30.08.2000
Os problemas envolvendo jogadores, dirigentes, técnicos e a
Receita Federal não são um "privilégio" do futebol brasileiro. Na Itália, o
assunto de sonegação de impostos também é muito polêmico. Os casos mais complicados e
nebulosos aconteceram no recente mercado de transferências de jogadores.
A suspeita mais discutida foi o contrato de Batistuta com a
Roma. O clube anunciou na imprensa que pagaria R$ 10,1 milhões/ano de salários ao
atacante argentino. Mas, na Federação Italiana de Futebol, a Roma registrou salários de
R$ 12,5 milhões. A diferença entre o registro oficial e o divulgado pelo clube despertou
a suspeita.
O ministro das Finanças da Itália, Ottaviano del Turco,
considerou no mínimo estranha a diferença e prometeu apurar as causas que levam os
clubes a anunciar o valor de um contrato na imprensa e registrar outro mais alto na
Federação.
A desconfiança é de que clubes e jogadores anunciam valores
inferiores para sonegar impostos. Del Turco comentou que está preocupado com essa
prática e promete uma investigação rigorosa.
No futebol brasileiro, são comuns os acordos entre
dirigentes e jogadores. O dirigente oferece R$ 50 mil, por exemplo, mas paga R$ 100 mil. A
diferença de R$ 50 mil é o que o atleta recebe "por fora". Quando o jogador
vai declarar seus rendimentos na Receita Federal, declara apenas os R$ 50 mil do contrato
oficial com o clube.
Não por acaso, a Receita está investigando jogadores,
treinadores, dirigentes e empresários ligados ao futebol. O caso Luxemburgo-Fisco é
apenas uma ponta do imenso iceberg. Na Europa, a sonegação também é uma suspeita que
pode provocar um escândalo sem precedentes. (Cosme Rímoli e Luiz Antônio Prósper, AE) |