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Cientistas italianos desenvolveram um nariz eletrônico que
pode detectar câncer de pulmão ao "cheirar" componentes diferentes na
respiração dos pacientes, informa reportagem da revista "New Scientist"
publicada no início do mês de maio.
Pesquisadores da Universidade de Romna acreditam que o
dispositivo poderia servir como base para um simples teste para diagnosticar a doença,
que mata mais de um milhão de pessoas por ano no mundo.
Segundo Carrado Di Natale, o especialista em eletrônica que está
desenvolvendo o e-nariz, os médicos poderão, um dia, usar uma versão hipersensível do
dispositivo para rastrear câncer de pulmão em fumantes e em integrantes de outros grupos
de alto risco como parte de um check-up de rotina.
A equipe de Natale testou o dispositivo em 60 pacientes do Hospital
Forianini, em Roma. Trinca e cinco desses pacientes aguardavam a cirurgia para a retirada
de grandes tumores no pulmão. O teste levou menos de um minuto e identificou cada um dos
pacientes com câncer. Os resultados do estudo serão publicados na revista
"Binsensors and Biolectronics".
De acordo com Natale, certas doenças podem fazer com que os pacientes exalem
compostos reveladores. Ácidos alifáticos aparecem na respiração de pessoas com
cirrose, enquanto a di e a trimetilamina são encontradas na respiração daqueles com
problemas nos rins. Pessoas com câncer de pulmão liberam pela respiração uma variedade
de derivados alcano e benzeno.
Os pesquisadores trabalham agora para melhorar a sensibilidade do nariz
eletrônico antes que ele seja capaz de "cheirar" o câncer de pulmão em
estágio inicial. Embora seja menos preciso que um broncoscópio, instrumento que examina
o interior dos brônquios, um testador de respiração seria muito mais fácil de usar e
menos invasivo, diz Natale.
Sem contar que poderia representar menor custo no exame. A cromatografia de
gás e a espectometria de massa são normalmente usadas para analisar misturas, mas são
técnicas extremamente caras e elaboradas para oferecer um teste diagnóstico prático.
Narizes eletrônicos já são usados no controle de qualidade da indústria alimentícia.
Rede de sensores
Como o nariz de um animal ou de um ser humano, a versão eletrônica usa uma
rede de sensores que não são projetados para detectar qualquer composto químico. Em vez
disso, eles respondem às características gerais dos componentes de uma amostra. Na
indústria alimentícia, isso permite ao nariz distinguir uma sutil falta de cheiros e
sabores.
Os sensores são cristais de quartzo cobertos, cada um, com metalporfirina
levemente diferente que está ligada a uma gama de diferentes compostos químicos
orgânicos voláteis. A freqüência de vibração natural dos cristais varia em função
do peso. Isso muda à medida que as moléculas da amostra grudam em nas superfícies
recobertas, assim, uma amostra de gás complexo como a respiração humana criará um
perfíl único de vibrações na rede de cristais.
(©
UOL Inovação) |