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Jovens italianos, mais tempo na casa dos pais

   ROMA (ANSA) - Os jovens de hoje permanecem mais tempo na casa dos pais, mas nem por isso são 'mammoni' (filhinhos da mamãe), incapazes de conquistarem a sua autonomia e independência. Na verdade são muito mais independentes do que os seus predecessores.

   O novo perfil do jovem adulto (29,7 anos para os homens e 27,1 para as mulheres) que permanece mais tempo com a família, foi traçado pelo sociólogo Marzio Barbagli, diretor científico da observação nacional sobre as famílias, e pelos demógrafos Maria Castiglioni e Gianpiero Dalla Zuanna - no livro recentemente lançado "Formar uma família. Um século de mudanças".

   Com os dados na mão, os três estudiosos analisaram as características das famílias dos últimos 100 anos e desmistificam alguns lugares comuns. Em primeiro lugar que o 'mammismo' não é um fenômeno exclusivamente italiano.

   "A mídia e alguns estudiosos, se lê no livro, afirmaram que a permanência prolongada dos filhos homens na família de origem é um fenômeno tipicamente italiano, que tem causas e produz efeitos patológicos. Há anos usa-se o termo 'mammismo' na imprensa, mas também em conversas informais, para descrever a incapacidade ou impossibilidade dos homens de se libertarem do abraço de mães ansiosas, dominadoras, hiper-protetoras e sufocantes, e de se tornarem adultos maduros e autônomos.

   A realidade é distinta: sociólogos e demógrafos de outros países ocidentais verificaram, já nos anos 80, que o sistema de formação familiar estava mudando e que os jovens saiam de casa cada vez mais tarde".

   Só para citar alguns exemplos. Na Bélgica fala-se de famílias-hotel, em se referindo à tendência dos jovens de permanecerem na casa dos pais pelas facilidades recebidas. Na Suécia, a partir do termo 'sambo', usado na linguagem comum para definir a convivência de um casal, surgiu o neologismo 'mambo' para indicar os filhos adultos que não conseguem viver sem a mãe e sair da casa dos pais.

   "As pesquisas já realizadas mostram que, desde meados dos anos 70, a permanência de filhos e filhas na família de origem prolongou-se não apenas na Itália, mas também nos Estados Unidos, Austrália, França, Alemanha, Espanha e Grécia". A idade média dos jovens gregos que saem do lar é 28,2 anos para os homens e 22,9 para as mulheres, na Espanha 28,4 e 26,6 respectivamente, em Portugal 28 e 25,2 e na Áustria 27,2 e 23,4.

   Entre as causas deste fenômeno, citam-se a queda da fecundidade (já se demonstrou que os jovens saem antes de casa se têm irmãos e irmãs. O modelo do filho único favoreceu, em todos os países ocidentais, a sua permanência em casa), a alta escolaridade que atrasa o ingresso no mundo do trabalho, a tendência acentuada à afirmação e à valorização de si (os jovens de hoje dedicam mais tempo à sua auto-realização).

   O segundo mito derrubado pela pesquisa é que os jovens que permanecem mais tempo na família de origem são mais dependentes. "A condição social dos jovens adultos e as suas relações com os pais, afirmam os pesquisadores, são profundamente distintas das do passado.

   É curioso que a mídia considere aquele em curso como um processo de renúncia à própria autonomia dos jovens e contrapõe esta nova forma de dependência ao idílico estado anterior de liberdade. Na verdade, os jovens que hoje ficam mais tempo na família de origem são muito mais independentes daqueles que os precederam.

   Pode até supor-se, mesmo na ausência de provas, que os jovens adultos da última geração sejam mais autônomos do que os pais, até em relação àqueles nascidos na década sucessiva à Segunda Guerra Mundial, que saiam de casa mais cedo".

(© Ansa EuroSul)

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