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Fundador some após fraude na Parmalat

Foto: Milão – AFP

Calisto Tanzi pode ter deixado a Itália

 

   ROMA e MILÃO - O fundador e ex-presidente da Parmalat, Calisto Tanzi, não se apresentou ao Tribunal de Parma, norte da Itália, onde devia depor sobre a crise do grupo. A suspeita é de que possa ter fugido do país. Os depoimentos de Tanzi e de seu filho, Stefano, são considerados de vital importância pelos procuradores que investigam as irregularidades contábeis da Parmalat. A empresa requereu ontem, oficialmente, sua falência.

   Segundo fontes da Justiça italiana, um dos advogados da família Tanzi ligou da Espanha explicando que seus clientes precisam ''de uma pequena pausa de repouso'' para refletir sobre o ocorrido. O advogado, cujo nome não foi divulgado, explicou que, na atual situação, o ex-presidente da Parmalat e seu filho ''estão sujeitos a uma excessiva pressão por parte da imprensa e da opinião pública'', insistindo que o não comparecimento ao tribunal não se trata ''de uma fuga''. A procuradoria de Parma também efetuou ontem revista da residência dos Tanzi em Collechio, a 10 quilômetros da cidade e sede da Parmalat.

   Tanzi, 65 anos, foi substituído semana passada no comando da Parmalat por Enrico Bondi, especialista no resgate de empresas em dificuldades. Stefano continua sendo um dos principais diretores da empresa. Ambos teriam sido incriminados em diversos atos ilícitos pelo ex-diretor financeiro da Parmalat Fausto Tonna, considerado o cérebro do grupo e cujo depoimento à Justiça já permitiu descobrir um complexo sistema de ''engenharia financeira'' ilegal empreendido nos últimos 15 anos. Também estão sob investigação outros 20 ex e atuais executivos do grupo. A estimativa é de que o rombo nas contas da empresa passe de US$ 10 bilhões.

   - Já entendemos quase tudo o que ocorreu - afirmou Francesco Greco, procurador de Milão que foi a Parma se juntar ao procurador-chefe local, Giovanni Panebianco, no interrogatório de Tonna, demitido em março.

   O maior grupo alimentício da Itália formalizou ontem seu pedido de falência na Justiça de Parma. Segundo Dario Picone, advogado da empresa, a solicitação foi feita à luz do decreto governamental desenhado às pressas na véspera e que permite que empresas com mais de mil empregados e 1 bilhão de euros (US$ 1,24 bilhão) possam operar sob intervenção por menos tempo e nomear um comissário extraordinário com amplos poderes para proceder as reestruturações necessárias. No caso da Parmalat, o cargo será exercido pelo próprio Bondi. (Com agências EFE e Reuters)

(© JB Online)


Parmalat pede concordata; fundador deixa a Itália

Por Svetlana Kovalyova e Nelson Graves

   MILÃO (Reuters) - A empresa alimentícia italiana Parmalat pediu concordata, enquanto uma nova direção e o governo tentavam conter uma das maiores crises empresariais já vistas na Europa.

   Os promotores que investigam uma possível fraude na empresa descobriram que o fundador da Parmalat deixou a Itália, o que prejudica os esforços para descobrir o que aconteceu com 8,7 bilhões de dólares que desapareceram da contabilidade do oitavo maior grupo empresarial italiano.

   O escândalo também respinga em alguns parceiros da Parmalat, como bancos e auditores.

   A empresa pediu proteção dos seus credores graças a um decreto aprovado às pressas pelo governo menos de 24 horas antes. "Apresentamos o pedido (de concordata) de acordo com o decreto", disse Dario Picone, advogado da empresa.

   Promotores de Parma, onde fica a sede da empresa, queriam interrogar o fundador e ex-presidente Calisto Tanzi, que está entre os cerca de 20 suspeitos de fraude, falsa contabilidade e práticas comerciais abusivas.

   Mas Tanzi deixou a Itália com destino não-revelado, segundo uma fonte judicial que acrescentou que ele está apenas descansando de todo o escândalo, não fugindo da lei.

   "Se for verdade, é certamente um mau sinal", disse o ministro da Agricultura, Giovanni Alemanno, à agência Ansa.

   Segundo a fonte judicial, a polícia financeira italiana vasculhou a casa de Tanzi, perto de Parma, na quarta-feira.

   Tanzi abriu o seu primeiro laticínio em 1961 e o transformou em uma das mais conhecidas multinacionais italianas, com 35 mil funcionários em 30 países. Agora, a Parmalat já está sendo comparada à norte-americana Enron, que faliu em 2001 deixando milhares de acionistas no prejuízo.

AJUDA DO GOVERNO

   O governo admite que agiu para salvar a Parmalat, uma medida que pode ter custos elevados e violar as regras da União Européia.

   O decreto sobre concordatas permite que o novo executivo-chefe da Parmalat, Enrico Bondi, assuma amplos poderes para re-estruturar a companhia, sem o risco de ações judiciais por parte de acionistas, que estão vendo seu capital se desvalorizar rapidamente em meio às últimas notícias.

