ItaliaOggi

                     Publicidade

 

Italiano Carpi, sonhando com o Brasil

Fabio Capri mostra, em ‘Os Intervalos do Coração’, os conflitos internos e externos de um diretor de cinema

Diretor de 'Os Intervalos do Coração' lembra o tempo em que trabalhou na Vera Cruz

   Fabio Carpi guarda excelente lembrança daqueles dois anos e pouco em que trabalhou na Vera Cruz, entre o outono de 1951 e a primavera de 1954. "O Brasil penetrou no meu sangue, faz parte da minha vivência pessoal", conta numa entrevista por telefone, de Roma. Carpi, de 78 anos, escreveu os dois filmes brasileiros de seu compatriota, o diretor italiano Luciano Salce (Uma Pulga na Balança e Floradas na Serra), e também colaborou na escrita de Sinhá Moça, de Tom Payne. Deveria ter iniciado a carreira de diretor no País, com um filme sobre futebol intitulado O Árbitro, mas o projeto, a ser interpretado pelo então astro do São Paulo, Bauer, foi arquivado pela Vera Cruz e Carpi regressou à Europa. Seu terceiro longa, Quarteto Basileus, foi um grande sucesso, virou cult movie e permaneceu meses em cartaz nos cinemas brasileiros, no começo dos anos 1980. Carpi volta agora à mostra com Os Intervalos do Coração, três anos após Nobel, exibido no evento, em 2000.

   É um filme sobre um diretor de cinema. Estrutura-se sobre uma dupla viagem, interna e externa. "É um tema que me fascina e também o conflito de gerações; gosto de contrapor personagens de diferentes gerações, porque é assim que a gente interage na vida, mas, no caso atual, o conflito é do personagem consigo mesmo." Acha que seu cinema desenvolve-se em torno do que chama de 'monotonia temática'. Ficou surpreso com o prêmio que Os Intervalos do Coração recebeu no Festival de Montreal, para o filme mais inovador. "Não creio que esteja inovando, mas enfim..."

   Há alguns anos leu o livro da professora Maria Rita Galvão sobre a Vera Cruz, que discute a experiência dos anos 1950 como um projeto da burguesia paulista. Carpi pode discordar de certos aspectos da análise, mas considerou a leitura instrutiva e, no limite, concordou com a autora. "Não era um cinema baseado na realidade, como foi o neo-realismo italiano; a Vera Cruz nasceu de uma tentativa de fazer cinema industrial, no sentido hollywoodiano e é claro que se destinava ao fracasso." Mas ele não considera a experiência completamente negativa para o cinema brasileiro: "A Vera Cruz formou quadros e até desenvolveu uma oposição que levou ao Cinema Novo", avalia.

   Seus filmes são literários, admite. Remetem a vivências dele mesmo, sem ser autobiográficos. Carpi pode estar falando de músicos, escritores ou de um cineasta, como agora. O personagem tem sempre algo dele, das suas angústias, das suas incertezas. O diretor de Os Intervalos do Coração lembra que esteve no Brasil. Mais uma vez, é um filme baseado na palavra. "É o cinema que sei e gosto de fazer, mas admiro o cinema dos outros, esse cinema da imagem que não me apetece fazer." Explica a longa parceria com o ator argentino Hector Alterio. "Hector é um grande ator. Um crítico italiano matou a charada ao dizer que ele é o meu alter ego." Carpi ajudou no roteiro do filme que Charlton Heston fez na Amazônia, The Father. "Foi para ajudar um amigo", conta. Espera, sinceramente, que tenha resultado interessante. (L.C.M.)

(© O Estado de S. Paulo)

 

Para saber mais sobre:

ital_rosasuper.gif (105 bytes)
Escolha o Canal (Cambia Canali):
 
 

Rádio ItaliaOggi

 

 

© ItaliaOggi.com.br 1999-2003

O copyright pertence aos órgãos de imprensa citados ao final da notícia