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Ex-ministro de Silvio Berlusconi é condenado

O ex-ministro, deputado Cesare Previti

Araújo Neto
Correspondente

   ROMA. A condenação por corrupção de sete importantes magistrados, advogados, funcionários públicos e parlamentares italianos, entre eles o ex-ministro da Defesa e deputado Cesare Previti, continua provocando reações violentas e polêmicas na Itália. A sentença, pronunciada em primeira instância pela Quarta Seção Penal do Tribunal de Milão, foi considerada severa demais nas sete condenações, mas completamente omissa no que diz respeito ao papel e à participação do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, identificado como mandante e principal beneficiário de um ato de corrupção executado por amigos e advogados seus.

   Previti foi condenado a 11 anos por ter pago US$ 34 milhões ao procurador-geral e a dois juízes do Tribunal de Roma, encarregados de arbitrar dois processos de transferência de grandes empresas para a holding de Berlusconi, Fininvest. Em troca de generosa e luxuosa propina, os juízes se encarregaram de ajustar as sentenças que premiavam o grupo Berlusconi.

   O processo Imi-Mondadori, nome das duas empresas disputadas, vem rolando desde 1996. Nesses sete anos que decorreram até a sentença pronunciada na noite de terça-feira, o processo foi retardado por manobras da defesa dos réus, principalmente a de Previti, que conseguiu adiar oito audiências com a alegação de que seu cliente estava muito ocupado exercendo seu mandato parlamentar.

   A conseqüência política mais nefasta dessa sentença será para a presidência do próximo semestre da União Européia, que deverá ser exercida por Berlusconi, desde ontem o líder mais enfraquecido e desmoralizado da Europa. A reação de Berlusconi à condenação de seu amigo e advogado Previti não podia ser mais enérgica e categórica. Comentando a sentença numa carta publicada ontem pelos jornais italianos, Berlusconi afirma: “O seu objetivo não foi o de fazer justiça, como demonstra o processo e a violência com que construíram o pelourinho para um deputado da Força Itália (partido de Previti e Berlusconi), mas o de atacar as forças que receberam o mandato de governar e renovar a Itália segundo princípio de democracia liberal. O nosso dever é, portanto, o de reagir, e reagir em tempo”.

(© O Globo On Line)

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