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Roma celebra aniversário com desfile da época do Império

Desfile em Roma: legionários foram aplaudidos pelos turistas    Marianna Bertagnolli/AP

Centenas de pessoas estavam vestidas com armaduras, capacetes, espadas e escudos

   ROMA - Centenas de legionários e gladiadores tomaram ontem o centro da capital italiana para celebrar o aniversário de fundação da cidade, como faziam há mais de 2 mil anos aqueles que contribuíram para a grandeza do Império Romano.

   Segundo a lenda, Roma foi fundada por Rômulo e Remo há 2.756 anos. A data de ontem é aceita como a da fundação, embora seja difícil a comprovação. Para comemorar, a prefeitura da cidade promoveu um desfile que contou com a participação de 600 legionários, vestidos com armaduras, capacetes, escudos e espada. Como na época imperial, quando regressavam quase sempre vitoriosos, os legionários desfilaram com orgulho pelo centro da capital, a partir do Circo Máximo, onde na época eram realizadas as corridas de bigas.

   No cenário para o desfile dos figurantes, o Coliseu e a Avenida dos Fóruns Imperiais, estão os restos da época mais gloriosa da cidade-estado. A comemoração despertou curiosidade e, em alguns casos, espanto nos milhares de turistas que visitaram a cidade para as comemorações da Páscoa. (EFE)

(© O Estado de S. Paulo)

População italiana chega aos 57 mi, aponta censo oficial
 

Da AFP

A população italiana chega aos 56.995.744 habitantes, segundo o censo feito no final de 2001, assinalam as estatísticas publicadas nesta quarta-feira pelo jornal oficial. Segundo o último censo nacional, a população aumentou cerca de 0,4%, isto é 217.713 pessoas, em relação ao censo precedente.

O dado mais notável é a constatação de que os italianos preferem viver em pequenas cidades, de 5 mil a 20 mil habitantes. O desapego pelas cidades grandes, com mais de 100 mil habitantes, gerou em 46 delas a redução da população em 5,7% (819.999 pessoas). As cidades pequenas, entre 5.000 a 10.000 habitantes, registraram no entanto um aumento demográfico de 4,4%.

Roma continua sendo a cidade mais povoada, com 2.546.804 habitantes. As cidades do norte têm uma densidade de população maior do que as do sul, segundo o censo. Cerca de 15 milhões de italianos vivem no noroeste da península, perto de Turim e Milão, a região mais rica e industrializada da Itália.

Mais de 10,5 milhões residem no nordeste, 11 no centro e 14 milhões no sul. Outros 6,5 milhões vivem nas ilhas, em particular Sicília e Sardenha.

(© Diário Online-DGABC)

 

Novas pesquisas ajudam a entender os etruscos

Equipe internacional e multidisciplinar vai a campo na Itália para mostrar como viveram os antecessores dos romanos

JOHN NOBLE WILFORD
The New York Times

   FILADÉLFIA – Os romanos se ufanavam de seus mitos de fundação. Enéias, um fugitivo da Tróia caída, ancorou na foz do Rio Tibre e ali, sobre as colinas do Lácio, reacendeu a chama da grandeza troiana. Rômulo e Remo, os filhos gêmeos de Marte e de uma beleza adormecida, foram amamentados por uma loba e cresceram para fundar a cidade destinada à grandeza.

   Na realidade, os romanos devem muito mais do que jamais admitiram a seus predecessores e ex-inimigos na península italiana: os etruscos. Eles eram conhecidos como Rasenna e Tusci, ou Etrusci, pelos romanos, cujos historiadores geralmente os ignoravam ou os diminuíam.

   Restou aos modernos arqueólogos e historiadores de arte a tarefa de retirar alguns desses véus do tempo da cultura etrusca e devolver a esse povo enigmático seu lugar próprio na história pré-romana.