   Na semana passada, a Parmalat disse que o Bank of America identificou como falso um balanço em que a empresa dizia possuir quase 4 bilhões de euros em uma filial das ilhas Cayman.

   Uma fonte judicial disse que o rombo contábil da Parmalat agora já chega a 7 bilhões de euros, dos quais 2,9 bilhões são de promissórias que, ao contrário do que dizia o balanço, não foram pagas. Investigadores dizem que o total da fraude pode chegar aos 10 bilhões de dólares.

   Não se sabe se o dinheiro existiu alguma vez e, neste caso, para onde foi. Por isso, está difícil fazer uma avaliação do valor da empresa, o que seria importante para os acionistas.

   Bondi, conhecido por recuperar empresas, ainda depende de aprovação do Ministério da Indústria para assumir a autoridade de vender bens com o objetivo de salvar as operações essenciais, segundo uma cópia do decreto publicada pelo jornal Il Sole 24 Ore. O decreto dá 180 dias para que Bondi apresente um plano de recuperação financeira ao ministério.

   Representantes dos credores da Parmalat reagiram com cautela à indicação de Bondi. "Os credores esperam continuar trabalhando com o sr. Bondi e sua equipe em busca de uma rápida reorganização", disse Evan Flaschen, da consultoria norte-americana Bingham McCutchen.

   "O decreto foi feito com o espírito positivo de ajudar a empresa, salvar empregos, pagar fornecedores, ajudar a economia local, mas não mudou a situação para os acionistas que perderam uma fortuna", disse Umberto Mosetti, do grupo de defesa de pequenos acionistas Deminor International.

PREJUÍZO DESDE 1990

   Títulos da Parmalat tiveram uma ligeira queda na abertura dos mercados, na quarta-feira, e estão sendo vendidos a 19 por cento do seu valor de face.

   Antes do começo da crise, a Parmalat tinha um valor de mercado de 1,8 bilhão de euros, mas suas ações agora estão quase sem valor. A Bolsa de Milão não operou na quarta-feira.

   Os promotores dizem que estão fazendo rápidos avanços na investigação, que vai tentar entender como uma empresa que declarava no seu balanço uma liquidez de 4,2 bilhões de euros acabou devendo 120 milhões de euros a produtores de leite da Itália.

   Os investigadores dizem que pessoas interrogadas na terça-feira apresentaram detalhes sobre uma rede de fraudes financeiras que já durava mais de uma década e havia sido aprovada pela direção da empresa.

   O ex-diretor-financeiro da Parmalat Fausto Tonna, que já foi o braço-direito de Tanzi, foi ouvido durante mais de nove horas.

   Os investigadores disseram à Reuters que desde 1990 a companhia tinha prejuízos nas suas transações no exterior. Tonna voltou a ser ouvido na quarta-feira, por promotores de Parma.

O escândalo da Parmalat provocou um acirrado debate sobre a estrutura reguladora italiana. Alguns acusam o Banco Central de não perceber a tempo os problemas da empresa. Para outros, o problema é o funcionamento do Consob, entidade que regula o mercado, como o Cade brasileiro.

(© UOL Últimas Notícias)


Um espectro ronda a Europa: o fantasma do colapso da Parmalat


Steve Thompson e Dave Shellock

   Os mercados de ações europeus apresentaram tendência de baixa  nesta segunda-feira (22/12), devido ao susto dos investidores com o tamanho da crise financeira da Parmalat, a empresa de laticínios italiana, e seu impacto potencial sobre o setor bancário do país.

   Os relatórios desta segunda apontaram que o buraco nas contas da Parmalat bem maior do que aquele que era admitido. A empresa disse na sexta (19) que cerca de 4 bilhões de euros desapareceram de uma conta no Bank of America, mas agora acredita-se na falta de mais 7 bilhões de euros. Um promotor de Milão disse haver evidência óbvia de contabilidade falsa após o início de uma investigaão.

   Após uma única venda no final do pregão, as ações da Parmalat passaram a valer 0,11 euro, uma desvalorizaão de 66%. Elas valiam 2,24 euros há 10 dias.

   Mas o impacto do escândalo não se limitou à Parmalat. Os bancos italianos a certa altura contavam com cinco das dez piores performances no índice FTSE Eurotop 300, e foram afetados ainda mais pelas notícias de que a Goldman Sachs reduziu as previsões de ganhos em 2003 em três dos bancos que considera mais expostos ao colapso da Parmalat: Capitalia,
Banca Nazionale del Lavoro e Banca Monte dei Pascha di Siena.

   "Nós reduzimos nossa previsão para estes bancos para levar em consideração a exposição estimada não segura da Parmalat, após o anúncio do Bank of America negando a existncia das ações, depósitos ou liquidez alegados pela Parmalat", disse a Goldman. "Nós acreditamos que a esta altura cresceu substancialmente a probabilidade de um pedido de concordata pela Parmalat e portanto nós revisamos as previsões para o quarto trimestre", concluiu a corretora.

