ROMA (Reuters) - Após 12
séculos de soterramento e 24 anos de restauração, Roma abriu na
quinta-feira as portas da igreja Santa Maria Antiqua, a mais velha das
ruínas do Foro Romano, junto com sua rara coleção de arte do começo da
Idade Média.
A igreja e seus numerosos
afrescos bizantinos e protocristãos foram soterrados por um terremoto no
ano 847. O local permaneceu intocado até 1900, quando começaram os
trabalhos de escavação.
Grande parte da estrutura havia sobrevivido, e desde 1980 os
restauradores se empenham no interior da igreja. O local ficará aberto
ao público entre 10 de abril e o final de maio.
"A Santa Maria Antiqua é um forte testemunho da riqueza de um período
do qual restam poucos outros detalhes", disse a historiadora da arte
Maria Andaloro. "A abertura dará ao público a dupla oportunidade de ver
não só a igreja, mas também o trabalho de restauração."
Enquanto muitas outras igrejas de Roma foram destruídas ou
reconstruídas ao longo dos séculos, a Santa Maria Antiqua, com seus 12
séculos fora de ação, oferece uma fotografia perfeita de como era a arte
no começo da época medieval.
Agora, a igreja, escondida à sombra do monte Palatino, no centro de
Roma, tem um novo telhado e apoios estruturais, mas ainda abriga cerca
de 250 metros quadrados de afrescos que datam do período entre sua
fundação, em meados do século 6o., até pouco antes do terremoto.
Antes disso, pelo menos três papas determinaram numerosas
redecorações de seu interior "Trata-se de um ponto de referência
essencial daquele período, já que cada papa tinha as imagens renovadas
de acordo com seu próprio estilo iconográfico," disse Andaloro.
Até seis camadas de pinturas cobrem parte das precárias paredes. Uma
austera imagem de um Virgem entronizada e adorada por anjos é a única
pintura que data da fundação da igreja.
Os chamados iconoclastas, que se opunham à veneração de imagens
religiosas, destruíram grande parte da arte religiosa do Ocidente entre
os séculos 8o. e 9o. Por causa do terremoto, a Santa Maria Antiqua
escapou disso, mas por outro lado a umidade danificou cerca de 60 por
cento das pinturas, e os restauradores ainda esperam trabalhar nelas até
o fim de 2007, com um orçamento de 1,6 milhão de dólares.
(Por James Crawford)