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“É como se um fino véu cinza tivesse sido
removido da estátua”, disse o diretor da galeria onde a obra está, em
Florença, pronta para a comemoração de seu 500.º aniversário, em
setembro
Florença, Itália -
A controversa limpeza da escultura Davi
está pronta, com décadas de sujeira tendo sido arrancadas do tributo de
Michelangelo à beleza da nudez masculina, antes da comemoração dos 500
anos da obra prima, que está na Galeria Accademia de Florença, onde é
banhada pela luz do sol através da cúpula. A restauração da escultura do
jovem herói bíblico que derrotou Golias foi reiniciada em setembro
depois de um início conturbado, quando a restauradora original desistiu
da tarefa por causa de divergências de como deveria ser feita a limpeza.
O Davi atrai 1,2 milhões de admiradores por ano, fazendo dele uma
das obras de arte mais visitadas do mundo.
Um exame minucioso mostrou o que pareceu ser a fragilidade dos
tornozelos da estátua, que suportam 5.572 quilos de peso. Estão sendo
feitos projetos para discutir o que fazer para assegurar a estabilidade
da obra de 4,1 metros. Após a restauração, “Davi continua o
mesmo, a única mudança foi em sua luminosidade”, disse a restauradora
Cinzia Parnigoni, que trabalhou por meses em um andaime, aplicando na
peça polpa de celulose e barro, para absorver a poeira. Uma veterana na
restauração de arte renascentista, que usou água destilada para limpar a
série de esculturas não terminadas de Michelangelo, Prisioneiros,
Cinzia substituiu uma outra importante restauradora, Agnese Parronchi,
para quem a água poderia danificar a superfície da obra. Agnese, que foi
colega de classe de Cinzia na renomada escola de restauração de
Florença, Opificio delle Pietre Dure, queria escovar a sujeira, numa
limpeza a seco. “Seria presunçoso esperar aplacar as polêmicas (sobre a
restauração). Tentei fazer o meu melhor, mas tenho certeza de que alguém
pode não estar feliz”, disse Agnese hoje. Com a sujeira removida, as
veias salientes no “braço direito de Davi parecem mais impressionantes.
É como se um fino véu cinza tivesse sido removido da estátua”, disse o
diretor da galeria Franca Falletti.
Liderando um pedido mal sucedido para impedir a restauração estava
James Beck, professor de Arte da Universidade de Columbia, conhecido
pela denúncia de que a restauração dos afrescos de Michelangelo na
Capela Sistina foi muito abrasiva. Foram removidos do Davi
séculos de parafina de vela e marcas do tempo – manchas de depósitos de
sulfato –, com um instrumento semelhante a um bisturi. Algumas manchas
não puderam ser removidas, como o amarelado do pé esquerdo e marcas
violetas nas costas, que podem ter sido causadas por algum tipo de
fungo, disse Laura Speranza, uma oficial da Opificio que monitorou o
trabalho.
O Davi já foi objeto de outras controvérsias desde que foi
mostrado ao público, em 1504. Em 1527, a estátua foi danificada durante
uma manifestação na Piazza Signoria, a praça principal de Florença. A
obra sobreviveu a uma limpeza com ácido clorídrico, em 1843, método não
aceito por cientistas, engenheiros e outros profissionais que atualmente
desenvolvem novas técnicas de restauração. A obra-prima foi instalada na
galeria em 1863, onde ficaria protegida, mas, em 1991, um pintor
italiano esmagou o segundo dedo do pé esquerdo da obra com um martelo.
Diversas comemorações estão sendo preparadas em Florença para festejar o
500.º aniversário da obra, em setembro. ( AP)
(©
estadao.com.br)
Depois de 8 meses, limpeza de Michelângelo é concluída
ROMA
(AFP) - Depois de oito meses, a limpeza da estátua Davi, de
Michelângelo, está completa, anunciou o museu onde está a obra-prima da
Renascença italiana, quase quatro meses antes dos 500 anos da peça.
A limpeza da estátua de 5,5
toneladas - um processo tão delicado que restauradores comparam à lavagem
da pele de um bebê - causou polêmica entre historiadores da arte antes de
ser iniciada, em meados de setembro do ano passado.
Franca Falletti, diretora da
Galleria dell'Accademia, em Florença, disse que a estátua seria
inspecionada à luz do recém-adquirido conhecimento sobre sua estrutura e,
então, seria examinada e espanada oito vezes por ano.
Durante o processo, rachaduras tão
finas quanto fios de cabelo foram descobertas nos tornozelos da estátua e
em pedaços do mármore que a sustenta e debaixo dos pés.
A estátua, que representa o pastor
bíblico e salmista que se tornou rei de Israel após derrotar o gigante
filistino Golias, ficou exposta ao ar livre entre 1504 e 1873.
A restauradora Cinzia Parnigoni usou
compressas de água destilada para retirar a sujeira e a gordura acumulada
ao longo dos séculos nos poros da pedra. A expert originalmente contratada
para fazer o trabalho, Agnese Parronchi, se demitiu em abril do ano
passado, afirmando que o método poderia danificar a obra.
(©
UOL Diversão & Arte)
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