   Mas a Goldman acrescentou que, "mesmo se o sentimento a curto prazo em relação aos bancos italianos continuar negativo, segundo nossa opinião o mercado está reagindo exageradamente".

   As aões do Capitalia caíram 6,1%, para 2,330 euros, as do Banca Nazionale del Lavoro 5,5%, para 1,8840 euros e as do BMPS 5,2, para 2,5270 euros.

   Outros bancos italianos tambm foram atingidos. O Banca Intesa perdeu 3,4%, fechando em 3,07 euros, o Banche Popolare Unite caiu o mesmo percentual e fechou a 14,47 euros, e o Banca Antonveneta caiu 2.8%, fechando a 14,73 euros. As ações do San Paolo IMI perderam 3,5% e fecharam a 10,22 euros.

   A Mediolanum, uma seguradora e administradora de capitais, foi outra que apresentou performance ruim, com suas ações caindo 3,2% e fechando a 6,24 euros, mesmo depois do grupo revelar um aumento acentuado nos lucros líquidos em nove meses.

   As ações do Commerzbank da Alemanha caíram 1,8%, para 15,21 euros, após as notícias de uma declaraão do executivo-chefe do banco dizendo que há um grande risco de aquisição dos bancos alemães por baixo valor e que a ameaça poderá ser crítica para seu banco em 2004.

   Em uma nota positiva, as aões do grupo químico francs Rhodia apresentaram alta de 6,5%, fechando a 3,11 euros, após o anúncio de ter fechado um acordo com seus bancos para reestruturação de sua dívida. As aões da empresa atingiram a maior baixa de sua história na sexta, em meio a dúvidas crescentes de que seria capaz de obter um empréstimo bancário de 700 milhões de euros para substituir sua instalação atual de 1,4 bilhão de euros.

   A Rhodia se recusou a comentar se a questão dos direitos esteve envolvida nas suas negociações com os bancos, apesar de o executivo-chefe da empresa ter indicado ser contra a questão dos direitos ou conversão da dívida por ações.

   O Beiersdorf foi outro dos vencedores do dia, após o grupo alemão de produtos para cuidados da pele ter anunciado a recompra de 8,4 milhões de suas ações a um preço estimado entre 113 e 114 euros. A medida faz parte de um acordo acertado em outubro, que dá o controle do Beiersdorf para a Tchibo, o grupo de varejo. As ações subiram 2,1%, fechando a 97,15 euros.

Tradução: George El Khouri Andolfato

(© Financial Times)


UE-Parmalat: intervenção do governo italiano só junto a Comissão Européia  

   BRUXELAS - O porta-voz do Comissário da concorrência da União Européia Mario Monti disse hoje que se o governo italiano quiser intervir no caso da Parmalat o deverá fazer em estreita colaboração com a Comissão Européia.

   "Se as medidas urgentes devessem ser tomadas, continuou o porta-voz Tilman Lueder, então seguramente a Comissão as examinará com urgência. Estamos prontos a fazer a nossa parte o quanto antes".

   O porta-voz disse estar "confiante que todas as partes interessadas respeitem as obrigações que derivam dos tratados precisando que Bruxelas não tem preferências sobre o tipo de ajuda que o governo poderia oferecer".

   "Certamente a bancarrota não é uma solução preferida por nós. Existem outras linhas a serem seguidas para salvar e reestruturar as empresas que regulam a intervenção do Estado para a evitar, mas não é uma decisão da Comissão pois cabe aos acionistas e ao governo decidir sobre como proceder", disse Lueder.

   Segundo o porta-voz, "se o caminho escolhido é o de salvar a sociedade, existe um quadro regulamentar em base o qual a Comissão em cooperação com o governo nacional, irá avaliar as medidas tomadas".

   Lueder, precisando que, por enquanto é "prematuro fazer especulações" sobre o tipo de medidas que o antitrust da UE deverá examinar em quanto o governo italiano não tomou ainda uma decisão a respeito, respondendo as perguntas dos jornalistas, se limitou a lembrar que as regras européias consentem, no quadro das linhas guias para a reestruturação, a possibilidade de uma ajuda para o salvamento, sob a forma de empréstimo de curto prazo, que permite ajudar na reestruturação.

   Por sua vez, alguns nomes já foram inscritos no registro dos investigados pela justiça de Milão sobre o caso Parmalat, inclusive o ex-presidente do grupo, Calsito Tanzi, afastado pelo premier italiano Silvio Berlusconi.

   Por sua vez, Guarda de Finanças (polícia federal) continua trabalhando na documentação apreendida ontem na empresa de auditoria da Parmalat, Grand Thornton, que tem sede na capital lombarda, Milão. O governo italiano assegurou no sábado que intervirá para salvar a Parmalat, que está a beira de uma bancarrota, após a descoberta de um fraude de quase 4 bilhões de euros, afirmou Berlusconi.

(© Ansa - EuroSul)

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