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Berlusconi diz que juízes o perseguem

Silvio Berlusconi depõe, no Tribunal de Milão

Gina de Azevedo Marques
Correspondente

   ROMA. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi fez ontem o Tribunal de Milão viver momentos dramáticos ao depor pela segunda vez no processo SME, no qual é acusado de corrupção. No final, recebeu aplausos e vaias como se estivesse no Teatro La Scala, de Milão.

   Esta foi provavelmente a última vez que Berlusconi foi à corte, porque o Parlamento italiano deve aprovar hoje uma lei dando imunidade às cinco maiores autoridades do Estado. Ontem, Berlusconi comparou a situação a um processo por homicídio sem morto e reclamou de perseguição dos juízes:

   — Aqui não há morto, não há arma do crime e não há motivo. Não há evidências, nem provas e testemunhas — disse.

   Berlusconi é acusado de subornar três juízes para influenciar a privatização da companhia de alimentação SME em 1985, antes de entrar na política. Segundo os magistrados, o premier, associado aos empresários Michelle Ferrero e Pietro Barilla, solicitou ao primeiro-ministro da época, seu amigo Bettino Craxi, que impedisse a venda da SME ao empresário concorrente Carlo De Benedetti.

   A venda a De Benedetti contava com a aprovação de Romano Prodi, atual presidente da Comissão Européia e, na época, chefe da holding estatal IRI. De Benedetti recorreu à Justiça, mas três juízes deram razão a Berlusconi. Em 1995, a testemunha Stefania Ariosto revelou como eles foram corrompidos.

   O processo foi aberto há três anos. Berlusconi usou todos os recursos para não ir à corte de Milão. No ano passado, o Parlamento aprovou uma lei que garante ao réu o direito de alegar perseguição dos juízes e pedir a transferência do processo. As autoridades judiciárias não reconheceram que Berlusconi fosse perseguido pelos juízes.

Premier negou-se a responder à promotora

   O premier chamou ontem a principal testemunha, Stefania Ariosto, de mentirosa e mitômana e atacou De Benedetti, afirmando que ele teria financiado ilegalmente a Democracia Cristã. Além disso, negou-se a responder a perguntas.

   — Estou à disposição para uma nova audiência no próximo 25 de junho, no Palácio Chigi (sede do governo) — disse.

   Os juízes aceitaram adiar a sessão, mas Berlusconi deve escapar do processo com a aprovação da lei que lhe garantiria a imunidade.

(© O Globo On Line)

Berlusconi rejeita acusações de corrupção em tribunal de Milão
DA REDAÇÃO

   O premiê italiano, Silvio Berlusconi, 66, defendeu-se ontem de acusações de corrupção na sala lotada de um tribunal em Milão (norte), provavelmente em sua última apresentação à Justiça antes de o Parlamento da Itália aprovar uma lei que lhe garantirá imunidade judicial.

   Repetindo diversas vezes o gesto de secar o suor do rosto na sala sob calor escaldante, Berlusconi ridicularizou as acusações de que teria corrompido juízes durante a disputa pela compra de uma empresa estatal nos anos 80, antes de entrar para a política. Disse também que, ao tentar atingir sua reputação, seus acusadores comprometem o prestígio da Itália.

   "É como se houvesse um julgamento de assassinato sem um corpo, sem uma arma e sem um motivo", disse, durante seu depoimento de 70 minutos, interrompido por vaias e aplausos. "A única coisa que existe é a fantasia daqueles que inventaram este processo. Nada mais."

   Berlusconi é o primeiro premiê italiano a ser processado no exercício do cargo. É a terceira vez que comparece à Justiça em três anos. Provavelmente não terá de voltar até o final de seu atual mandato, em 2006.

   A Câmara dos Deputados deve aprovar hoje uma lei de imunidade que o protegerá de processos judiciais enquanto for premiê. O Senado já aprovou o projeto.

   Ao votar, em tempo recorde, o projeto de lei, a maioria de centro-direita no Parlamento quer evitar que Berlusconi seja condenado durante o período em que a Itália presidirá a União Européia, a partir de 1º de julho próximo.

   "Ao jogar lama no premiê, todo o país é atingido", disse Berlusconi, ontem. "Danifica-se o orgulho e o prestígio nacionais."

   O premiê tentou evitar sua ida ao tribunal, mas foi forçado a ir devido ao temor de que sua ausência levasse a promotoria a pedir sua prisão antes que a imunidade fosse aprovada.

   O julgamento está centrado em acusações de que Berlusconi corrompeu juízes para influenciar na privatização da estatal de alimentação SME nos anos 80.

   É a principal de uma série de acusações relacionadas ao império comercial do premiê, o homem mais rico da Itália. Ele nega qualquer irregularidade e diz ser vítima de promotores de esquerda politicamente motivados.

   Ao deixar o tribunal, Berlusconi recebeu demonstrações de repúdio e de apoio. "Chega de stalinistas! Stalinistas em Cuba!", gritava um de seus apoiadores.

   De acordo com o projeto de imunidade, a Justiça poderá investigar acusações contra ocupantes dos cinco cargos institucionais mais importantes do país, entre eles os de premiê e presidente, mas não poderá julgá-los durante seus mandatos.

   A imunidade de políticos italianos foi abolida no início dos anos 90 como resultado do escândalo de corrupção envolvendo políticos de todos os partidos revelado pela Operação Mãos Limpas. (Com agências internacionais)

(© Folha de S. Paulo)

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