| Pintor cearense radicado na Itália expõe
em Fortaleza |
11.09.2000
N ão sei quando, deve ter mais de ano, mas as imagens das obras
de Bruno Pedrosa ainda estão em minha mente. O lugar da exposição eu sei. Foi na
galeria Ignêz Fiúza. Eram mais de uma dezena de desenhos como que um exercício sobre um
mesmo tema: naturezas mortas. Tinha algo de programa, de quebra cabeça e muita
competência técnica na realização. Creio que a palavra certa para definir o que chamou
a minha atenção e tocou a minha mente é rigor. A execução mostrava um rigor que só
se encontra nos artistas de grande competência profissional. Senti que estava diante de
trabalhos de um artista em sua maturidade.
Lembro que, no momento, fui buscar lembranças de outros contatos com obras de Pedrosa.
Desenhos que tinham como tema a arquitetura barroca, mais precisamente cenas da cidade de
Ouro Preto, em Minas Gerais, e, não tenho certeza, cenas de claustro. Depois vi trabalhos
de Pedrosa já abstratos, numa sala especial de algum Salão de Abril. A sua arte havia
sofrido um substancial salto na qualidade conceitual. Era uma espécie de expressionismo
abstrato, onde a linguagem, a aplicação da tinta e a cor, tudo era elaborado e feito com
a costumeira competência técnica.
Atualmente, os desenhos e as pinturas de Bruno Pedrosa remetem a uma experiência cubista,
aparentemente eles têm algo de Picasso, Braque e outros mestres modernos. Mas, numa
observação mais aprofundada, pode-se perceber que o seu trabalho, apesar de utilizar de
recursos técnicos também empregados por artistas cubistas, como a sobreposição de
planos e formas, não têm as preocupações intelectuais dos cubistas. A sua pintura
nunca é uma ``tradução'' do mundo exterior. Se aqui ou acolá pensamos reconhecer algum
elemento, essa tradução não é fator importante na leitura de suas obras. Em suas
pinturas apenas as cores em suas relações e a matéria têm importância. No seu
desenho, apenas o equilíbrio dos traços, as tramas e divisões de espaço dão sentido a
obra. Pedrosa é um artista não figurativo, o seu trabalho não se apoia no
reconhecimento ou decodificação de formas. Como diz o crítico americano Lincoln
Edelman, ``a felicidade da invenção pictórica, o gosto pela matéria, a sensualidade
que faz vibrar as cores potenciadas no seu significado simbólico, o refinamento do
traço, a solidez das fundações construtivas'' são os elementos essenciais e
fundamentais que caracterizam a personalidade de Pedrosa.
Pedrosa é cearense de Cedro (não sei porque a minha mente associa o seu nome a Lavras),
morou no Rio de Janeiro onde estudou na Belas Artes e correu o mundo, América do Sul, do
Norte e Europa. Desde 1990, reside e desenvolve o seu trabalho no norte da Itália. Ligado
a galerias de Veneza, distribui o seu trabalho, além da Itália, em vários países
europeus, Estados Unidos e Japão.
No próximo dia 20, na galeria Ignêz Fiúza, representante do artista em Fortaleza,
teremos mais uma exposição de Pedrosa, onde poderemos ver preciosas esculturas em
cristal de Murano e jóias em ouro e prata. (Roberto Galvão, O Povo) |
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