11.09.2000
Monza - O acidente que resultou na morte de um bombeiro que
trabalhava na pista deve apressar as reformas para a modernização do Circuito de Monza,
onde é disputado o Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1. Antes mesmo do acidente, o
dirigente Bernie Ecclestone, que controla a categoria através da Formula One
Administration (FOA), deu um ultimato aos responsáveis pelo circuito sobre a necessidade
da modernização do autódromo.
Ecclestone teria ameaçado até excluir a corrida, uma das mais tradicionais da
Fórmula 1, da próxima temporada caso as melhorias não sejam realizadas.
O dirigente fez a advertência numa reunião com o ministro do Interior da Itália,
Enzo Bianco, e o governador da Lombardia, Roberto Formigoni. Segundo Ecclestone, os
espaços em Monza são inadeqüados, ainda mais com a entrada da equipe Toyota e dos
fabricantes de pneus Bridgestone e Michelin. O dirigente disse ainda que os ingressos para
o GP da Itália são os mais caros da Fórmula 1.
Para o governo italiano, não há risco de a prova ser excluída do calendário, já
que as reformas estão garantidas. Não há motivos para não fazer estas mudanças
porque Monza é um pedaço da história esportiva italiana, garantiu o ministro
Bianco. (AE)
11.09.2000
Frentzen culpa Barrichello por acidente
que matou bombeiro
O alemão Heinz-Harald Frentzen, considerado o responsável pelo grande acidente
que envolveu cinco pilotos na variante Roggia e que matou um bombeiro que trabalhava na
pista, na primeira volta do GP da Itália, tentou se desculpar, afirmando que o brasileiro
Rubens Barrichello antecipou a freada, e com isso provocou o acidente.
"Tentei alcançar Barrichello, mas ele brecou muito cedo. Não tive como desviar e
acabei acertando-o. Alguém também me tocou por trás", desculpou-se o alemão.
Barrichello já havia criticado duramente Frentzen e pediu punição exemplar ao piloto da
Jordan.
O acidente deste domingo provocou a morte do fiscal italiano Paolo Gisliberti, de 33 anos
e um dos responsáveis pelo acionamento dos extintores de incêndio na variante Roggia.
Paolo não resistiu aos ferimentos causados pelo choque de uma roda contra sua cabeça e
acabou morrendo em conseqüência de um traumatismo craniano. A nota oficial da morte de
Paolo foi impressa junto com o comunicado da cruz vermelha italiana.
O procurador Salvatore Bellomo, de Monza, decidiu sequestrar cinco carros envolvidos no
acidente. Os carros são os Jordan de Frentzen e Trulli, a Ferrari de Barrichello, o
Arrows de De La Rosa e o McLaren de Coulthard.
Será aberto um inquérito para apurar as causas do acidente que matou Ghislimberti.
O piloto escocês David Coulthard, da McLaren, e que também se envolveu no acidente,
disse que já esparava por uma confusão na primeira volta. O piloto da McLaren referiu-se
às mudanças feitas nas duas primeiras chicanes de Monza, que ficaram mais estreitas e
difíceis.
"A batida já era esperada. Ela só aconteceu uma curva depois. Eu estava na parte de
dentro, me defendendo de Trulli, quando Frentzen nos espremeu. Ele parecia uma
sanfona", criticou Coulthard.
O francês Jean Todt, diretor-técnico da Ferrari, lamentou profundamente o ocorrido e,
sem demonstrar euforia com a vitória de Michael Schumacher, homenageou o fiscal italiano.
"Estou muito chateado pelo que aconteceu. Sem essas pessoas, o automobilismo
esportivo não existe. Dedico esta vitória a ele. Fiquei chateado, também, com o
acidente de Rubens, que foi claramente tocado por trás", declarou Todt. (L!
Sportpress)
Bombeiro
morto era pai de um recém-nascido
A vida do bombeiro italiano Paolo Ginslimberti terminou
subitamente após o grande acidente provocado por Heinz-Harald Frentzen (Jordan) na
primeira volta do Grande Prêmio da Itália, no autódromo de Monza.
Com 33 anos, Ginslimberti era casado desde 1998 e pai de um recém- nascido. O italiano
de Trento (norte do país), era bombeiro de profissão e trabalhava pelo terceiro ano
consecutivo como voluntário no GP da Itália. As informações são da Radio Capital,
de Roma.
