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Veneza acerta no principal, mas comete injustiça

11.09.2000

Não houve grandes supresas. Como até os pombos da Praça São Marcos pareciam saber, Dayereh (O Círculo), de Jafar Panahi, foi o grande vencedor da 57ª edição do Festival de Cinema de Veneza, um dos três principais eventos mundiais do gênero. Não há o que discutir: foi uma premiação merecida, que destacou o valor de uma obra madura, bem estruturada do ponto de vista cinematográfico e empenhada socialmente.

Vencedor de Veneza

VENEZA - Não houve grandes supresas. Como até os pombos da Praça São Marcos pareciam saber, Dayereh (O Círculo), de Jafar Panahi, foi o grande vencedor da 57ª edição do Festival de Cinema de Veneza, um dos três principais eventos mundiais do gênero. Não há o que discutir: foi uma premiação merecida, que destacou o valor de uma obra madura, bem estruturada do ponto de vista cinematográfico e empenhada socialmente.

O filme, cruzando as trajetórias de nove personagens, traça um painel contundente da posição subalterna da mulher na sociedade iraniana. Ao receber o prêmio, Panahi (já conhecido no Brasil por trabalhos como O Balão Branco e O Espelho) o dedicou às "pessoas boas" do seu país. Com isso, talvez, querendo dizer que nem toda a população iraniana seja composta por gente de índole amigável. Especialmente quem habita o poder e permite que se mantenham os fatos que ele denuncia no filme.

Se o prêmio principal foi merecido, outros parecem mais duvidosos. Por exemplo, dar o troféu de direção ao indiano Buddhadeb Dasgupta, de Uttara, parece nada menos que uma excentricidade. O filme até que tem seu interesse, ao apresentar uma realidade bem desconhecida do interior do país.

No entanto, na costura das suas linhas de ação, o que falta, justamente, é direção e senso de coesão interna. A mesma coisa se pode dizer de Before Night Falls, de Julian Schnabel, duplamente premiado e talvez em excesso. Levou o troféu de ator, com Javier Bardem, e um exagerado prêmio especial do júri. Nada a discutir quanto a Bardem, realmente um ator empenhado e em papel difícil - acostumado a viver machões nos filmes de Bigas Luna, agora interpreta um homossexual, o escritor cubano Reinaldo Arenas, perseguido pelo governo de Fidel Castro.

Pode-se conjecturar que prêmio especial do júri talvez ficasse melhor nas mãos de um veterano, como Manoel de Oliveira, de Palavra E Utopia. Afinal, seu trabalho, poético mais que biográfico, do padre Antônio Vieira, é de extrema relevância numa época de desvalorização da palavra. O filme tem também as interpretações marcantes de Luiz Miguel Cintra e Lima Duarte, que vivem o sacerdote em fases diferentes da sua vida.

O brasileiro, em particular, chegou a ser cogitado para a Coppa Volpi de interpretação masculina. Mas, deve-se admitir, o trabalho de Bardem é mesmo mais completo. O júri poderia ter lembrado também de premiar a ousadia de A Ilha, do coreano Ki-duk Kim. Ou o painel político de Zhantai, do chinês Jia Zhandke, que cobre, com muita agudeza, dez anos da história recente do seu país.

O principal representante italiano, I Cento Passi, de Marco Tulio Giordana, que regressa ao cinema político com muita energia, contando a história de resistência de um jovem siciliano contra a Máfia, poderia, talvez, ter merecido premiação mais consistente. Giordana teve de se contentar com um prêmio de roteiro. Importante, sem dúvida, mas que talvez esteja ainda um degrau abaixo do que merecia, levando-se em conta sua relevância para um fato da história recente da Itália, o assassinato do jovem Peppino Impastato pela Máfia, em 1978. Foi o filme mais aplaudido de todo o festival. Os outros representantes do país, Denti, La Lingua del Santo e Il Partigiano Johnny dividiram opiniões.

No começo do festival, achava-se que a participação italiana seria desastrosa, porque os grandes mestres, como Ettore Scola e Mario Monicelli, tinham ficado de fora. Ou porque não queriam concorrer, ou porque seus filmes não haviam ficado prontos a tempo. Mas não foi assim. Até que a Itália não fez má figura, mas o único que tinha realmente perfil de festival - e de vencedor - era o trabalho de Giordana. Acabou não emplacando.

