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Novo glossário de termos
sexuais irrita militantes da causa homossexual
CIDADE DO VATICANO - Um novo e polêmico
glossário de termos sexuais do Vaticano diz que os homossexuais não são normais e os
países que permitem as uniões entre gays são habitados por pessoas "com mentes
profundamente transtornadas".
A comunidade gay da Itália condenou
imediatamente o glossário, de cerca de 900 páginas, que chegou ontem às livrarias, como
parte do que chamaram de nova cruzada contra a homossexualidade.
Preparado pelo Conselho Pontifício da
Família do Vaticano, a obra, intitulada Léxico de Termos Ambíguos e Coloquiais acerca
da Vida Familiar e Perguntas Éticas, abarca temas como a sexualidade, os preservativos, o
aborto, o controle de natalidade e a manipulação genética. Uma seção sobre
homossexualidade e homofobia afirma que a homossexualidade se origina de um "conflito
sociológico não resolvido". Diz ainda que aqueles que querem dar aos homossexuais
os mesmos direitos legais na sociedade "negam um problema psicológico que joga a
homossexualidade contra o tecido social".
No livro se lê também que atualmente os
heterossexuais se sentem culpados apenas por questionar a homossexualidade. "Qualquer
crítica, qualquer reflexão acerca da homossexualidade é vista quase como uma
blasfêmia, comparada com um crime: o crime da homofobia." Outra seção do
glossário declara que os homossexuais "não pararam de proclamar, às vezes de
maneira desproporcional, senão agressiva, sua 'normalidade'".
"O Vaticano passou da invectiva ao
insulto", reclamou Franco Grillini, integrante do maior partido de oposição da
Itália, os Democratas da Esquerda, e diretor honorário da Arcigay, o maior grupo a favor
dos direitos dos homossexuais no país. Segundo ele, a Igreja Católica está começando
nova "cruzada antigay" com o apoio do governo de centro-direita italiano.
O autor intelectual do glossário é o cardeal
colombiano Alfonso López Trujillo, um dos religiosos mais conservadores da hierarquia do
Vaticano. (Reuters)
(©
O Estado de S. Paulo) |