Em 7 de outubro, João
Paulo tem programada uma viagem para a cidade italiana de Pompéia. Funcionários da Santa
Sé, no entanto, temem que mesmo uma viagem curta como essa, feita de helicóptero, possa
ser demais para ele. No Vaticano há o temor de que o papa perca a capacidade de falar em
público. Em sua visita à Eslováquia, ele não conseguiu ler o texto da homilia até o
fim.
Em 16 de outubro será comemorado em Roma o 25.º ano do papado de João
Paulo.
Todos o cardeais foram convidados a participar da celebração, que se
encerrará dia 19 com a beatificação de Madre Teresa de Calcutá. Em 21 de outubro,
está prevista a cerimônia que oficializa a nomeação de 31 os cardeais - anunciada
domingo. Cinco dos novos cardeais não serão eleitores no próximo conclave - quatro
porque já completaram a idade limite de 80 anos e um porque foi escolhido in pectore, ou
seja, seu nome é mantido em segredo pelo papa, provavelmente por pertencer a um país em
que a Igreja sofre restrições do governo.
Entre os novos cardeais estão religiosos de países em desenvolvimento ou
subdesenvolvidos, como o arcebispo do Rio, d. Eusébio Oscar Scheid, e representantes do
México, Guatemala, Sudão, Gana, Nigéria, Vietnã e Índia.
Com a criação dos novos cardeais, o colegiado passa a contar com 135
eleitores. Destes, 66 são da Europa; 24, da América Latina; 14, da América do Norte; 13
da África; 13, da Ásia e cinco da Oceania.
Fim da estrada - "A disputa está em andamento", disse
uma fonte interna do Vaticano. "O próximo conclave será o primeiro da história a
ter uma não-maioria de cardeais europeus votando", disse. Um dos novos cardeais, o
arcebispo de Lyon, na França, Philippe Barbarin, afirmou: "O papa está chegando ao
fim de sua estrada. Isso (a escolha do novo papa) será uma grande responsabilidade para
nós. O papa está realmente muito doente."
Para o biógrafo papal, Marco Politi, a "seleção dá aos fiéis da
Igreja Católica uma maior representação e expressa com mais precisão a
diversidade". Segundo ele, as escolhas preparam o terreno para uma discussão mais
profunda no próximo conclave sobre a escolha de um papa do hemisfério sul.
Pelo menos dois dos novos nomeados já manifestaram a intenção de apoiar
a "candidatura" de um papa negro.
O arcebispo de Lagos, Anthony Olubunmi Okigie, apóia seu colega da
Nigéria, Francis Arinze, de 70 anos, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo
Religiosos e o mais mencionado entre os cardeais negros com chances de herdar o trono do
polonês João Paulo.
D. Eusébio, arcebispo do Rio, disse no domingo que espera não ter de
votar, mas que se tiver de fazê-lo, votaria em um africano - uma sugestão de que Arinze
teria seu apoio.
O teólogo brasileiro Oscar Beozzo achou interessante a declaração do
arcebispo do Rio porque o "continente africano é a região onde a Igreja mais cresce
no mundo".
Entre os cardeais europeus mais cotados para a sucessão de João Paulo II
está o italiano Dionigi Tettamanzi, de 69 anos, arcebispo de Milão. Entre os
latino-americanos, são citados os nomes do arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, Oscar
Andrés Rodrigues Maradiaga, de 60 anos. O arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes, de
69 anos, também está entre os papabili. (The Times, Reuters, EFE e José Maria Mayrink)