O bombeiro foi atingido por um pneu na curva Roggia, na primeira volta da prova neste
domingo, morreu vítima de traumatismo craniano. Ele ainda chegou a ser atendido e recebeu
massagem de reanimação cardíaca. Foi levado ao pronto-socorro do autódromo, mas seu
estado era grave e acabou não resistindo. |
11.09.2000
Schumacher garante a festa italiana
Monza - A
Ferrari pode finalmente ser campeã depois de 21 anos. Michael Schumacher venceu de forma
emocionante neste domingo o 71º GP da Itália, no circuito de Monza, lotado, e ficou a
apenas dois pontos de Mika Hakkinen - segundo hoje -, na classificação do Mundial.
Schumacher chorou convulsivamente durante a entrevista coletiva quando lhe perguntaram
sobre o fato de igualar a marca de Ayrton Senna em número de vitórias, 41. A corrida foi
trágica. O comissário de pista Paolo Ghislimberti faleceu ao ser atingido por um pneu do
carro de Pedro de la Rosa, da Arrows, envolvido num acidente logo depois da largada.
Para quem gosta de automobilismo, como os italianos, não pode haver festa maior que
invadir a pista de Monza e tomar um banho de champanhe vinda de um piloto da Ferrari no
pódio, de preferência como vencedor. "Essa conquista é muito importante para mim,
não só por estar na Itália" declarou um místico Schumacher. "Senti-me hoje
muito mais próximo do povo que em 1998, quando também ganhei aqui", disse.
"Nas últimas corridas não conseguimos acompanhar nossos adversários, ao passo que
hoje retomamos nosso ritmo e, mais importante, tenho certeza de que será assim nas três
corridas finais", afirmou o alemão.
Quem trabalha na F-1 já viu Schumacher comovido, como por exemplo na conquista do seu
primeiro título, em Adelaide, na Austrália, em 1994. Ou no ano seguinte, em Aida, no
Japão, no bicampeonato. Mas no máximo seus olhos marejaram e por pouco tempo. Neste
domingo foi diferente. Em dez anos de carreira na F-1, nunca ele havia deixado a emoção
tomar conta si.
Quando lhe perguntaram o que significava igualar a marca de Senna, ele abaixou a
cabeça, solicitou outra pergunta em que o entrevistador não teve nem mesmo tempo de
fazê-la. O alemão, de 31 anos, começou a chorar de tal forma a ponto se constranger e
emocionar a todos também. Mika Hakkinen e Ralf Schumacher, seu irmão, terceiro colocado,
não sabiam o que fazer, se respondiam às perguntas ou procuravam acudir Schumacher, que
não conseguia se controlar. Mais tarde, em outra situação, com o piloto da Ferrari mais
em si, a mesma pergunta lhe foi feita.
"Vocês têm de compreender que nem tudo que nos perguntam tem necessariamente uma
resposta", declarou, com educação. Ele pediu desculpas aos outros pilotos se por
ventura os atrapalhou com o ritmo imposto na volta que antecedeu a saída do safety car da
pista, a 12.ª . "A temperatura dos pneus e dos freios caiu muito e eu precisava
acelerar e brecar para elevá-la." Como não tinha como comunicar aos colegas,
contou, é possível que alguém não o compreendesse. "Penso que foi por isso que
Jenson Button acabou saindo da pista, devo pedir-lhe desculpas."
A aproximação de Hakkinen nas voltas finais não causou preocupação. "Eu
passei a trabalhar com um regime um pouco mais baixo de giros no motor para
preservá-lo." A etapa seguinte da temporada, a 15ª e antepenúltima, será dia 24
no circuito de Indianapolis, em uma pista mista, travada, criada dentro da área do oval
mais famoso do mundo. "Estou ansioso, desejo ver de perto o que foi feito lá, quanto
às minhas chances, diria que agora são muito boas", falou. "Nunca tive
problemas para me adaptar a circuitos novos do calendário."
Com os dez pontos de hoje, Schumacher foi a 78 pontos, diante de 80 de Hakkinen. O
finlandês admitiu que não havia como sua McLaren acompanhar a Ferrari. "Eles
contaram com uma pequena vantagem, o suficiente para vencer." A luta pelo título se
restringirá aos dois nas provas dos Estados Unidos, Japão e Malásia.
Rubens Barrichello, companheiro do alemão, e David Coulthard, de Hakkinen, ficaram de
fora ainda na primeira volta do GP da Itália, num acidente causado por Heinz-Harald
Frentzen, da Jordan. A prova teve, além de Schumacher, outro grande destaque, o
brasileiro Ricardo Zonta, da BAR, em que mesmo largando em 17º, parando três vezes nos
boxes, classificou-se em sexto. O resultado pode ajudá-lo a definir seu futuro na F-1.
Pedro Paulo Diniz, da Sauber, concluiu a prova em oitavo. (Livio Oricchio, AE) |