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Artistas brasileiras enchem de cores a Bienal de Veneza

Bienal de Veneza

Bienal de Veneza: artistas brasileiras enchem de cores a mostra italiana

por Cristina Taquini

   VENEZA (ANSA) - Duas artistas brasileiras, uma fotógrafa e uma pintora, e seus trabalhos, perfeitamente inseridos em "Sonhos e o conflito", tema condutor da 50ª Bienal de Arte Contemporânea de Veneza: Beatriz Milhazes e Rosângela Rennó explicam para a ANSA/Eurosul qual é sua contribuição à excepcional "Mostra" italiana.

   As duas artistas expõem no Pavilhão do Brasil, nos Jardins de Veneza, uma magnífica estrutura cuja gestão está há cinco anos nas mãos da Fundação Bienal de São Paulo, que permite assim o lançamento internacional dos novos talentos brasileiros na Bienal veneziana, uma das mais destacadas mostras mundiais de artes visuais.

   As duas exposições compartilham por outro lado o título, "Sonhos despedaçados", e de fato se complementam sem maiores dificuldades.

   A fotógrafa Rosângela Rennó apresenta seus dramáticos retratos de homens armados que podem ser vistos sob uma capa vermelha, enquanto que as obras da pintora Beatriz Milhazes são uma verdadeira explosão de cores que escondem - diz a artista - "o conflito inerente à criação".

   Com grande acerto, o curador da mostra, Alfons Hug, escreve no catálogo que um observador desprevenido que entra no Pavilhão do Brasil teria a impressão de entrar repentinamente no mundo da Divina Comédia de Dante Alighieri: passa-se das sombra da primeira sala (a de Rennó) ao estalo das cores da segunda (a de Milhazes): do "inferno" ao "paraíso" dantescos.

NEVOEIRO VERMELHO

   Na primeira sala estão expostas as dramáticas fotografias de Rennó, chamadas "Série  Vermelha", que representam os militares. São imagens com uma dimensão significativa, dominadas por uma cor "vermelha", que é a da terra da Planície central do Brasil.

   Através desse nevoeiro se vêem soldados com uniformes carregados de apetrechos, que evocam longínquos conflitos na Indochina ou nas colônias.

   Junto às fotografias de oficiais prussianos, se vêem também imagens de soldados russos ou de jovens combatentes do Congo e outras guerras esquecidas.

   O objetivo do trabalho é o de investigar a natureza da fotografia desde as suas origens, tendo como plano de fundo a história social do Brasil.

   Na obra de Rennó a pintura, a arte com a "A" maiúscula, pode ser apreciada em sua sábia utilização dos pigmentos, cuja cor evoca de forma dramática o sangue derramado nos conflitos, uma técnica usada pela primeira vez em 1760 - explica o curador - pelo pintor barroco José Soares de Araújo nos afrescos da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Diamantina.

CORES

   O "Paraíso" desta dupla mostra brasileira se encontra na luminosa obra de Beatriz Milhazes, na combinação de elementos culturais de sua terra e naqueles adquiridos através de sua experiência, que se unem em suas imensas telas que bem representam os sonhos e os conflitos do Brasil.

   Para se inspirar, Milhazes atravessa um pouco todos os registros, desde a pintura ornamental ou a arte ocidental (por exemplo, a musica pop) até a ópera, ou, por exemplo, a representação da rainha da noite da "Flauta Mágica".

   É uma verdadeira viagem extasiante a que representa Milhazes, que passa da pintura que evoca o carnaval carioca a Mozart ou Wagner, com temas às vezes inclusive sombrios.

   O primeiro impacto gerado pela visão das obras de Milhazes é o de uma pura sensação estética de cores e desenhos; contudo, em sua obra sempre há uma história, não uma história construída ou arquitetada, mas sim um clima, uma atmosfera, como pode se deduzir pelos divertidos nomes de suas pinturas (por exemplo, O Mágico, Ilha de Capri, Elefante Azul), segundo afirma o crítico Jacopo Crivelli Visconti.

   "A idéia é mais forte que o conflito, porém o conflito está presente, e está na pintura, na construção, na cor que cria grande tensão", diz por sua vez a pintora, que vive no Rio de Janeiro - cidade em que nasceu em 1960 - e que expõe pela primeira vez na Bienal de Veneza, o que para ela é "uma grande honra, um marco muito importante por seu caráter internacional".

   Rennó - nascida em Belo Horizonte em 1962 - vive e trabalha no Rio de Janeiro e expôs em diferentes países da Europa, na França e na Espanha. Sua próxima mostra será em outubro próximo em Domaine Kuergennac, na região francesa da Bretanha.

(© Ansa EuroSul)

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