|
AP
 |
|
A estátua do Davi foi mostrada para os cidadãos em 8 de
setembro de 1504 |
|
A mostra Formas de
Davi, com trabalhos de cinco artistas contemporâneos, faz um
contraponto e uma homenagem ao Davi de Michelângelo
Florença -
A galeria de
Florença onde está a escultura Davi, de Michelangelo, organizou uma
exposição especial para comemorar os 500 anos da obra, abrindo suas
portas para alguns artistas contemporâneos. O objetivo é dar vida nova a
uma cidade mais conhecida pelos seus mestres renascentistas. "Nós
queríamos colocar algo de arte contemporânea aos pés do Davi", disse
Antonio Paolucci, presidente dos museus de Florença, hoje, durante uma
entrevista coletiva.
A
mostra Formas de Davi será aberta hoje
e vai funcionar até 4 de setembro de 2005. Os trabalhos de cinco
artistas atuais foram colocados Madonnas da Renascença em uma sala
iluminada com luz natural, cujo centro é o Davi, que está brilhante após
passar por um restauro que removeu camadas de sujeira e poeira da obra.
Quando a estátua foi mostrada para os cidadãos em 8 de setembro de 1504,
foi rapidamente considerada uma obra-prima, uma descrição perfeita da
beleza masculina. Atualmente, a obra muitas vezes é sobreposta por seu
próprio mito. Com um vídeo, o artista norte-americano Robert Morris fez
piada com os clichês envolvendo o Davi - a estátua que deu origem há
centenas de lembrancinhas de lojas de presentes como bibelôs e ímãs de
geladeira. "É um objeto kitsch com certeza", ele disse. "Queria
desconstruí-lo. Por que ele é tão emblemático?". Sua obra é chamada
The Birthday Boy (O Aniversariante).
Em
uma sala escura, duas telas de vídeo mostram aulas, algumas pomposas,
sobre o retrato de Michelangelo sobre o herói bíblico que desafiou
Golias. Algumas observações são surreais. "Hoje, Davi pode conseguir
estrelar um comercial de cuecas da Calvin Klein", diz um professor.
O
artista britânico Georg Baselitz disse que, quando viu o Davi pela
primeira vez em 1965, não "se interessou muito". Para a mostra especial,
ele criou uma escultura, que está exposta na sombra de Davi, que retrata
uma perna e um queixo, que parecem ter sido esculpidas com um machado.
Jannis Kounellis, da Grécia, desenhou um labirinto feito de ferro em que
os visitantes podem caminhar. Em um canto, está uma pilha de carvão. À
primeira vista, a contribuição de Luciano Fabro, da Itália, não parece
ser muito mais que um cilindro enorme, um amontoado de pedras e uma
pilha de poeira sobre o solo. Mas o cilindro tem um estampa, e, quando
rolado sobre a poeira, forma a imagem de uma pessoa nua.
A
obra que pode ser considerada mais tocante para os visitantes é a do
fotógrafo Thomas Struth. Por cinco dias seguidos, ele ficou na Accademia
tirando fotos de turistas que admiravam o Davi. Três delas estão
expostas. Em uma delas, dois homens mais velhos olham para o David com
olhos admirados e de boca aberta. (AP)
(©
estadao.com.br)
|