|

O mote é a famigerada saga dos imigrantes italianos, mas o cenário,
desta vez, não é uma fazenda de café de São Paulo, e sim o Rio de Janeiro de meados do
século passado. O musical Comunità, em cartaz no Café Teatro Arena, em
Copacabana, desfia sua narrativa a partir da trajetória do jovem Martino, que vive uma
história de amor na Itália e vem para o Rio, a capital do Brasil na época, em busca de
melhores condições de vida, fugindo do pós-guerra de sua terra natal.
A trama começa em 1952, quando, sem perspectivas de
conseguir trabalho em sua cidade, São Francisco de Paula, na Calábria, e sonhando em se
casar, Martino, como tantos outros italianos, emigra para o Brasil. Ele chega para
trabalhar na distribuição de jornais cariocas. Em dois anos, torna-se sócio da
Associação de Distribuidores de Jornais do Rio de Janeiro e consegue juntar dinheiro
para trazer a amada Adelina para viver ao seu lado.
Autor e produtor do espetáculo, Cláudio Magnavita,
descendente de italianos nascidos em São Francisco de Paula, ressalta que pretendeu com Comunità
mostrar um lado menos conhecido da imigração italiana:
- Normalmente, quando se fala do assunto, a maioria das
pessoas lembra logo dos que vivem em São Paulo. Mas temos também uma comunidade
importante no Rio e é essa a história que resolvi contar.
A narrativa se passa na pequena cidade de Paula, Sul da
Itália, e no Rio de Janeiro, entre os anos de 1952 e 1968 - às vésperas da decretação
do AI-5 no Brasil. Marcam a passagem do tempo manchetes de jornais da época e homenagens
a personagens da imprensa e da cultura nacional. No palco, dez atores-cantores vivem tipos
como o italiano mulherengo, o apaixonado por Hollywood, o carioca que sabe tudo de samba e
carnaval e o distribuidor de jornal que tem orgulho de conhecer as estrelas das redações
da época, como Nelson Rodrigues e Samuel Wainer.
O musical tem direção de Pedro Pires, que passou os
últimos dois anos em Lisboa, onde dirigiu o espetáculo Draw. De volta ao Brasil,
Pires é só elogios ao cast nacional, escolhido através de testes.
- É um elenco jovem e bastante talentoso. Temos vozes belíssimas em
cena - derrete-se ele.
Quatro músicos acompanham, ao vivo, os 20 números
musicais. O elenco canta standards da música italiana, como Che será, Legata
um granello di sabbia, Io che non vivo e Sapore di sale.
- O repertório reúne as mais belas músicas italianas
daquela época - diz Magnavita.
As coreografias do espetáculo são de Kiko Guarabira. E
Mauro Machado Jr. assina a direção musical.
Comunità. Texto e produção de Cláudio Magnavita. Direção
de Pedro Pires. Com Augusto Bittencourt, Beto Serrador, Bruno Lopes Vasconcelos Silva,
Carlos Arruza, Cristiana Pompeo, Demétrio Gil, Lovvie, Maria Netto, Roberto Marques e
Tiago Higa. Café Teatro Arena (Rua Siqueira Campos, 143/2º piso - Copacabana). De quinta
a sábado, às 21h, e domingo, às 18h. R$ 40
(©
JB Online) |