ItaliaOggi

                     Publicidade

 

Berlusconi diz que governo da Itália vai intervir para salvar a Parmalat

Max Rossi/Reuters

Produtos da Parmalat, empresa italiana que vem perdendo participação de mercado no Brasil

Reuters

   ROMA E MILÃO - O primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, afirmou neste sábado que o governo vai intervir para salvar a Parmalat. A maior empresa de alimentos do país revelou ter rombo de quatro bilhões de euros em suas contas.

   Enquanto os promotores públicos deram início a uma investigação para apurar se houve fraude na empresa, cuja crise foi comparada ao escândalo da americana Enron, Berlusconi disse que as revelações eram "inacreditáveis".

   - O governo vai intervir para salvaguardar a parte operacional da companhia, para salvaguardar os empregos e para distinguir seu lado financeiros do de negócios - disse Berlusconi, numa entrevista coletiva.

   A Parmalat tem cerca de 35 mil empregados em todo o mundo e opera em 30 países.

(© Globo Online)

Parmalat revela buraco de R$ 15 bi no balanço
FRAUDES DO CAPITAL

Crise financeira se agrava, e grupo italiano fica perto da concordata; preço das ações desaba 66%

DA REDAÇÃO

   A Parmalat, um dos maiores grupos alimentícios do mundo, dificilmente escapará de um pedido de concordata, após a revelação de uma possível fraude de 3,95 bilhões (US$ 4,9 bilhões ou cerca de R$ 15 bilhões) em seu balanço. A empresa italiana não tem caixa para honrar suas dívidas, e o preço de suas ações virou pó.

   O Bank of America disse que é falso um documento em que a Bonlat, uma subsidiária da Parmalat nas Ilhas Cayman, afirma ter 3,95 bilhões em investimentos. O banco informou que não tem nenhuma conta em nome da Bonlat no paraíso fiscal. A empresa admitiu que os recursos não existem e não tinha, até ontem, uma explicação para a suposta fraude contábil.

   O endividamento total da empresa estaria entre 9 bilhões e 10 bilhões. "É difícil imaginar como a Parmalat poderá seguir adiante depois dessa clara indicação de uma extensiva irregularidade financeira", disse Claire McGuckin, analista de crédito do banco ABN Amro.

   Os analistas do mercado já apelidaram a Parmalat de "Enron italiana", numa referência à fraudulenta empresa de energia norte-americana, cujo colapso, em 2001, expôs uma cultura de maquiagem contábil envolvendo algumas das principais empresas dos EUA. Na Enron, o rombo foi estimado em pelo menos US$ 14 bilhões.

   Em seu último balanço, a Parmalat informou que dispunha de 4,2 bilhões em liquidez. Mas, na semana passada, só conseguiu pagar 150 milhões em títulos com quatro dias de atraso e, mesmo assim, com a ajuda de bancos credores e do governo italiano.

   Nesta semana, a empresa precisou fazer ginástica para adiar o pagamento de um compromisso envolvendo negócios com a subsidiária brasileira.

   O Bank of American e outros investidores minoritários têm direito de vender, por US$ 400 milhões, 18,8% das ações da filial brasileira à Parmalat. A opção, firmada em contrato há quatro anos, poderia ser exercida agora, mas a italiana não dispõe dos recursos para honrar o pagamento.

Ação despenca

   Assim que rombo contábil veio à tona, as ações do grupo, que já estavam em valores baixos, caíram 90% na Bolsa de Milão, para cerca de 0,10. Mas os negócios foram paralisados. Mais tarde, as negociações foram retomadas, e, no final do dia, os papéis valiam 0,30, com desvalorização de 66%. Na sexta-feira passada, a ação valia 2,24.

   A Bolsa informou que os papéis do grupo deixaram de fazer parte do índice das 30 principais ações.

   Enrico Bondi, novo presidente da Parmalat, convocou uma reunião de emergência para a noite de ontem, com o objetivo de discutir alternativas para a empresa. Bondi, considerado um especialista em reestruturação, assumiu o cargo nesta semana com a missão de evitar o colapso financeiro.

   Ainda ontem, a agência de classificação de crédito Standard & Poor's rebaixou a nota ("rating") da Parmalat para o mais baixo nível, ou seja, "D" (que caracteriza "default" ou inadimplência dos compromissos financeiros).

