|

Berlim - O
chanceler Gerhard Schroeder decidiu cancelar suas férias com a família na Itália e um
destacado ministro alemão pediu que o governo italiano demita um funcionário que chamou
os turistas alemães de louros arrogantes hipernacionalistas.
Schroeder decidiu que a rusga entre a Alemanha e a Itália poderia tornar
difícil para e seus familiares terem férias tranqüilas naquele país, disse o porta-voz
do chefe do governo alemão, Bela Anda.
Por esse motivo, a família resolveu passar as férias toda junta em
sua residência em Hanover, disse Anda em um comunicado.
Schroeder, sua esposa Doris e sua filha Clara seguiriam no próximo fim de
semana para a região de Marche, no centro da Itália.
Por sua vez, o ministro do Interior germânico, Otto Schily, referindo-se
aos comentários feitos pelo funcionário italiano sobre os turistas alemães, disse à
televisão ZDF que se eu fosse o líder do governo italiano, esse homem não ficaria
mais no cargo.
Já o ministro de Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, disse
estar pesaroso pela decisão de Schroeder.
O governo alemão saudou uma tentativa de Frattini e de outros ministros
italianos de guardar distância da afirmação feita na semana passada por Stefano
Stefani, subsecretário do ministério da Indústria responsável pelo turismo. Dois
outros ministros alemães também sugeriram que o governo italiano afastasse o
subsecretário Stefani.
Na Itália, a coalizão de oposição A Oliveira pediu a remoção de
Stefani. Logo após o anúncio de que Schroeder havia cancelado suas férias italianas, em
Roma o líder da coalizão centro-esquerdista na Câmara dos Deputados, Luciano Violante,
disse que apresentará na quinta-feira uma moção pedindo que Stefani seja afastado do
cargo.
Violante também chamou a atenção sobre os sérios danos que decisão do
líder alemão pode ter sobre a indústria de turismo italiana.
Stefano Stefani chamou os alemães de louros estereotipados com uma
arrogância hipernacionalistaem um artigo publicado na semana passada no diário La
Padania, o jornal oficial da coalizão de posição anti-imigração e às vezes xenófoba
da coalizão Liga Norte, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, em meio
ao impasse criado pelo chefe do governo italiano porter comparado um deputado alemão a um
chefe nazista.
(© estadao.com.br)
| Nova saia justa entre Itália
e Alemanha |
Graça
Magalhães-Ruether
Correspondente BERLIM. Uma
semana depois de o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi ter comparado o deputado
alemão Martin Schulz a um guarda nazista, outro incidente diplomático acontece entre os
dois países. Integrantes do governo alemão chegaram a ameaçar cancelar suas férias na
Itália em conseqüência dos comentários sobre os turistas alemães feitos pelo
subsecretário do Ministério da Indústria da Itália, Stefano Stefani. Em carta
publicada na sexta-feira passada no jornal La Padania, que pertence ao seu
partido de extrema direita, Liga Norte, Stefani chamou os turistas
alemães de louros com orgulho hipernacionalista, que invadem
arrogantes as praias italianas no verão, promovendo festivais de
arroto depois de se empanturrar com batata frita e cerveja.
O chanceler (chefe de governo) alemão Gerhard Schroeder, com viagem marcada
para a região de Adria onde passa as férias de verão todos os anos e
também os ministros do Exterior, Joschka Fischer, e do Interior, Otto Schilly, que têm
casas na região da Toscana, ameaçaram cancelar as viagens.
O governo Berlusconi apressou-se a formalizar um pedido de desculpas, aceito
pelo governo alemão. Stefani foi criticado por ministros italianos, que chamaram seus
comentários de idiotas. Mas ele afirmou que não se desculparia.
(© O Globo
Online)
|
|