Um prêmio que não deve provocar polêmica é o de melhor atriz para Rose Byrne, do australiano The Goddess of 1967. Ela é nunca menos que brilhante ao fazer uma garota cega que embarca numa viagem das mais estranhas pelo interior da Austrália, em companhia de um japonês. O filme poderá ser conferido em breve pelo público brasileiro, pois foi comprado pela distribuidora Imovision.

Se houve erros, esses aconteceram nos detalhes, pois a premiação de Panahi é muito importante. Há muito se diz que o cinema iraniano moderno tem suas fontes no realismo italiano. Trabalha (mas nem sempre) com atores não profissionais, faz da gente do povo o centro da ação dramática e, sobretudo, fala de tramas coletivas, que dizem respeito a toda uma nação. "Procuro, no meu cinema, retratar as pequenas coisas da vida", disse Panahi na entrevista que se seguiu à premiação, que teve lugar no Palazzo del Cinema, no Lido veneziano.

De fato, são pessoas simples, sem nada demais, sem glamour nem acontecimentos excepcionais em suas existências. No caso de O Círculo, no entanto, Panahi se debruça sobre aquela parcela da população mais discriminada e sofredora da cultura de que faz parte: as mulheres. Nove mulheres, uma das quais nem sequer aparece na tela. O filme começa com sons de um parto. Uma mulher gemendo, sendo consolada por outras, depois o choro de um bebê. Em seguida, a mãe dela, perguntando às enfermeiras pelo sexo da criança. Menina, lhe dizem. Ela não se conforma. Diz que a ultrassonografia tinha dado que era do sexo masculino. Tinha sido um erro, lhe dizem. Ela fica desconsolada. Diz que talvez a filha tenha de se separar, porque a família do marido já tinha se acostumado à idéia de que a filha teria um filho homem. Ou seja, ser mulher, no Irã, é uma maldição desde o nascimento.

Jafar Panahi contou que a idéia para o filme lhe veio de duas fontes. A primeira: ficou impressionado com uma notícia de jornal contando que uma mulher havia se suicidado depois de ter matado as duas filhas pequenas. A segunda foi uma experiência pessoal. Quando sua mulher teve bebê, a mãe do cineasta veio lhe trazer a notícia. Chegou com cara de enterro e Panahi preparou-se para o pior. Pensou que ou a mulher ou a criança tinha morrido.

Nada disso. Simplesmente sua mulher tivera uma menina. Para falar da condição feminina, Panahi segue algumas trajetórias pessoais. Por exemplo, três presidiárias que conseguem uma permissão especial para o fim de semana, mas não sabem o que fazer da liberdade recém-adquirida. Como não estão acompanhadas de um homem, não podem tomar um ônibus sozinhas, ou mesmo fumar um cigarro na rua. As vidas vão se cruzando, como se o drama de uma remetesse ao drama de outra.

Uma delas procura abandonar a filhinha pequena porque não pode criá-la direito. Outra conta que o marido foi executado pelo regime. No último encontro que tiveram, ela ficou grávida. Agora tenta abortar porque não vai poder criar o filho sozinha. Há aquela que aceita que o marido tenha uma amante porque está ficando velha. E assim por diante. A ação é circular. Começa no nascimento com a tela escura, depois o que se vêem são as grades de uma prisão e, no fim, novamente vê-se o presídio.

Tocante - Como se as mulheres saíssem da prisão apenas para entrar em outra prisão, maior, o país inteiro, no qual são pessoas sem cidadania. Um filme tocante. É curioso como mais que qualquer outra cinematografia do mundo, a iraniana seja aquela que com mais propriedade consiga tocar o nervo da realidade social.

Enfim, O Círculo venceu, com méritos, e folga, um festival de nível apenas médio. Veneza, este ano, privilegiou mais uma vez a quantidade sobre a qualidade. Foram muitos filmes na programação (foram 20 apenas na competição de longas e mais de 160 no total), mas poucos que terão lugar duradouro na história do cinema. Já se fala, para o ano que vem, em uma curadoria mais seletiva.

Festivais servem não apenas para indicar premiados e derrotados. Deveriam servir, principalmente, para que se tome o pulso de um momento específico da cinematografia mundial. E o panorama apresentando por Veneza não parece dos mais animadores. Com exceção do vencedor, I Cento Passi, Palavra E Utopia, Zhantai e poucos outros, o quadro chega a ser desolador, considerando-se que Veneza é um festival de ponto, no qual todo mundo quer concorrer, etc.