   Os etruscos, que ocuparam grande parte do Centro-Norte da Itália no primeiro milênio antes de Cristo, faziam comércio nos lugares mais distantes, em toda a região do Mediterrâneo. Sua prosperidade e seu gosto pelo luxo sustentaram uma longa rede comercial, que ia do Norte até o Mar Báltico, no caso do comércio do âmbar, extremamente apreciado. Segundo especulam alguns especialistas, isso pode ser a causa da migração para a Escandinávia de um nome masculino comum entre os etruscos, Lars.

   Mas houve algo de importância mais duradoura: os etruscos foram um canal para a introdução da cultura grega e do panteão dos deuses gregos entre os romanos. Os etruscos desenvolveram uma versão do alfabeto grego, um passo que influenciou as letras romanas e posteriormente as do norte da Europa.

   Eles construíram as primeiras cidades na Itália, quando as colinas de Roma eram ainda terrenos baldios e apenas promessas. E sua influência aparece em obras posteriores de arquitetura e engenharia dos romanos .

   Se os etruscos foram outrora considerados uma sociedade “perdida”, os estudiosos afirmaram em um recente simpósio na Universidade da Pensilvânia, que eles estão sendo agora descobertos em novas escavações e através de um exame mais minucioso dos artefatos encontrados durante o século passado.

   Exposição – O simpósio, chamado Os Etruscos Revelados: Novas Perspectivas a Respeito da Itália Pré-Romana, foi realizado para coincidir com a abertura de uma nova galeria de antiguidades etruscas no Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia.

   “Agora estamos sentindo a confiança de que realmente conhecemos os etruscos e de que sabemos em que eles acreditavam e o que faziam”, disse Jean M. Turfa, arqueólogo do Bryn Mawr College, que foi o organizador do encontro. “Podemos começar a investigá-los como um verdadeiro povo.”

   P. Grewgory Warden, um perito em arqueologia etrusca da Universidade Metodista do Sul, disse que essa mudança consistiu num afastamento da quase total dependência de provas baseadas em tumbas, por mais esplêndidas que sejam, em favor de escavações sistemáticas da região onde esse povo viveu.

   As ruínas de assentamentos e cidades estão revelando a “paisagem social” , desde cabanas até casas e palácios, disse Warden. Em alguns lugares próximos de cidades como Florença, Bolonha, Perugia e Pisa, os escavadores estão descobrindo restos de paredes de fortificações, oficinas de artesãos e olarias para produção de tijolos e peças, templos e traçados de ruas.

   Stephan Steingraber, do Instituto Arqueológico Alemão de Roma, descreveu provas de um planejamento urbano considerável. Algumas cidades eram constituídas de zonas separadas para moradores, indústria e edifícios públicos. As estradas tinham sulcos pavimentados com pedras, como trilhos.

   Esta investigação, realizada por várias equipes de especialistas internacionais, está apenas começando, diz Steingraber, mas já ficou claro que os assentamentos etruscos começaram a evoluir, a partir de conjuntos de cabanas cobertas de sapé ou de colmo, para casas retangulares com cobertura de telhas e alicerces de pedra e depois para a formação de verdadeiras cidades já no século 7.º antes de Cristo.

   Sofisticação – Annette Rathje, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, disse que as escavações no sítio arqueológico chamado Murlo, numa colina ao sul de Siena, revelaram provas cada vez mais evidentes de um assentamento em larga escala e de arte monumental, inclusive frisos audaciosos e algumas das mais antigas terracotas arquitetônicas na Itália.

   A cidade antiga tinha uma impressionante acrópole e um edifício enorme, o maior da Itália antes do século 6 a.C. – que parecia ter muitas estruturas menores em torno de um pátio. Segundo Rathje, talvez fosse o palácio de uma família dominante. Warden dirige as pesquisas no sítio arqueológico Poggio Colla, 35 quilômetros a nordeste de Florença. A equipe explorou um muro bem definido da cidade, um amplo cemitério e um templo, especialmente raro.

   Segundo Warden, as escavações proporcionaram nova maneira de entender mais profundamente a sociedade estratificada dos etruscos – a elite rica controlava grande população de escravos e servos. As pessoas viveram em Reggio Colla desde o século 7.º até o século 2 a.C., que constitui o período quase total da história etrusca conhecida.

