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Uma guerra de DNAs. Em jogo, uma rica vila da Toscana

A Toscana tem vilas belíssimas

   Roma - Um teste de DNA demonstrou que sir Harold Acton, o filantropo inglês que doou uma rica vila na Toscana à Universidade de Nova York, pode ter uma irmã ilegítima – uma reivindicação dos herdeiros de Liana Beacci, que exigem parte da propriedade.

   A propriedade, conhecida como Villa La Pietra, é uma construção do século 15, com 23 hectares, sobre Florença e inclui cinco casas com vistas para a capital toscana, uma imensa biblioteca e uma coleção de arte de 5.000 obras, com destaque para um relevo de Donatello e tapeçarias flamengas do século 15.

   Ela já hospedou membros da família real inglesa, líderes como Winston Churchill e escritores como D.H. Lawrence, e hoje serve como campus da universidade em Florença.

   Liana Beacci impetrou uma ação, anos atrás, para contestar a doação à NYU, feita em 1994, afirmando que era filha ilegítima do pai de sir Harold, sir Arthur Acton, e desse modo teria direito a uma parte do espólio.

   De acordo com a lei italiana, Beacci teria direito a algo como 25% da propriedade. Ela morreu em 2000, mas seus filhos e netos substituíram-na na ação.

   O teste de DNA foi determinado por um juiz de Florença que conduz o caso e o resultado foi entregue hoje ao tribunal, disse o advogado da NYU, Andrea Scavetta.

   A comparação entre os perfis genéticos de Liana Beacci e Arthur Acton realça a compatibilidade genética entre eles”, diz o documento, segundo Scavetta.

   O relatório diz também que a probabilidade de sir Arthur ser o pai de Beacci é muito alta – e que os níveis de probabilidade estão “acima dos estabelecidos pela legislação européia para confirmar a paternidade biológica nesse tipo de análise”.

   O teste de DNA foi proposto por Beacci enquanto estava viva e, no ano passado, o juiz florentino Fiorenzo Zazzeri concordou com ele.

   Os corpos foram exumados em junho e julho do ano passado, para extração de amostras de tecido para o teste, disse o cientista forense escolhido pelo tribunal, Pier Marco Leoncini.

   Leoncini explicou que o teste foi muito difícil e levou muito tempo porque o corpo de Arthur Acton, que morreu em 1953 e foi enterrado em Florença, tinha-se deteriorado depois de tantos anos.

   Leoncini nota que o relatório não afirma que a paternidade é certa, mas diz que os dois DNAs “poderiam ser compatíveis”. A NYU rejeita as conclusões do relatório.

   “Nosso posição é muito crítica” a respeito das conclusões, diz Scavetta. “Nossos especialistas chegaram a resultados opostos.”

   O advogado acrescenta que, de qualquer forma, os resultados são irrelevantes, uma vez que sir Harold herdou a vila de sua mãe, Hortense Mitchell, e não de seu pai. Hortense era uma americana rica, que comprou a vila no início do século 20.

   Beacci afirmava que era filha ilegítima de Arthur Acton e sua secretária. (AE-AP)

(© estadao.com.br)

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