   A derrocada teve início na semana passada, quando a empresa teve dificuldade para pagar os títulos. Em outro episódio envolvendo as Ilhas Cayman, o grupo disse que não estava conseguindo resgatar 496,5 milhões que teria em investimentos no fundo Epicurum, situado no paraíso fiscal. (Com agências internacionais)

(© Folha de S. Paulo)


FRAUDES DO CAPITAL

Parmalat recebeu crédito do BNDES

Banco liberou R$ 25,9 mi para a companhia em outubro

SANDRA BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL

   Às vésperas da eclosão da crise do grupo italiano Parmalat, o BNDES liberou, em outubro, R$ 25,9 milhões para a subsidiária brasileira. O financiamento ainda está dentro do prazo de carência de 12 meses e, segundo o banco, está garantido por carta de fiança de bancos de primeira linha.

   Na semana passada, a Parmalat suspendeu o pagamento a fornecedores de leite, levantando no mercado preocupações quanto à saúde financeira das operações brasileiras e à sua capacidade de honrar os compromissos com outros credores.

   Ontem, no final do dia, a empresa comunicou às 11 cooperativas do Estado do Rio de Janeiro, principais credores, que quitará no dia 29 os R$ 2,3 milhões já vencidos. O restante, de igual valor, será pago no dia 5 de janeiro.

   A empresa, entretanto, continua envolvida na crise da matriz. Ontem, a S&P (Standard & Poor's) rebaixou o rating do grupo italiano de "CC" (um dos mais baixos), conferido no dia 10 deste mês, para "default". A decisão, segundo comunicado da agência de "rating", deve-se ao não-pagamento da opção de venda de 18,8% das ações da Parmalat brasileira, em poder do Bank of America, que venceu na quarta-feira.

   O grupo italiano teria de desembolsar, na ocasião, US$ 400 milhões para recomprar os papéis, segundo o contrato firmado em 1999. Esse foi o valor conferido ao pacote de ações da subsidiária brasileira há quatro anos.

   Segundo analistas ouvidos pela Folha, o negócio surpreendeu o mercado na época, pois o valor atribuído a uma participação minoritária na Parmalat brasileira foi considerado superestimado. Os analistas costumam avaliar uma empresa em uma vez e meia o seu faturamento. Em 1999, a Parmalat brasileira faturou R$ 1,025 bilhão, o equivalente a US$ 570 milhões (de acordo com o dólar médio de 1999). Por esse raciocínio, a Parmalat brasileira valeria, então, US$ 860 milhões.

   Esse foi um dos muitos episódios que marcaram a agressiva gestão da Parmalat no passado. "A empresa entrou no Brasil em 1972 e, no final dos anos 80, saiu comprando tudo o que via pela frente, sem estratégia definida", diz Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária Leiteira da CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

   A expansão da empresa no Brasil deu-se à custa de financiamento externo. Apesar de carregar dívidas em moeda estrangeira, a Parmalat brasileira era conhecida no mercado por não fazer hedge (proteção cambial), dizem analistas. Por isso, teve pesados prejuízos em 1999 e 2002, com a desvalorização cambial.

   Os analistas também atribuem os 13 anos de prejuízos a um desbalanceamento de suas receitas. A Parmalat obtém metade do seu faturamento com o leite longa vida. O produto, que revolucionou o mercado nos anos 80, virou commodity, com a multiplicação de fabricantes. A margem operacional do setor é pequena, de 20% a 25%. Nos demais produtos, de maior valor agregado, a companhia vem perdendo participação.

   Nos leites com sabor (achocolatado), ela caiu de 13,5% em outubro/novembro de 2002 para 11,4% em igual período deste ano, segundo pesquisa da Nielsen. No leite condensado, recuou de 25% para 16,4%, e, no creme de leite, de 33,9% para 29,8% no período.

(© Folha de S. Paulo)

Para saber mais sobre este assunto (arquivo ItaliaOggi):

ital_rosasuper.gif (105 bytes)
Escolha o Canal (Cambia Canali):
 
 

Rádio ItaliaOggi

 

 

© ItaliaOggi.com.br 1999-2003

O copyright pertence aos órgãos de imprensa citados ao final da notícia