A ousadia e o experimentalismo estiveram ausentes. Quando a ousadia apareceu foi na forma do mau gosto apelativo do português Fantasma, por exemplo. Mesmo os filmes políticos, como I Cento Passi e Partigiano Johnny, ambos italianos, padecem da ausência de uma chama interior. Enfim, num mundo desencantado, o cinema, em geral, se apresenta de maneira abúlica. Espera-se que haja recuperação, tanto para um como para outro. (Luiz Zanin Oricchio, AE)


Veneza premia excluídos


11.09.2000

VENEZA, Itália - O júri do 57° Festival de Veneza, que se encerrou sábado à noite, mirou no cinema de cunho político-social e não deixou quase nenhum continente do globo do lado de fora da premiação. Ainda mostrando sua força entre as cinematografias emergentes, o Irã largou na frente da festa e faturou o Leão de Ouro de melhor filme com Dayereh (O círculo), de Jafar Panahi, cotadíssimo para a estatueta pela coragem e inventividade com que aborda o tema da condição feminina no país através do retrato de oito mulheres. O Prêmio Especial do Júri, um honroso segundo lugar, ficou com a produção (independente) americana Before night falls, de Julian Schnabel, cinebiografia do poeta cubano gay Reinaldo Arenas, perseguido político e sexual do governo de Fidel Castro. O filme também faturou a Copa Volpi de melhor ator, entregue ao favorito Javier Bardem.

As estatuetas foram entregues em cerimônia enxuta, um pouco confusa e minimalista - apenas microfones de pé e um telão enchiam o palco da Sala Grande do Palácio do Festival, no Lido. Poucas palavras marcaram os discursos de agradecimento. Panahi, que já confirmou a exibição de Dayereh na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em novembro, foi um dos raros generosos com a palavra. Emocionado, lembrou que o Leão de Ouro chegou num momento muito significativo para a cultura iraniana. "Sou um cineasta e posso dizer que esse Leão de Ouro chegou em boa hora, porque dentro de alguns dias estaremos comemorando no meu país os cem anos do cinema iraniano", lembrou o diretor, que já emocionou o público brasileiro com filmes como O balão branco.

"O Irã é um país antigo, dono de uma cultura milenar, povoado de pessoas que amam a vida. Dedico esta estatueta a todos aqueles em meu país que contribuíram para engrandecer a história do cinema iraniano", disse ainda o diretor. Dayereh também foi eleito o melhor filme pela Fipresci, entidade internacional de críticos, e ganhou uma menção especial da Organização Católica Internacional do Cinema e Audiovisual (Ocic).

O diretor tcheco radicado nos Estados Unidos Milos Forman, presidente do júri oficial, disse que ele e seus colegas de colegiado ficaram impressionados "com a diversidade de filmes exibidos, de diferentes estilos, gêneros narrativos e visões de mundo". Segundo ele, os jurados (o escritor marroquino Tahar Ben Jelloun, o crítico italiano Andreas Kilb, a jovem diretora iraniana Samira Makhmalbaf, os cineastas Claude Chabrol e Giuseppe Bertolucci) discutiram bastante antes de chegar à lista final, pautada pelo tom humanista das histórias contadas na tela. O prêmio de melhor direção, por exemplo, foi para o indiano Uttara, de Buddhadeb Dasgupta, drama passado na região rural da Índia que fala sobre a esperança da integração - a vitória do filme na categoria recebeu a única grande vaia dos críticos e jornalistas que assistiram à transmissão da cerimônia de premiação, numa sala próxima.

O italiano I cento passi, de Marco Tullio Giordana (de Pasolini, um delito italiano), cinebiografia de Peppino Impastato, jovem militante de esquerda da Sicília "suicidado" pela Máfia em 1978, durante a crise Aldo Moro, cravou o prêmio de melhor roteiro. O caso do rapaz, que entregava os podres dos gângsteres da região (alguns relacionados com sua própria família) numa rádio pirata, emocionou os italianos na época - o enterro de Peppino, reproduzido no filme, foi acompanhado por centenas de pessoas.

Na hora de receber o troféu, ao lado dos co-roteiristas Claudio Fava e Monica Zappelli, Giordana não esqueceu os que o apoiaram na produção. "É um prêmio que divido com toda a corajosa juventude italiana. Mas também não podemos esquecer a mãe de Peppino, sem a qual esse filme não teria sido possível", disse o diretor. Barbet Schroeder, autor de um filme extremamente corajoso do ponto de vista político e social, La virgen de los sicarios, um passeio pela dura realidade de Medellín, na Colômbia, preferiu exortar o cinema colombiano a fazer discurso político ao receber a Medalha de Ouro do Senado Italiano, dedicada aos temas relacionados aos direitos humanos. "Viva o cinema colombiano", disparou o diretor de origem iraniana, que viveu vários anos na Colômbia e há anos sonhava em fazer um filme "no país do meu coração".

