14.08.2000
Em 1889, após se mudar para o
interior da Bahia, o italiano Giuseppe Vita transferiu-se para Salvador, onde iniciou o
caminho que o transformaria no fabricante de um dos mais belos cristais já realizados no
Brasil. De produtor de vinhos, licores e refrigerantes, que precisava importar suas
garrafas, ele acabou descobrindo as qualidades do cristal de rocha, com altos teores de
potássio e chumbo, encontrados em Cruz das Almas, e produziu as belas peças que podem
ser vistas a partir de hoje na mostra O Esplendor do Vidro. |
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Além da impressionante
sonoridade, o grande mérito das peças fabricadas por Giuseppe e seu irmão (daí o nome
Fratelli Vita) é o fato de serem totalmente artesanais. Cada peça era soprada
individualmente e os motivos gravados manualmente, usando um torno - com exceção de uma
série cujos motivos foram gravados com ácido. Para mostrar como se dá o processo, foi
trazido a São Paulo um dos opérarios da fábrica, que começou a trabalhar com os Vitas
aos 10 anos.
Os mais de 500 cálices, compoteiras, copos,
garrafas e outros cristais que compõem a mostra foram cedidos por um dos netos de
Giuseppe e representam de forma bastante ampla o trabalho desenvolvido pela Fratelli Vita
entre 1920 e 1962, quando teve de fechar as portas por não ter conseguido sobreviver à
concorrência dos cristais realizados industrialmente. Entre eles estão exemplos dos 11
padrões característicos da fábrica, como o Diplomata e o Brasília, última criação
dos Vitas, feita para o Palácio do Planalto durante o governo de Juscelino Kubitschek,
que não foi adotado. (M.H., AE)
Serviço
O Esplendor do Vidro. De terça a domingo, das 10
às 18 horas. R$ 5,00 e R$ 2,00 (5ª, grátis). Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2,
tel. 229-9844. Até 29/10. |