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Gianni Ratto |
O cenógrafo,
diretor teatral, ator, iluminador e escritor Gianni Ratto, de 88
anos, foi homenageado, no dia 27 último,
com o título de cidadão paulistano, em sessão solene da Câmara
Municipal de São Paulo, realizada extraordinariamente no principal
teatro da Galeria Olido. O título foi proposto pela vereadora Tita
Dias.
Ao receber a
homenagem, Gianni Ratto enfatizou a necessidade de a sociedade
brasileira derrubar o preconceito racial que a permeia. "Não é possível
que hoje, no ano 2004, se fale ainda de limitação de trabalho cultural
no campo dos negros, pardos etc", disse o mais novo paulistano, de 88
anos.
Além da prefeita
Marta Suplicy e da vereadora Tita Dias, participaram da solenidade a
atriz Maria Della Costa; o dramaturgo Aimar Labaki; o secretário
municipal de Cultura, Celso Frateschi, e o editor literário Alberto
Moraes Quartim. Também compareceram artistas e amigos do homenageado.
"Ele leva a
poesia teatral, organiza, questiona os grupos, nunca deixa a gente se
acomodar, sempre provocando uma coisa nova, sempre nos tirando o chão
para que a gente recupere o sentido ou a meta do trabalho", relatou
Celso Frateschi, com quem Gianni Ratto idealizou e organizou o Projeto
Formação de Público, da Prefeitura de São Paulo. Desde 2001, este
projeto já levou ao teatro quase um milhão de espectadores da cidade,
principalmente da periferia.
"O teatro é um
trabalho generoso, afetuoso, e um espaço onde todos podem conviver,
dominados pelo aprendizado e poesia. E a poesia não aceita cor, a poesia
não aceita discriminações", disse Gianni Ratto.
Meio século no Brasil
O título de
cidadão paulistano foi concedido ao artista em razão de sua contribuição
ao cenário cultural da cidade de São Paulo e, também, ao do Brasil.
Gianni Ratto é considerado um grande cenógrafo e tornou-se referência
fundamental no universo teatral. Ao longo das últimas cinco décadas,
período em que vive no Brasil, o artista atuou na valorização do teatro,
dos autores e dos atores nacionais.
Gianni Ratto
nasceu em Milão, na Itália, em 27 de agosto de 1916. Filho de uma
compositora de músicas clássicas e professora de canto, iniciou muito
cedo suas atividades artísticas.
Foi estudante de
artes plásticas, período no qual participou de exposições de pintura e
atuou como colaborador de arquitetos e decoradores já consagrados,
especialmente em exposições e feiras na Itália.
Ao lado de
Giorgio Strehler e Paolo Graasi, tornou-se co-fundador do Piccolo Teatro
di Milano, do qual foi diretor técnico e cenógrafo oficial durante sete
anos. Ainda em Milão, foi também vice-diretor técnico e cenógrafo
convidado do Teatro Alla Scala.
Trajetória brasileira
Gianni Ratto
chegou ao Brasil em 1954, a convite da atriz Maria Della Costa. Veio
participar da inauguração do teatro que leva o nome da artista e, em
seguida, dirigiu por três anos a companhia dramática organizada no mesmo
espaço.
Começaria, para
Ratto, dessa forma, um intenso período de atividades na maior cidade
brasileira. Ele trabalhou no Teatro Brasileiro de Comédia (T.B.C),
organizou um departamento de teatro para o Museu de Arte de São Paulo
(Masp) e desenvolveu trabalhos como diretor, cenógrafo, figurinista e
iluminador.
Sua versatilidade
permitiu que atuasse no teatro dramático e no lírico, ao mesmo tempo em
que emprestava seu talento para linhas de show e musicais, entre outros
gêneros artísticos.
Por tudo isso, o
artista passou a ser considerado um dos responsáveis pela renovação do
teatro dramático brasileiro.
Em 1958, Ratto
fundou o Teatro dos Sete, ao lado dos atores Fernando Torres, Fernanda
Montenegro, Sérgio Brito e Ítalo Rossi. A experiência resultou em seis
anos de atividade intensa e premiada.
Na década de 70,
organizou o Teatro Novo, um centro cultural que oferecia cursos, teatro,
dança, música, formação de atores e de bailarinos e cuja atividade só
foi interrompida no período de ditadura militar no País.
(©
Portal Prefeitura SP)
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