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Amarelo Manga está no festival de
cinema latino-americano de Roma |
ROMA - O cinema latino-americano vem
conquistando admiradores na Itália. Em 31 de outubro, foi encerrado o
festival de Trieste; no último dia 2, outro
estreou em Roma, e depois seguirá para Bolonha e Gênova.
O Festival inclui filmes de toda a
América Latina, muitos deles premiados, como o brasileiro "O invasor",
de Beto Brant, melhor filme latino-americano do festival de Sundance em
2002, e o uruguaio "Whisky", de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll,
escolhido na sessão "Um certo olhar", em Cannes.
Essa é a segunda edição do festival
organizado pela Associação Cultural Labó, que pretende preencher uma
lacuna na cultura cinematográfica italiana, que ignora o que não é da
indústria local ou da onipresente produção hollywoodiana.
Os filmes brasileiros a serem exibidos
são: "O invasor", de Beto Brent, "Amarelo manga", de Claudio Assis,
"Contra todos", de Roberto Moreira, e o documentário "A margem da
imagem", de Evaldo Mocarzel e Maria Cecilia Loschiavo dos Santos.
Da Argentina foram selecionados "Los
guantes mágicos", de Martín Rejman, "Parapalos", de Ana Poliak, "PymE",
de Alejandro Malowicki, "Tan de repente", de Diego Lerman, e os
documentários "Los rubios", de Albertina Carri, e "El tren blanco", de
Nahuel García, Sheila Pérez Giménez e Ramiro García; da Colômbia, "La
primera noche", de Luis Alberto Restrepo; de Cuba, "Suite Habana", de
Fernando Pérez; do México, "La canción del pulque", de Everardo
González, e "Nicotina", de Hugo Rodríguez; do Uruguai, "Whisky", de Juan
Pablo Rebella e Pablo Stroll; e da Venezuela, "Amor en concreto" de
Franco de Peña.
(© ANSA)
DVD/CRÍTICA
Filme resume o universo de Luchino Visconti
TIAGO MATA MACHADO
CRÍTICO DA FOLHA
"Sou um realista no sentido
mais alto da palavra, sou um realista da alma humana": Luchino Visconti
bem que poderia ter se servido dessa resposta de Dostoiévski para
contra-atacar aqueles que o criticaram, quando do lançamento de "Noites
Brancas", por se afastar do neo-realismo.
Por longa data, esta foi
considerada uma de suas obras menores. Hoje, o adjetivo só se aplica se
nos restringirmos às dimensões da produção. De resto, essa espécie de
peça de câmara pode ser vista como síntese de seu estetismo visionário.
Na (ir)realidade de "Noites
Brancas" encontramos a plena expressão desse universo viscontiano em que
meios e objetos tendem a formar uma realidade autônoma e o belo a
constituir uma espécie de quarta dimensão da imagem.
Aqui, Visconti se deixou
atrair pelo contraste entre a irrealidade dos encontros noturnos entre
Marcello Mastroianni e Maria Schell e a realidade (o despertar
desagradável) dos seus dias.
Noites Brancas
Produção: França/Itália, 1957
Distribuidora: Versátil
(© Folha de S. Paulo)
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