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Mostra exibe marcas na `nostra' medicina

     Além da forte influência na cultura de São Paulo, com sua culinária e seus costumes, os italianos estiveram presentes também na história da medicina do Estado. Vários institutos de pesquisa e até a Faculdade de Medicina da USP foram criados com a ajuda de médicos italianos, que chegaram ao País para ensinar e também combater epidemias.

     Esta história agora está sendo resgatada com a exposição Médicos Italianos em São Paulo, que começa na sexta-feira e segue até o dia 24 de setembro, no Memorial do Imigrante. A mostra conta com o apoio da Fundação Médico Cultural de Gastroenterologia e Nutrição (Fugesp) e do Museu Histórico da Faculdade de Medicina da USP.

      Abrangendo um período que vai do século passado até a década de 70, serão expostos instrumentos cirúrgicos, painéis, documentos e objetos, além de um laboratório, um consultório e uma sala de aula de anatomia dos anos 30 que foram remontadas para a visitação.

     Muitos dos objetos foram cedidos pelo acervo do Museu da Faculdade de Medicina da USP, liberados pelo professor emérito da universidade, Carlos da Silva Lacaz. A pediatra Ester Laudanna foi uma das organizadoras da exposição, idéia que partiu do também médico e seu marido, Antônio Laudanna.

      "A mostra veio de uma necessidade de homenagear os médicos italianos que vieram para o Brasil e com seu espírito unificador criaram vários institutos, que, pode-se dizer, deram origem a Faculdade de Medicina da USP em 1912."

  Epidemais e carreiras

      São destaques da exposição as ações de Líbero Badaró, que, além de sua atuação política como jornalista, foi o pioneiro no tratamento de infectados pela varíola e Antônio Carine, um dos fundadores e primeiro diretor do Instituto Pasteur.

      Segundo a curadora Berta Ricardo de Mazzieri, também é possível conhecer a primeira geração de médicos formados em São Paulo, alunos dos pesquisadores e professores vindos da Itália.

      Muitos desses teriam vindo ao País apenas para lecionar como convidados e acabaram fixando-se no Brasil. Pesquisa feita pelos organizadores da exposição descobriu que entre 1890 e 1910, 250 médicos italianos chegaram ao Estado de São Paulo. "A ação destes médicos nas epidemias de peste bubônica e febre amarela foram muito importantes, além da criação de hospitais como o Humberto Primeiro e Hospital de Caridade do Brás (ambos não existem mais)", relata Berta.

     Esses mesmos médicos também foram responsáveis pela criação da Sociedade Médica de São Paulo, em 1895, além de também atuarem no interior do Estado.

     Entre os doutores formados na chamada primeira geração e que fazem parte da exposição estão Flamínio Fávero, que participou da elaboração da Medicina Legal e do Trabalho no País, e o professor Euríclydes de Jesus Zerbini, pioneiro nos transplantes de coração no Brasil. (Estadão, 02.08.2000)


Serviço

Médicos Italianos em São Paulo' - Museu da Imigração (Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, Brás, tel.: 6692-2992). De sexta-feira (04/08) até 24 de setembro. De terça a domingo, das 10 h às 17 h . Entrada R$ 1. Maiores de 60 anos e crianças até 10 anos não pagam.


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