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Documentário exibido em Veneza relembra Federico Fellini

06.09.2000

Federico Fellini (1920-1993) está de volta. Um delicioso documentário o devolve à vida. É "Fellini Raconta: Un Autoritratto Ritrovato" (Fellini Conta: Um Auto-Retrato Reencontrado), realizado por Paquito del Bosco a partir do material de arquivo, radiofônico e televisivo, da RAI.

Com pouco mais de uma hora, o filme foi lançado hoje como programa especial da mostra de Veneza. Quase vinte e cinco anos da vida de Fellini é reconstituída a partir de suas entrevistas.

O arco se abre com um depoimento para rádio durante as filmagens de "O Sheik Branco" (1952), seu segundo filme, e encerra-se com Fellini ironizando a vibração do repórter que o indaga sobre seu Oscar por "Amarcord" (1974).

Quase todo o material é em preto e branco. A isolada exceção é um trecho colorido do documentário "Block Notes di Um Regista" (Notas de Um Diretor, 1969).

Este extrato a cores traz imagens extraordinária de "Viaggio di Mastorna" (A Viagem de Mastorna), a produção abandonada pelo cineasta no final dos anos 60. Seu tradicional parceiro, Marcelo Mastroianni, faria o músico Mastorna, que desembarca numa cidade desconhecida. O tradicional onirismo felliniano marca o trecho exibido.

Uma das curiosas reportagens traz Ingmar Bergman e Fellini anunciando um projeto conjunto jamais realizado. Bergman afirma: "Nossos mundos são muito distantes mas o considero como irmão".

Sempre irônico, Fellini jamais cede aos pedidos de declarações de cátedra. Fica sério apenas para dirigir-se ao jovens cineastas. "Façam bons filmes. Falem de vocês mesmos". Assim falou Fellini. (Amir Labaki, FolhaOnline)

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