Encabeçado pelo lutiê Saulo Dantas-Barreto,
presidente da Associação Brasileira de Luteria, um time de nove artistas vai expor seus
trabalhos na prefeitura da cidade.
O destaque da exposição é o violino Brasil 500, construído por Dantas-Barreto a
pedido do artista Antônio Nóbrega. "É um violino construído a partir de técnicas
barrocas, que tem também inscrições e desenhos, de Dante Suassuna, que procuram
simbolizar os nossos 500 anos de história", indica o lutiê, que tem no currículo a
reprodução de uma harpa Stradivarius, de 1681, feita a partir do úncio exemplar
existente do instrumento, que está guardado no Conservatório San Pietro a Majella, de
Nápoles. O original e a reprodução são propriedades oficiais do governo italiano.
Outra conquista que é motivo de orgulho para Dantas-Barreto, estudante de violino
baiano que deixou o País para se dedicar à arte de construir instrumentos, foi a
confecção de um quarteto de cordas especial, o "Quarteto Real", que foi
entregue à família real espanhola. "Construir um quarteto é algo bastante
complicado: não se trata apenas de fazer quatro instrumentos, mas de compô-los de modo
integrado para que possam soar juntos adequadamente."
Dantas-Barreto, que após mais de dez anos na Itália está voltando ao Brasil para
montar um ateliê, acredita no caráter pioneiro do trabalho dos artistas que estarão
expondo em Cremona. "É uma verdadeira expedição de lutiês e construtores de arcos
que querem mostrar a qualidade de seu trabalho e do artista brasileiro."
Além dele, estarão na exposição Antônio Tessarim (um violão), Carlos Jorge de
Oliveira (dois violinos), Ivan Guimarães, Hélcio Fomin e Daniel Lombardi (arcos), Nilton
de Camargo (uma viola), João Batista (um cavaquinho) e Rafael Sando (dois violinos).
(J.L.S., AE).