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Milhões de italianos fazem greve contra reforma da Previdência

Manifestantes desfilam em Roma, diante da ruínas do Teatro de Marcelo  Gaetano/AP

Por Claire Soares

   ROMA (Reuters) - Trens, aviões, escolas e até teatros líricos pararam na sexta-feira por causa de uma greve geral em que milhões de italianos protestam contra o projeto de reforma da Previdência.

   Vários trens foram cancelados, e a Alitália suspendeu mais de 150 vôos vespertinos. Os hospitais disseram que só garantem o atendimento de emergência, e as crianças ganharam um dia livre nas escolas. O famoso teatro Scala, de Milão, cancelou a performance da noite.

   As três principais centrais sindicais italianas convocaram seus 11 milhões de filiados para aderir às cerca de cem manifestações marcadas para todo o país. É a terceira paralisação industrial no atual mandato do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, iniciado em 2001.

   O primeiro governo dele foi derrubado em 1994 justamente devida à questão das aposentadorias. Desta vez, porém, os quatro partidos da sua coalizão parecem aguentar firmes. O ministro do Trabalho, Roberto Maroni, ironizou a greve, chamando-a de "protesto de meio-período".

   A Itália está tentando reformar a Previdência, que engole cerca de 15 por cento do PIB. Essa proporção deve aumentar, pois a baixa natalidade e o crescimento da expectativa de vida envelhecem a população, o que cria mais aposentados e pensionistas.

   A proposta do governo é que só se aposente quem tiver 40 anos de contribuição ou idade mínima de 65 anos (para homens) e 60 para mulheres. Atualmente, os italianos podem se aposentar após 35 anos de contribuição e 57 de idade.

   A oposição à reforma revigorou o rachado sindicalismo italiano, que argumenta que leis aprovadas em 1995 são suficientes para evitar uma crise na Previdência e que o governo está fazendo uma campanha para atemorizar o público e dessa forma esconder "outra política econômica equivocada".

   Pesquisa publicada na sexta-feira pelo jornal La Repubblica, de esquerda, indicou que seis em cada 10 italianos são contra a elevação da idade mínima de aposentadoria.

   Berlusconi, que enfrenta uma economia em recessão, pareceu resignado com a demonstração de força de sexta-feira, apenas três semanas depois de ele aparecer em rede nacional garantindo que age pelos interesses dos italianos.

   O governo apresentou neste mês o seu esperado projeto de reforma da Previdência, que deve ser levado ao Parlamento até o final do ano. Analistas políticos dizem que, se Berlusconi recuar, sua credibilidade como líder político estará em xeque.

(© Folha Online)

 

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