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Antonino Pio: o imperador esquecido

Estátua de Antonino Pio com corpo de atleta

Antonino Pio, pode não ter-se tornado famoso porque não foi um ditador, mas um homem da paz, mas sua cabeça de mármore pode valer uma pequena fortuna no leilão de antigüidades da Sotheby´s. Por Wendy Moonan, de The New York Times

   "Temos Adriano, Nero, Marco Aurélio e Augusto, mas não consigo me lembrar de um Antonino Pio", diz Richard M. Keresey, o especialista em antigüidades da Sotheby´s de Nova York. Ele está-se referindo ao mármore retratando a cabeça do imperador romano Antonino Pio (86-181 D.C.), que está no leilão da casa.

   Antonino Pio não é muito conhecido porque não foi um ditador notório. Seu serviço leal como cônsul na Itália e pró-cônsul na Ásia, levou o imperador Adriano a adotá-lo como filho e sucessor em 138 D.C.. A cabeça da Sotheby´s, de 37 cm de altura, mostra a face um homem maduro, em seus 50 anos. Tem longos cabelos cacheados, barba cheia e bigodes, olhos profundos e testa sulcada. A ponta de seu nariz aquilino está quebrada.

   "Algo como um nariz que se salienta é o primeiro a ir-se", diz Keresey. "Ele quebra quando a estátua cai, ou quando há um terremoto ou uma invasão. Os egípcios achavam que quebrando-se o nariz, se impediria o retratado de respirar."

   Como seu predecessor, Adriano, Antonino Pio é retratado com a barba de um filósofo, um sinal de que queria ser visto como um pensador. Assim mesmo, diz Keresey, a cabeça deve ter pertencido a uma estátua que mostrava o imperador de armadura.

   Os imperadores romanos são, às vezes, tidos como tiranos, mas Antonino estava longe disso. Ele foi um administrador hábil, retraído que evitava conscenciosamente o luxo e o desperdício e acreditava nas regras da lei. Teve uma equipe de especialistas em leis que o guiaram na revisão da legislação romana e lhe é creditado o princípio de que todo o homem deve ser considerado inocente até prova em contrário.

   Diferente da maioria dos imperadores romanos, Antonino amava loucamente sua mulher. Um dos mais bem preservados monumentos do Fórum, em Roma, é o Templo de Antonino e Faustina, que foi construído em 141 A.C., em honra de sua esposa. Foi depois dedicado ao imperador na data de sua morte, em 161.

   Num império de 150 milhões de pessoas, Antonino Pio foi capaz de manter a ordem através de todo seu vasto território. "Historiadores, de modo geral, são unânimes em seus elogios ao caráter de Antonino Pio e ao sucesso de seu reinado", diz o site da Web da New Advent Catholic Encyclopedia). "Seu reinado foi, inquestionavelmente, o mais pacífico e próspero da história de Roma."

   Preparando sua sucessão, ele deu sua filha, também chamada Faustina, em casamento a Marco Aurélio, em 145. E designou seu genro o sucessor. Marco Aurélio, que iria ter uma carreira lendária como um imperador-filósofo, tinha grande amor e respeito por Antonino. O catálogo da Sotheby´s cita um trecho das Meditações, de Marco Aurélio, que poderia servir como guia para um líder de qualquer era:

   "Mantenha-se simples, bom, puro, sério, livre de afetação, um amigo da justiça, um adorador dos deuses, gentil, afetuoso, vigoroso nos atos bons", aconselha as ainda populares Meditações. "Faça tudo como um discípulo de Antonino. Lembre-se de sua constância em todos os atos que estavam conformes com a razão e sua imparcialidade em todas as coisas, e sua piedade, e a serenidade de sua tranqüilidade, e sua doçura e seu desapreço pela fama vazia e seus esforços por entender as coisas."

   Infelizmente, Marco Aurélio não pôde seguir a liderança de Antonino e acabou por ir à guerra; o reinado de Antonino Pio foi o fim da Pax Romana. Conhecer a história de Antonino Pio ajuda a apreciar a habilidade com que o escultor imbuiu seu bloco de mármore da personalidade real do retratado, o qual a Sotheby´s espera vender por US$ 200.000 a US$ 300.000.

(© Maga.Zine/O Estado de S. Paulo)

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