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Damião, o brasileiro. Brilhando pela Itália

 30.08.2000

Aos 25 anos, com 2,05 m e natural de Campinas, ele será o único brasileiro a disputar o torneio masculino de basquete na Olimpíada. Mas como cidadão italiano. Marcelo Damião está participando dos últimos dias de treino da Itália para os Jogos de Sydney. Semana que vem, viaja para o Japão para a disputa de alguns amistosos e, dia 17, estará em quadra contra a Lituânia, na estréia da Azzurra nos Jogos.

Damião fez parte de uma história que revoltou os dirigentes brasileiros no início da década de 90. Foi um dos vários jogadores que, ainda garotos, foram contratados para jogar no basquete italiano. Na época, o então presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Renato Brito Cunha, classificou o fato como "tráfico" e pediu até a interferência da Federação Internacional de Basquete. Todos eles tinham mais de dois metros de altura e iam com a promessa de se naturalizar italianos. "Não conheço esses casos. Minha transferência não teve problema nenhum", desconversa Damião.

De Campinas para Bologna Damião jogava no Clube Campineiro de Regatas e tinha apenas 16 anos. Foi para a Itália com outros três jogadores do time e outro do Palmeiras. Todos direto para o Fortitudo Bologna. Fez um período de testes em julho de 1991 e voltou em definitivo em dezembro. "Foi ótimo para mim. Aqui pude me desenvolver como atleta e estudar muito", diz ele, sem demonstrar nenhum arrependimento pela escolha. Já no Bologna, ele tinha a obrigação de ir bem nos estudos para continuar podendo jogar no time. Hoje, é formado em Propaganda e Marketing, especialista em Gráfica Publicitária, além de ter diplomas de espanhol e italiano.

Marcelo pôde se naturalizar italiano porque seu avô nasceu lá. Na época, tinha a opção de continuar brasileiro e tentar futuras convocações para jogar pelo Brasil em competições internacionais. "O problema é que ninguém da Confederação Brasileira mostrou interesse em me oferecer um programa de treinamento para poder jogar pela Seleção futuramente. Na Itália, isso foi programado", diz ele, sem negar que continua com mágoa da CBB pela falta de interesse na época da sua transferência.

Na Seleção Já em 1993, Damião chegou à Seleção Italiana. Foi convocado para a disputa do Campeonato Europeu Infanto-Juvenil e iniciou carreira na equipe. Em 1998, disputou o Mundial da Grécia, quando a Itália terminou em sexto lugar. Era um dos reservas mais participativos do time, com média de 16 minutos por jogo em quadra. Também jogou na equipe que conquistou o título europeu no ano passado, na França. Para Sydney, acha que ninguém terá condições de bater o "Dream Team" norte-americano e acha que os italianos podem até chegar ao pódio. "De certa forma, estarei representando o basquete brasileiro lá. Ainda me sinto brasileiro", diz.

A Confederação Brasileira de Basquete diz que não pode evitar transferências de jogadores jovens para a Europa. Por meio da assessoria de imprensa, o presidente da CBB, Gerasime Bosikis, citou o caso de Tiago Spliter, de 15 anos, recém-transferido para o basquete espanhol. A CBB exigiu apenas um documento da Federação Espanhola garantindo que o atleta teria uma estrutura boa no clube em que fosse jogar e que seria liberado para todos os compromissos da Seleção Brasileira.

O técnico Hélio Rubens, que está na Venezuela com o Vasco, disse por telefone que só viu Marcelo em quadra uma vez, em um torneio sub-23. Falou que não se deve chorar sobre casos individuais e sim tentar fazer com que os atletas brasileiros prefiram ficar no Brasil a ir para a Europa. (André Amaral e Luís Augusto Simon, AE)

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