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da France Presse, em Roma
Milhares de manifestantes contrários à política dos Estados Unidos e o
papa João Paulo 2º, que sempre criticou a guerra no Iraque, receberão o
presidente americano, George W. Bush, nos próximos dias 4 e 5 em Roma.
A visita de Bush, que faz parte das comemorações do 60º aniversário da
libertação de Roma, que aconteceu no dia 4 de junho de 1944, suscitou
controvérsia em vários setores da opinião pública, que a consideram
inconveniente.
Segundo uma pesquisa publicada pela revista católica "Famiglia
Cristiana", 54,1% dos cidadãos classificam como "inoportuna" a visita do
presidente americano à Itália.
As autoridades temem que a presença de Bush provoque atos de violência,
já que a Itália foi um dos países onde houve mais manifestações contra a
guerra, apesar do governo de Silvio Berlusconi ter enviado tropas ao
Iraque e afirmar ser "o melhor amigo" dos Estados Unidos.
A primeira viagem do presidente americano ao exterior depois das
revelações de casos de tortura e de maus-tratos contra prisioneiros
iraquianos será cercada de um grande esquema de segurança.
Mais de 10 mil policiais, vindos de várias cidades italianas, além de
detetives e membros da guarda civil vigiarão Roma e tentarão descartar
qualquer risco de atentado. O Ministério do Interior anunciou nesta
segunda-feira o emprego de forças suplementares da polícia e limitou a
utilização do espaço aéreo da capital.
Os grupos contra a globalização anunciaram a realização de sabotagens e
incursões nos setores proibidos pela polícia assim como ações de "grande
visibilidade" para demonstrar seu repúdio à política de Bush.
Uma grande manifestação, convocada pelos partidos de esquerda da
oposição, assim como pelos movimentos pacifistas, foi autorizada para
sexta-feira à tarde. "Será uma passeata de protesto pacífica",
anunciaram os organizadores, enquanto a coalizão de centro-esquerda
convocou os romanos a colocar a bandeira com cores do arco-íris em todas
as janelas como forma de protesto.
"Existem ameaças graves contra a ordem pública", afirmou na semana
passada o ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, referindo-se a
possíveis incidentes violentos nas ruas em protestos contra a política
dos Estados Unidos.
Certo é que Roma estará em polvorosa na sexta-feira. As ruas por onde
passará o cortejo de Bush, que viajará acompanhado de uma delegação de
300 pessoas, serão fechadas. A parte histórica de Roma, onde fica a sede
do governo, assim como o palácio presidencial e a praça Veneza, onde os
manifestantes vão protestar, permanecerão fechados quase o dia todo, o
que provocará aglomerações em outro locais.
Os hospitais romanos estarão em alerta máximo, haverá patrulhas da
polícia dentro das redes de esgoto, franco-atiradores nos telhados e
helicópteros militares vão sobrevoar constantemente a cidade.
O programa oficial do presidente americano não foi divulgado por motivos
de segurança, apesar de se saber que encontrará o presidente italiano,
Carlo Azeglio Ciampi, e será recebido no Vaticano pelo papa João Paulo
2º.
Bush antecipou em algumas horas sua viagem para poder ser recebido pelo
papa, que se opõe à guerra no Iraque e que o desafiou a fazer "um exame
de consciência" e evitar a guerra entre o Oriente e o Ocidente.
Na sexta-feira, Berlusconi vai prestar homenagem a Bush em Villa Madama,
residência de hóspedes italiana, localizada em uma estratégica colina de
Roma, bastante isolada do centro da capital. No sábado, Bush partirá em
direção a Paris para participar das comemorações do desembarque em
Normandia.
(©
Folha Online)
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