Agência Estado
Chegou esta semana às livrarias italianas A Força da Razão,
novo livro de Oriana Fallaci – cerca de três anos depois de um ensaio
da destacada escritora italiana, O Ódio e o Orgulho, ter sido
acusado de incitar o ódio contra os muçulmanos. O novo livro
certamente trilhará o mesmo caminho. A autora acusa a Europa de ter
vendido sua alma ao que descreve como sendo uma invasão islâmica. A
Igreja Católica também é criticada por se mostrar fraca demais frente
ao mundo muçulmano.
“A Europa se torna mais e mais uma província do Islã, uma colônia
do Islã. E a Itália, um posto avançado da província, um bastião dessa
colônia”, escreveu. “Em cada uma de nossas cidades, existe uma segunda
cidade”, acrescentou. “Uma cidade muçulmana, uma cidade governada pelo
Corão. Um estágio no expansionismo islâmico.”
Chamando a Europa de Eurábia – uma mistura de Europa e Arábia –,
Fallaci diz que o continente se vendeu e se vende ao inimigo como uma
prostituta.
“A atual invasão”, prossegue ela, “não é promovida apenas pelos
terroristas que se explodem junto com arranha-céus e ônibus, mas
também pelos imigrantes que se estabelecem em nosso lar, e que, sem
terem respeito às nossas leis, impõem suas idéias, seus costumes, seu
Deus”.
Escrito no estilo impetuoso que é a marca registrada de Fallaci, o
livro, de 278 páginas, critica a Igreja Católica porque, para ela, se
mantém em silêncio mesmo enquanto seus símbolos são ofendidos pelos
muçulmanos e perante práticas como o poligamia e tortura.
Fallaci, que se diz atéia, mas reconhece o papel do cristianismo na
civilização ocidental, conclui que a Igreja Católica não sabe mais
para onde ir. Ela também condenou, no novo livro, recentes iniciativas
da Itália para dar aos imigrantes o direito de voto em algumas
eleições municipais. Fallaci, que tem vivido na última década em Nova
York, lembrou que ela não tem direito a voto nos Estados Unidos. “E
acho que está certo. Por que eu deveria votar num país do qual não sou
cidadã?” Fallaci, uma ex-combatente da resistência italiana e
correspondente de guerra que dificilmente é vista em público,
freqüentemente provoca controvérsias e polêmicas.
Durante sua carreira de jornalista, ela se tornou conhecida por
questionar duramente, em entrevistas, líderes mundiais como o
ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger e o líder
palestino Yasser Arafat.
O Ódio e o Orgulho, lançado poucas semanas depois dos
atentados de 11 de setembro de 2001 e que quebrou um silêncio
auto-imposto de uma década, foi uma peça de acusação contra os
imigrantes muçulmanos e a posição ambivalente da Itália em relação aos
EUA.
O livro vendeu mais de um milhão de cópias na Itália e encontrou
uma grande público em toda a Europa. Mas Fallaci também foi acusada de
racismo. No livro, ela escreveu que os muçulmanos se multiplicam como
ratos e que os filhos de Alá gastam seu tempo com seus traseiros para
o ar, rezando cinco vezes ao dia.
Um grupo na França tentou sem sucesso impedir a distribuição do
livro, enquanto duas outras associações exigiram que ele trouxesse uma
advertência de conteúdo aos leitores. A Força da Razão,
publicado pela editora Rizzoli, é dedicado às vítimas dos atentados de
11 de março em Madri.