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Gina de Azevedo Marques
Especial para O GLOBO
ROMA. Depois de calendários irreverentes com mulheres nuas, modelos e
atrizes, agora na Itália o pecado enfrenta a concorrência da castidade. O Calendário
romano 2004", com fotos de doze padres jovens e belos, é um sucesso. Não é um
produto licenciado pelo Vaticano, mas a Santa Sé não fez qualquer objeção à edição
e à venda ao público.
A idéia foi do fotógrafo Piero Pazzi, que nos últimos anos produziu
calendários com os gondoleiros de Veneza, sua cidade natal. As fotos em preto-e-branco
retratam os padres com monumentos italianos ao fundo, exceto a do mês de março. Nesta, o
religioso participa de uma procissão em Sevilha, na Espanha.
A idéia de Pazzi se transformou num tesouro. A primeira edição, com dez
mil exemplares, foi lançada no início deste mês e já está quase esgotada. Os
calendários são vendidos en bancas de jornal e lojas para turistas em Roma por seis
euros (aproximadamente R$ 20), ou oito euros (R$ 26) nas compras pela internet, incluindo
o envio.
Confesso que não esperava tanto sucesso. O calendário passou a ser
conhecido no mundo inteiro. Todos os dias dou entrevistas a jornalistas estrangeiros
disse Pazzi .
O fotógrafo observou:
Considerando que milhares de padres passeiam em Roma e no Vaticano,
achei que fosse interessante fotografá-los. Escolhi os padres casualmente, perguntei se
aceitavam e concordaram. Porém, a beleza desses jovens religiosos não faz deles
símbolos sexuais.
Nas fotos, os padres vestem batinas clássicas, compridas e negras, exceto o
sacerdote de Sevilha, que usa o traje característico do ritual da procissão. Alguns usam
um chapéu redondo, denominado saturno, e o do mês de abril exibe um chapéu preto com um
pompom no alto. Os trajes estão à venda em lojas de roupas para religiosos em Roma.
Pazzi explicou que sua proposta, ao transmitir informação através da
imagem, é abordar o contraste entre o antigo e o jovem, o branco e o preto. Segundo o
fotógrafo, em sua concepção os antigos monumentos significam a tradição e os jovens
padres representam a continuidade dessa tradição.
O fotógrafo não teve gastos com produção, nem com filmes ou revelação,
já que usou uma câmera digital. Sua única despesa foi com a impressão. Diferentemente
de modelos e atrizes, os padres não cobraram cachê para posar para as fotos do
calendário.
(© O Globo
On Line) |