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Em uma ação cinematográfica, ladrões de
obras de arte escalaram a fachada do Museu de História de Viena, na Áustria, e retiraram
de uma redoma de vidro protetora uma escultura avaliada em US$ 57 milhões sem disparar o
sistema de alarmes. Policiais que investigam o caso acreditam que o roubo da Saliera -
considerada "a Mona Lisa das esculturas" - foi encomendo, pois os ladrões não
levaram nenhuma outra obra de arte.
A Saliera (saleiro, em italiano), esculpida no
século 16 por Benvenuto Cellini, é uma estatueta de 26 cm de altura, feita em ouro
maciço. Trata-se do único exemplar da obra do italiano mestre da escultura que
remanesceu do período em que trabalhou como ourives.
"É um roubo de arte de proporções
gigantescas", disse o diretor do museu, Eilfried Seipel. "A Saliera valia pelo
menos 50 milhões de euros (US$ 57 milhões)."
A polícia já acionou a Interpol e disse que
trabalhará junto com especialistas em roubo de arte do Reino Unido, da Alemanha e da
Itália para tentar localizar a obra.
"Os ladrões escalaram a lateral do
prédio até o primeiro andar, quebraram o vidro de uma janela e entraram. Então,
espatifaram a redoma de vidro e levaram a escultura", disse o porta-voz da polícia
austríaca. "Havia sensores de movimento por toda parte - estamos investigando, no
momento, por que o alarme não foi acionado."
Benvenuto Cellini nasceu em Florença, em
1500, e viveu até 1571 - período do auge do Renascimento, fase em que as artes
plásticas puderam abordar temas não-religiosos e recuperaram técnicas de
representação avançadas (perspectiva, profundidade) esquecidas desde a Era Clássico
(Império Romano e Grécia Antiga). O mestre italiano teve grande influência nos
trabalhos de Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, entre outros artistas da época.
Os museus, apesar de abrigarem obras de valor
inestimável - e usarem a tecnologia mais avançada contra furto - são vítimas
constantes. No final do ano passado, dois quadros avaliados em milhões de dólares, do
pintor holandês Vincent Van Gogh, foram retirados de um museu com seu nome em Amsterdã
de forma surpreendente: os ladrões subiram até o teto do museu, usando uma escada de
corda, tiraram algumas telhas e desceram até o salão.
De lá, saíram tão rápido que - mesmo
acionado o alarme - não houve tempo para a polícia alcançá-los. Em alguns casos, os
criminosos pedem "resgate" pelas obras roubadas. É o que aconteceu com um
quadro de US$ 1 milhão do pintor Marc Chagall, roubado do Museu Judaico de Nova York
(EUA) em 2002. O desconhecido Comitê Internacional pela Arte e Paz exigiu paz no Oriente
Médio em troca da obra.
(©
Jornal da Tarde) |