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O livro 'Guerreira da Liberdade' revela a
infância e juventude miseráveis da heroína
LUCINÉIA NUNES
Muito se
comenta sobre a grande heroína Anita Garibaldi, mas poucos sabem sobre sua vida antes de
se tornar a mulher de Giuseppe Garibaldi. No livro Anita - Guerreira da Liberdade (Ed.
Best Seller, R$ 29,90), o autor Adílcio Cadorin, o maior entusiasta da mitificação
dessa figura lendária, narra a vida de Ana Maria de Jesus Ribeiro, mulher que teve uma
infância quase miserável, permanecendo analfabeta até a adolescência e que ficou
famosa por sua luta libertária.
"Mesmo antes de conhecer Garibaldi, Anita
já tinha uma consciência republicana e formação ideológica sobre a revolução e os
direitos de igualdade", afirma Cadorin.
Advogado de formação e prefeito da cidade de
Laguna, Cadorin fascinou-se pela personagem ainda na infância. "Aos 8 anos, mudei-me
com a família de Urussanga, no Rio Grande do Sul, para Laguna, onde morei na frente da
Praça Anita Garibaldi. Isso despertou minha curiosidade sobre ela e os relatos que
ouvia", conta. Mas as pesquisas de Cadorin se intensificaram a partir de 1975, com o
lançamento do livro do professor suíço Wolfgang Ludwig Rau, "sobre os fatos da
época e que atribuía um papel importante a Anita".
Segundo o autor, o nome de Anita é citado em
mais de 15 mil publicações e teses de doutorado, em quase cem idiomas. "Porém,
são raros os que abordam sua vida antes de Garibaldi. No máximo, fazem a árvore
genealógica e comentam pouco sua personalidade", ele observa. Na obra, Cadorin
registra desde o nascimento de Anita, em 30 de agosto de 1821, até sua morte, às 19h45
do dia 4 de agosto de 1849, incluindo relatos sobre todas as batalhas, o amor pelos filhos
e por Giuseppe, os sete sepultamentos do seu corpo e a reprodução de cartas escritas por
ela.
O conteúdo do livro gerou um roteiro de
cinema, que chamou a atenção do ator Antonio Banderas. A convite do produtor
cinematográfico Victor Lustosa, Banderas deverá co-produzir o filme e interpretar
Giuseppe Garibaldi.
Criador da Fundação Anita Garibaldi, em
Laguna, Cadorin também foi o responsável pelo processo que culminou, em 1998, no
registro tardio de Anita, comprovando sua nacionalidade brasileira. Atualmente, o prefeito
organiza um megaespetáculo sobre a guerreira, que será apresentado ao ar livre, para
3.500 pessoas, hoje, no próximo sábado e dia 2, com a participação de Samara Felippo e
Werner Schünemann e mais 300 atores locais.
"Para realizar o primeiro espetáculo há
alguns anos, gastei R$ 25,00; no ano passado foram R$ 60 mil. O atual foi orçado em R$ 1
milhão e aprovado pela Lei Rouanet", diz Cadorin. O livro será lançado em São
Paulo no dia 4, no Bar Brahma.
(© O Estado de S. Paulo)
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