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Por Estelle Shirbon
ROMA (Reuters) - Pisando na
tribuna onde gladiadores já lutaram até a morte contra animais selvagens, o ex-Beatle
Paul McCartney levou pela primeira vez o rock'n'roll ao Coliseu de Roma.
"Nós entendemos que é a primeira vez que uma banda vai ao Coliseu
desde os cristãos", brincou McCartney com a audiência, referindo-se à
perseguição dos primeiros cristãos pelas autoridades romanas. "Balancem o
Coliseu", ele gritou no fim do show na noite de sábado, antes de começar a cantar
"Hey Jude".
Luzes em tons alaranjados deram uma atmosfera íntima ao concerto, apesar do
tamanho do local. No seu auge, há uns 2000 anos, o Coliseu poderia receber até 80.000
pessoas, mas no sábado apenas 400 pessoas puderam assistir ao show beneficente.
"Este é um lugar lindo, lindo", disse o sexagenário McCartney a
uma audiência composta por convidados importantes e por alguns sortudos que conseguiram
comprar ingressos num leilão na Internet.
Parte do dinheiro arrecadado com o leilão irá para o Adopt a Minefield
(Adote uma mina), um órgão beneficente criado pela esposa de McCartney, Heather Mills
McCartney, e outra parte para projetos arqueológicos em Roma.
No show McCartney fez amplo uso de antigos sucessos dos Beatles, sendo 18 das
27 canções interpretadas por ele do repertório da banda na década de 1960, incluindo
"Can't Buy Me Love", "Let It Be" e "Yesterday".
"Eu amei estas canções por mais de 30 anos, e vê-lo interpretá-las
no Coliseu é bom demais para ser verdade", disse Renato Jacopetti, que pagou 1.263
dólares por dois ingressos e veio da cidade de Pádua, no norte da Itália, apenas para o
show.
McCartney deve fazer um segundo show em Roma, mas dessa vez do lado de fora
do monumento histórico, usando seus arcos como fundo de cenário. O show será gratuito,
e os organizadores disseram esperar cerca de 200.000 pessoas.
O lucro da venda dos direitos dos dois shows para a televisão irá para uma
missão arqueológica no Iraque, cujo objetivo é ajudar o Museu Nacional Iraquiano de
Bagdá, que foi saqueado, a reabrir suas portas.
McCartney está no fim de uma turnê mundial que o tornou a celebridade mais
bem paga do mundo. Quando a turnê acabar, em 1o de junho, em Liverpool, berço dos
Beatles, cerca de 2 milhões de pessoas terão pago para vê-lo tocar.
(©
UOL Música) |