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Cena de Renzo e
Juliana, de Monicelli |
Cortada da versão que chegou
aos cinemas, nos anos 60, contribuição de Monicelli se junta em DVD aos
episódios de Fellini, Visconti e De Sica
São
Paulo - A distribuidora Versátil acaba de
lançar o disco digital de Boccaccio 70. A novidade é que o DVD
traz não apenas o filme conhecido do público, com os episódios de
Federico Fellini, Luchino Visconti e Vittorio De Sica, mas também
resgata o episódio dirigido por Mario Monicelli, cortado na versão
distribuída para os cinemas de todo o mundo, no começo dos anos 1960.
Não foi propriamente um problema de censura. Boccaccio estava
sendo considerado muito longo, com cerca de 200 minutos de projeção.
Surgiu a idéia de suprimir-se um dos episódios e o de Monicelli
revelou-se mais apropriado pelo simples fato de que os outros possuíam
atrativos mais fortes para o público internacional - Anita Ekberg no
felliniano As Tentações do Dr. Antônio, Romy Schneider no
viscontiano O Trabalho e Sophia Loren em A Rifa, de De
Sica. O episódio de Monicelli chama-se Renzo e Juliana e
facilitou bastante o fato de ter atores pouco conhecidos, ou mesmo
desconhecidos.
Na época, o cinema europeu - e
o italiano, em particular - apostou numa fórmula que logo se tornou
popular. Os filmes em esquetes, reunindo episódios dirigidos por
diferentes autores, podiam ter resultados desiguais, mas produziram
pequenas obras-primas. Pequenas por quê? Independentemente da duração,
46 minutos, apenas, Visconti sempre considerou O Trabalho um de
seus maiores filmes (e é mesmo).
A idéia de Boccaccio 70
foi, desde o começo, muito interessante. Dez anos antes que Pasolini
fizesse Decameron, os quatro diretores aceitaram produzir
histórias que trouxessem para a atualidade o espírito do escritor que
ostenta a fama de ter sido um dos fixadores da língua italiana, em
sentido literário. Giacomo Boccaccio é considerado um dos grandes
italianos da literatura da Idade Média, com Dante Alighieri e Petrarca.
Os contos do Decameron remetem à Florença de 1348, assolada pela
peste. Para fugir ao mal que não poupa ninguém, sete moças e três
rapazes se refugiam numa casa de campo, onde começam a desfiar
histórias. Cada um conta uma por noite, durante dez noites. São
histórias que usam a arma da irreverência para propor uma afirmação do
humanismo. (Luiz
Carlos Merten)
(©
estadao.com.br)
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