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Texto José Augusto
Bezerra
Foto Sebastião Salgado
Os europeus gostam muito de 'espresso',
cafezinho forte, feito à máquina, que ocupa apenas metade da xícara. É questão de
hábito, explica o pessoal da Illycaffé, uma das mais importantes torrefadoras do mundo,
presente em 40 mil estabelecimentos de 70 países, 300 deles no Brasil. Na Itália, a
bebida custa entre 2 e 10 reais, dependendo do local onde é servida e da qualidade do
pó. Quando se pergunta de onde vem o grão, quase todos respondem Brasil, em função da
nossa tradição de grande exportador desde o século 18, quando as primeiras mudas da
planta, da família das rubiáceas (Coffea arabica), foram trazidas da Guiana
Francesa.
Com raras exceções, os europeus não
conhecem lavouras de café, não sabem como o grão é colhido. Pensando nisso, a
Illycaffé convidou Sebastião Salgado, um dos maiores fotógrafos do mundo, para revelar
o cotidiano nos cafezais brasileiros na exposição In Principio. Em cartaz até o
dia 31 de julho em Roma, a mostra faz parte do Festival Internacional FotoGrafia,
realizado anualmente. As imagens foram obtidas no ano passado na Zona da Mata e
Patrocínio, em Minas Gerais, e Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, regiões
caracterizadas por vastos cafezais nas encostas das montanhas que separam os dois estados.
São 25 fotografias em preto-e-branco retratando todas as etapas da produção, desde a
colheita até a embalagem em sacos de juta. A empresa também vai lançar uma edição
especial de xícaras, que trarão como estampas as fotos de Salgado.
(© Revista
Globo Rural)
| O
homem em foco |
| Texto
José Augusto Bezerra Mineiro de Aimorés, Sebastião Salgado, de 59
anos, é referência obrigatória em fotografia. Com 30 anos de carreira, é dono de obra
extensa, aclamada nos quatro cantos do planeta. Economista por formação, foi seduzido
por imagens feitas com uma Pentax de sua esposa, durante viagem de trabalho à África, e
não voltou mais ao escritório.
Reconhecido como um dos grandes 'fotógrafos
humanistas', trabalhou para agências internacionais, como Gamma, Magnum e Sygma, mas,
desde 1980, vem operando suas Leicas de forma independente. O foco não mudou: as
populações miseráveis, os excluídos do processo produtivo, multidões em êxodo, gente
sem perspectiva, sem futuro. Habituado a ver o mundo na contramão da globalização (e na
contraluz, quando define o assunto), ele se mantém fiel à temática de sua obra: o
homem.
(© Revista
Globo Rural) |
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