalhe: ao anoitecer, com o fechamento do comércio, a atmosfera na região torna-se menos convidativa. Mas não menos ativa. Algo como passear à noite pela Rua Augusta, em São Paulo.

   O velho e o novo - Como uma fronteira entre o velho e o novo (de fato marcava os limites da cidade medieval), a Via Garibaldi abriga uma sucessão de antigas residências das nobres famílias, ricamente decoradas, hoje transformadas em museus ou prédios comerciais. Não deixe de visitar o Palazzo Rosso - com obras das escolas genovesa e veneziana e do holandês Van Dyck - e o Palazzo Bianco, fechado até 7 de maio, que contém obras de mestres flamencos, genoveses e espanhóis.

   A região revitalizada do Porto Antico oferece espaço para um agradável passeio à beira-mar. O Padiglione del Mare e della Navegazzione conta um pouco do passado naval. O Il Bigo, do arquiteto Renzo Piano, feito para a Expo 92, tem um elevador panorâmico que sobe 50 metros. No excelente Acquario, há fauna e flora de diversos cantos do globo e tanques de golfinhos e pingüins.

(© estadao.com.br)

Para saber mais sobre este assunto (arquivo ItaliaOggi):

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