ItaliaOggi

                     Publicidade

 

Ministro italiano exige canhões contra imigrantes

Umberto Bossi, na foto com Silvio Berlusconi

Bruce Johnston
Do Daily Telegraph

   ROMA. A Marinha italiana deve abrir fogo contra barcos que estejam transportando imigrantes ilegais para o país, de acordo com Umberto Bossi, ministro da Reforma e líder da xenófoba Liga Norte. O ministro afirmou querer ouvir “o tiro do canhão” em entrevista ao jornal “Corriere della Sera”.

   — Depois do segundo ou terceiro aviso, bang! Abrimos fogo. O que precisamos é que os canhões derrubem qualquer um que possa estar lá. De outra forma, nunca vamos resolver este problema — disse Bossi.

   Uma onda de imigrantes se tornou uma explosiva questão política dentro da coalizão liderada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Nos últimos 15 dias, milhares de pessoas desembarcaram no sul da Itália procedentes de diversos países. A Liga Norte pediu ontem a demissão do ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, por não interromper o fluxo de imigrantes.

   Perguntado se seria correto atirar em imigrantes, geralmente mulheres e crianças, Bossi disse ao jornal:

   — Sejam eles bons ou maus, imigrantes ilegais devem ser afugentados. A Marinha deveria estar defendendo nossa costa e usando seus canhões para isso. Esta é a melhor forma de se fazer cumprir a lei.

   Em meio a fortes protestos, Bossi divulgou um comunicado dizendo ter sido mal compreendido. “A entrevista de forma alguma reflete os meus pensamentos”, diz a nota.

   Atualmente, a Itália aborda barcos e os escolta de volta aos portos de onde vieram.

(© O Globo On Line)

UE debaterá novas medidas contra imigração

   BRUXELAS. Temendo o avanço da extrema-direita e dos partidos antiimigração, líderes europeus vão discutir amanhã e sexta-feira um grande pacote contra a imigração, num encontro em Tessalônica, na Grécia. Para analistas, a medida se destina a convencer os eleitores de que os governos que fazem parte da União Européia (UE) estão no controle da questão.

   A proposta mais polêmica foi apresentada pela Grã-Bretanha e previa centros para refugiados fora da UE. Eles foram comparados pela imprensa e por diplomatas a campos de concentração e o projeto acabou sendo derrubado.

   Na reunião, a UE deve determinar mais verbas para reforçar fronteiras, melhorar o sistema de informação sobre vistos e financiar programas para o regresso de imigrantes ilegais a seus países. Debaterá ainda a proposta britânica de criação de zonas de proteção para refugiados de conflitos, na tentativa de diminuir a busca de asilo.

   Em 1999, as 15 nações da União Européia haviam concordado em criar uma política comum para imigração e asilo, para garantir que refugiados encontrassem abrigo seguro no continente. Mas o avanço da extrema-direita em muitos países mudou o foco da política, indo em direção a mais restrições e menos direitos para asilados.

   — Isso alimenta o círculo de xenofobia — critica Dick Oosting, da Anistia Internacional.

Itália recolhe corpos de imigrantes afogados

   Ontem, a Marinha italiana, em colaboração com a da Tunísia, encontrou os corpos de seis passageiros de um barco que transportava cerca de 70 imigrantes ilegais e que naufragou no sábado no Canal da Sicília. Os corpos, os primeiros a serem achados, estavam ao sul da Ilha de Lampedusa.

   As buscas começaram depois que três sobreviventes, dois deles mulheres, foram resgatados na noite de segunda-feira por um pesqueiro tunisiano. Eles contaram que viajavam numa embarcação em direção à costa da Sicília, que trazia imigrantes aparentemente do norte da África.

   O naufrágio coincide com o debate na Itália sobre imigração, que tem como principal opositor o polêmico líder da Liga Norte, Umberto Bossi, que na segunda-feira sugeriu receber imigrantes ilegais com balas de canhões. Bossi depois disse que foi mal interpretado.

(© O Globo On Line)

Para saber mais sobre:

ital_rosasuper.gif (105 bytes)
Escolha o Canal (Cambia Canali):
 
 

Rádio ItaliaOggi

 

 

© ItaliaOggi.com.br 1999-2003

O copyright pertence aos órgãos de imprensa citados ao final da notícia