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da France Presse, em Roma
Uma série de confrontos entre
militantes antiglobalização e a polícia foram registrados hoje em Roma, durante a
reunião intergovernamental da União Européia (UE), que conta com a presença de 25
Chefes de Estado e de Governo.
Um grupo de ativistas antiglobalização, alguns deles com os rostos
cobertos, atacou as vitrines de algumas lojas e agências de trabalho perto da basílica
de São Paulo Extra Muros, a poucos quilômetros do local da reunião.
Mais de 30 manifestantes foram detidos, segundo a polícia, que mobilizou
quase 10 mil agentes para vigiar as manifestações organizadas na capital italiana.
Os manifestantes bloquearam várias avenidas e jogaram rolos de papel
higiênico contra os policiais.
Medidas de segurança rigorosas foram adotadas pelas autoridades locais, que
temem a repetição dos distúrbios violentos registrados em julho de 2001 em Gênova
(norte), quando um jovem ativista antiglobalização morreu durante a reunião dos oito
países mais industrializados do planeta (G8).
Adolescentes, estudantes e desempregados, ao lado de ecologistas e
integrantes do Partido de Refundação Comunista, pretendem marchar até o Palácio de
Congressos, no bairro Eur, onde acontece a reunião da UE.
Desde cedo helicópteros patrulham a cidade, enquanto franco-atiradores foram
posicionados nos principais edifícios do governo e centenas de câmeras registram a
movimentação nas praças e principais vias de acesso de Roma.
"É um dia de protesto pacífico. Pedimos às forças de ordem que não
alimentem a tensão", disseram os parlamentares Paolo Cento (Verdes) e Giovanni Russo
Spena (Comunista).
Um cordão de segurança protege a área da cúpula. A estação central de
trens romana foi invadida por manifestantes que participarão do protesto convocado pelos
sindicatos europeus, no centro da capital italiana.
(©
Folha Online)
Itália quer Carta da UE pronta em 3 meses
País preside a UE até dezembro e
pretende ver Constituição pronta ainda em seu mandato
ROMA - Protegidos por mais de 10 mil
policiais, os chefes de Estado e governo da União Européia e dos dez países que
ingressarão na instituição em 2004 reúnem-se hoje na capital italiana para debater a
primeira Constituição européia - cuja redação final deverá estar concluída em três
meses. A Itália exerce a presidência rotativa da UE e o primeiro-ministro Silvio
Berlusconi quer ver o texto aprovado antes do fim do mandato italiano.
Por isso, ele tentará de todas as formas pôr
um ponto final nas divergências em torno do texto original, elaborado por uma convenção
de 25 membros liderada pelo ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing com o
propósito de reformar a UE, a fim de possibilitar sua ampliação.
"O texto é bom e deve ser retocado o
menos possível, mas Roma estará aberta a propostas se houver consenso", disse o
chanceler italiano, Franco Frattini.
Os principais críticos do rascunho são a
Espanha e a Polônia, que têm em comum quase o mesmo número de habitantes (cerca de 40
milhões). Ambos lideram uma luta para não perder influência na instituição e
defendem, além de outras emendas, a manutenção do Tratado de Nice (que favorece os
países pequenos e médios). Esse tratado confere igualdade de votos no Conselho de
Ministros a todos os membros da UE, independentemente do número de habitantes ou do
Produto Interno Bruto. O primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, e o presidente
polonês, Aleksander Kwasniewski, rejeitam a redação, argumentando que ela elimina na
prática equilíbrios fundamentais entre os Estados. "O texto, como está, levaria a
um empobrecimento da UE, pois reduziria radicalmente o peso dos Estados menos
populosos", advertem eles. O governo polonês ameaça vetar o projeto, o que
bloquearia a reunião e enterraria definitivamente a Carta.
O forte esquema de segurança tem por
finalidade, além de proteger os líderes da UE, vigiar protestos programados por
antiglobalistas e sindicalistdas italianos contrários à reforma das pensões. Ontem, um
grupo autodenominado Os Desobedientes burlou a segurança montada diante da residência
oficial de Berlusconi e jogou ali três barris de excrementos. (Reuters e AFP)
(©
O Estado de S. Paulo)
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