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Um Certo Ponto de Vista - Pietro Maria Bardi (1900-1999)

 14.08.2000


A exposição Um Certo Ponto de Vista fecha com chave de ouro o ciclo de homenagens prestadas pelos museus paulistas a Pietro Maria Bardi (1900-1999) em seu centenário de nascimento. Como Bardi viveu por quase um século, as comemorações em torno do que seria seu centésimo aniversário acabaram ocorrendo poucos meses após sua morte, dando ainda maior destaque às mostras organizadas pelo Masp, Museu Lasar Segall, Memorial da América Latina e agora pela Pinacoteca do Estado.

A forma encontrada por Emanoel Araújo para lembrar a importância do criador do Masp para a cultura nacional foi buscar nas obras escritas pelo curador, crítico e marchand e na coleção pessoal dele e da mulher, Lina Bo Bardi, as linhas condutoras da mostra. As centenas de peças que compõem a mostra foram, desta forma, organizadas em torno de dois pólos principais: as artes italiana e brasileira.

Personagem fascinante, Bardi nem chegou a completar o primário, mas conseguiu tornar-se um jornalista respeitado e um dos galeristas de maior renome na Itália. Ele foi simpatizante de Mussolini, mas abandonou a Itália aos 46 anos para recomeçar a vida no Brasil. Veio a convite de Assis Chateaubriand e com ele conseguiu criar uma das mais ricas coleções de arte da América Latina.

No segmento italiano estão obras fascinantes, que pertencem à Fundação Lina Bo e Pietro Maria Bardi, como uma Alegoria da América, pintada em 1590, e uma pintura sobre madeira de 1526, que mostra uma cena curiosamente informal, cotidiana e movimentada. Nela se vêem operários construindo um prédio e um deles está despencando. A religião ocupa um papel secundário, representada pela figura angelical que aparece no canto superior direito.

A trajetória brasileira de Bardi, obviamente, tem uma importância maior, estando representada não apenas pelos trabalhos que admirava (há um núcleo importante de obras modernistas e de arte sacra brasileira) ou por obras de sua coleção particular, mas também pelos painéis fotobiográficos e pelas montagens reunindo objetos que remetem aos temas tratados por Bardi em suas publicações.

Há na exposição, por exemplo, fascinantes instalações feitas com propagandas antigas, instrumentos de marcenaria e até ferros de marcar boi. "Trata-se de uma exposição muito afetiva", afirma Araújo. Não por acaso o coração do evento é uma salinha onde estão reunidos elementos muito íntimos desse homem de várias faces.

Nela estão reunidos desde um tigre bastante kitch que Lina Bo costuma chamar de "retrato do professor Bardi" até uma série de gravuras feitas pelo professor. Para integrar à mostra o restante das atividades organizadas pela Pinacoteca, Emanoel Araújo optou por abrir a mostra com a bela escultura Leda, de Lélio Coluccini. (M.H., AE)

Serviço

Um Certo Ponto de Vista. De terça a domingo, das 10 às 18 horas. R$ 5,00 e R$ 2,00 (5ª, grátis). Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, tel. 229-9844. Até 29/10.

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