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Saem em DVD Julieta
dos Espíritos, o primeiro filme colorido do mestre italiano, e Histórias
Extraordinárias, que também tem a participação de Roger Vadim e Louis Malle
São Paulo - Dê graças à
Versátil e à Cine-Magia. As empresas estão colocando nas locadoras e lojas
especializadas mais dois DVDs com filmes de Federico Fellini. A Versátil lança Julieta
dos Espíritos e a Cine-Magia, Histórias Extraordinárias. Nesse caso, temos
só 1/3 de Fellini, já que o mestre italiano assina apenas um dos três episódios que
compõem a coletânea adaptada de contos de Edgar Alan Poe. O escritor não passa de um
pretexto para o episódio de Fellini, Toby Domnit, interpretado por Terence Stamp.
O diretor usou praticamente só o título e reinventou, à sua maneira, o imaginário de
Poe.
É o que dá o tom do
filme que teve muita mídia ao ser realizado, na segunda metade dos anos 1960. Os
créditos deixam claro que Histórias Extraordinárias mostra Poe visto por três
diretores: Roger Vadim, Louis Malle e Fellini. A idéia desse projeto talvez tenha surgido
como decorrência do sucesso alcançado pelo ciclo de adaptações que o lendário Roger
Corman, mestre da produção B, acabara de concluir, na época. O último de seus nove
filmes baseados em Poe, O Túmulo Sinistro, é de 1965. Todos os filmes da série
foram feitos a toque de caixa, mas não sem acabamento. São mesmo muito elaborados,
visualmente. O último, com roteiro de Robert Towne, tem esplêndida fotografia do futuro
diretor Nicolas Roeg.
Poe já vinha sendo
adaptado pelo cinema desde os seus primórdios. O pioneiro David Wark Griffith mais de uma
vez recorreu ao escritor e ele também serviu de inspiração para o vanguardista Jean
Epstein, que fez, em 1928, o famosíssimo La Chute de la Maison Usher. Dois anos
depois de encerrado o ciclo cormaniano, surgiu, em 1967, Histórias Extraordinárias.
Vadim, casado com Jane Fonda, formatou Metzengerstein para sua mulher. Mudou o sexo do
barão da trama poeniana e colocou a bela Jane - na sua fase de mulher-objeto,
pré-politização - no centro de uma história sobre devassidão, na qual a heroína é
punida pelo cavalo que a lança nas chamas do inferno. É a personificação do homem que
ela destruiu. No Brasil, no mesmo ano, a fixação de Barbara Laage em outro cavalo teve
um sentido diverso no deslumbrante O Corpo Ardente, de Walter Hugo Khouri. Vadim
fez um filme quase risível, o que é, no mínimo, contrário ao espírito de Poe.
A segunda história
extraordinária chama-se William Wilson e foi adaptada por Malle. O cineasta trata
do tema do duplo e, no fundo, é o que se mantém mais fiel ao escritor, sem abrir mão de
suas prerrogativas autorais. É interessante ver Alain Delon e uma Brigitte Bardot morena
numa partida de cartas na qual o que está sendo apostado é a alma do protagonista. O
terceiro episódio, de Fellini, põe Terence Stamp - em alta, em 1967, após o sucesso de
sua participação em O Colecionador, de William Wyler - na pele de um ator
decadente que viaja à Itália para fazer um western católico. No original, o curta
felliniano tem dois títulos. Tanto pode ser Toby Domnit quanto Tre Passe nel
Delirio, Três Passos no Delírio.
Fellini constrói seu
episódio em cima das alucinações do astro bêbado e decadente. E aproveita para criar
uma galeria de tipos bizarros e ainda desvendar os bastidores do próprio cinema, num
relato crítico que seria perfeito, se não houvesse uma certa corrida de carros um tanto
longa. Muitos críticos definiram essa pequena jóia felliniana como a síntese de Oito
e Meio e Julieta dos Espíritos. Justamente Julieta dos Espíritos. Foi
o primeiro filme colorido do mestre italiano, em 1965, e ele usou a cor para dar plena
vazão às suas fantasias, que já haviam invadido Oito e Meio e se tornariam cada
vez mais recorrentes em seu cinema.
O próprio Fellini
gostava de definir Julieta dos Espíritos como uma fábula sobre o casamento. A
personagem interpretada por sua mulher, Giuletta Masina, sente-se tão oprimida por
fantasmas que precisa se libertar. E recorre a uma vidente. Julieta, Fellini dizia,
traz a mesma mensagem de Oito e Meio, só que em outro plano, com tons mais
decadentes e menos realistas.
Os críticos não
gostaram muito e, aqui mesmo no Estado, Flávio Márcio escreveu: "Esse
pretensioso sonho colorido não parece ter sido feito por um autor de obras-primas."
O DVD, cheio de extras, vai permitir agora a revisão desse Fellini tão polêmico. E tão
felliniano, você vai ver.
Julieta dos Espíritos e Histórias Extraordinárias. DVDs
da Versátil e da Cine Magia, nas locadoras e lojas especializadas. Média de R$ 45. (Luiz Carlos Merten)
(© estadao.com.br)
| Acredite, Sophia Loren morre
de medo de atuar |
| Ela tem 69
anos, quase meio século de carreira no cinema e na televisão, e é considerada um ícone
da cultura italiana. Mas, com toda essa experiência e exuberante trajetória, Sophia
Loren diz que ainda tem pânico de atuar.
Inacreditável? "Me dá medo de estar no set rodando diante do pior público, os
eletricistas e técnicos, porque penso que se perguntam: 'Vejamos o que ela sabe fazer'.
É horrível!", confessou a atriz em uma entrevista a um jornal italiano, para
incredulidade de milhões de fãs na Itália e no resto do mundo. Sophia foi a única
atriz italiana a ganhar um Oscar de melhor atriz em Hollywood por sua extraordinária
atuação em 'Ciocciara', filme baseado em uma obra do escritor italiano Alberto Moravia,
amigo da atriz.
Com esse medo de atuar, nem passa pela cabeça
dela pisar em um palco. Por isso, ela já rejeitou várias propostas. Sophia acrescente
que o medo e a timidez não foram as únicas batalhas difíceis que teve de enfrentar. A
batalha mais importante, segundo ela, foi a da maternidade.
Consagrada como um dos maiores nomes do cinema
italiano, Sophia Loren hoje gosta de rever filmes antigos em que atuou, principalmente os
de Vittorio De Sica, como, além de 'Ciocciara', 'Casamento à Italiana', de 1964.
(© Jornal
da Tarde) |
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