   Ninguém sabe quando os etruscos foram para a Itália nem de onde. Eles falavam uma língua diferente de qualquer outra européia conhecida, que sobrevive apenas em poucas inscrições sepulcrais.

   Os ancestrais dos etruscos podem ter cruzado os Alpes provenientes do norte ou podem ter vivido tanto tempo onde estavam que suas origens eram de pouca importância. Apesar disso, os costumes e tradições foram uma mescla de costumes de outros povos, possivelmente provenientes da Ásia Menor (atual Turquia) e particularmente da Grécia. Aristóteles escreveu a respeito de uma aliança comercial assinada entre etruscos e cartagineses.

   O número de palavras etruscas emprestadas dos gregos indica muitos contatos entre os dois povos. Cenas da mitologia grega são pintadas em peças de arte etrusca. “Os etruscos eram colecionadores de tudo o que era dos gregos”, disse a arqueóloga Irene B. Romano, uma das curadoras da mostra do museu na Pensilvânia. “Eles e os gregos faziam comércio, lutavam e se conheciam muito bem.”

   Expansão – A presença etrusca na Itália se registrou durante grande parte do primeiro milênio antes de Cristo e teve seu apogeu nos séculos 6.º e 5.º a.C. Seu domínio se estendeu bem além de seu centro na Toscana. Desde o Rio Tibre, no sul, até o Arno, no norte, o poderio e a cultura dos etruscos tiveram grande influência. Em certas épocas, seu alcance se estendeu ao vale do Rio Pó e ao Mar Adriático e, no sul, até Pompéia.

   Baseados na arte das tumbas, os arqueólogos concluíram que as mulheres tinham um status muito elevado na sociedade etrusca, em comparação com gregos e romanos. As pinturas mostravam mulheres saboreando alimentos e dançando em festas. Pintavam também mulheres dirigindo suas próprias carruagens. As inscrições revelavam que as mulheres podiam possuir ou herdar bens e às vezes dirigiam suas empresas, como oficinas de cerâmica.

   Larissa Bonfante, professora de história clássica na Universidade de Nova York, disse que, ao contrário das romanas, as etruscas tinham nomes próprios. As filhas do rei romano Servius Tullius, por exemplo, eram ambas conhecidas apenas como Tullia. Mas os etruscos, tanto homens quanto mulheres, tinham três nomes: um prenome, seguido pelo nome da família do pai e da da mãe.

   Apesar de toda a sua arte e agricultura, de sua refinada metalurgia e de seu comércio, o poderio etrusco e seu controle sobre a península italiana começaram a declinar nos séculos 5.º e 4.º a.C. “Estou absolutamente convencido de que uma das principais razões pelas quais eles não foram bem-sucedidos a longo prazo foi porque sua sociedade era estática, não mudava com o tempo”, disse Warden.

   Os estudiosos aprenderam que a civilização etrusca era governada como uma federação meio frouxa de 12, ou talvez 14, cidades-Estado, cada uma delas controlada por oligarquias dos ricos e guiadas pelos deuses.

   O filósofo Sêneca, no século 1.º a.C., pode ter encontrado uma explicação para a incapacidade dos etruscos de cuidar de si próprios e de mudar.

   Escreveu Sêneca: “Esta é a diferença entre os romanos e os etruscos. Nós acreditamos que o raio é causado pelas nuvens que colidem entre si, enquanto eles acreditam que as nuvens colidem para criar o relâmpago. Como eles atribuem tudo aos deuses, são levados a crer não que os acontecimentos têm sentido porque aconteceram, mas que aconteceram para expressar um sentido.”

   Desde sua arte até sua cerâmica, afirmam os especialistas, existem fortes evidências de que a cultura etrusca era inflexível em face do crescimento populacional, dos reveses comerciais e das ameaças de vizinhos em expansão.

   “Era um ambiente sufocante, uma espécie de teocracia sem mobilidade social”, resumiu Warden.

(© O Estado de S. Paulo)

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