Num festival dominado por interpretações masculinas, não foi difícil escolher a melhor atriz: Rose Byrne, que vive a jovem cega que serve de guia para um rapaz japonês no road movie australiano The Goddess of 1967, de Clara Law. Foi também uma interpretação feminina que abiscoitou o Prêmio Marcello Mastroianni de Jovem Revelação na Arte, entregue a Megan Burns, a irmã mais velha do personagem-título do filme de Stephen Frears, Liam. É um drama protagonizado por uma família inglesa, sim, mas carregado de sentido social, porque fala da ascensão do fascismo dentro da classe proletária inglesa nos anos 30.

O grande perdedor da noite foi o cinema asiático, em particular o chinês, que vinha aumentando sua representação nos festivais internacionais. Veneza, que nos últimos dez anos premiou com o Leão de Ouro cinco produções vindas do Oriente - Vive l’amour (1994), de Tsai Ming-Liang, Cyclo (1995), de Tran Ahn Hung, Hana-bi, fogos de artifício (1997), de Takeshi Kitano, e A história de Qui Ju (1992) e Nenhum a menos (1999), ambos de Zhang Yimou - ignorou a variedade da produção daquelas bandas. E olha que este ano o festival viu três competidores de língua chinesa: Liulian Piao Piao (Hong Kong), de Fruit Chan, Platform (Hong Kong/China), de Zhang-ke Jia, e Seom (Coréia do Sul), de Ki-Duk Kim. Um duro golpe na ascensão da produção da região. (Carlos Heli de Almeida, AJB)


10.09.2000

Filme iraniano leva o Leão de Ouro de Veneza

Deu a lógica e o Irã levou o Leão de Ouro: como se prognosticava, Dayereh (O Círculo), de Jafar Panahi,foi o grande vencedor da 57ª edição do Festival de Cinema de Veneza. Uma premiação merecida, que destaca uma obra madura, bem estruturada do ponto de vista estético e empenhada socialmente. O filme, cruzando as trajetórias de nove personagens, traça um painel contundente da posição subalterna da mulher na sociedade iraniana.

Ao receber o prêmio, Panahi (já conhecido no Brasil por trabalhos como O Balão Branco e O Espelho), o dedicou às "pessoas boas" do seu país. Com isso, talvez, querendo dizer que nem toda a população iraniana é composta de gente de índole amigável. Especialmente quem habita o poder e permite que se mantenha os fatos que ele denuncia em seu filme.

Se o prêmio principal foi merecido, outros parecem bem duvidosos. Por exemplo, dar o troféu de direção ao indiano Buddhadeb Dasgupta, de Uttara, parece nada menos que uma excentricidade. O filme até que tem seu interesse, ao apresentar uma realidade bem desconhecida do interior do país. No entanto, na costura das suas linhas de ação o que falta, justamente, é direção e senso de coesão interna.

A mesma coisa se pode dizer de Before Night Falls, de Julian Schnabel, duplamente premiado e talvez em excesso. Levou o troféu de ator, com Javier Bardem, e um exagerado Prêmio Especial do Júri. Nada a discutir quanto a Bardem, realmente um ator empenhado e em papel difícil - acostumado a viver machões nos filmes de Bigas Luna, agora interpreta um homossexual, o escritor cubano Reinaldo Arenas.

Mas talvez o Prêmio Especial do Júri ficasse melhor nas mãos de um veterano, como Manoel de Oliveira, de Palavra e Utopia. Poderia talvez premiar a ousadia de A Ilha, do coreano Kim Ki-Duk. Ou o painel político de Zhantai, do chinês Jia Zhandke, que cobre, com muita agudeza, dez anos da história recente do seu país. Ou ainda, poderia ir para o principal representante italiano, I Cento Passi, de Marco Tulio Giordana, que regressa ao cinema político com muita energia, contando a história de resistência de um jovem siciliano contra a máfia.

Giordana teve de se contentar com um prêmio de roteiro para seu I Cento Passi. Prêmio importante, sem dúvida, mas que talvez esteja ainda um degrau abaixo do que merecia, levando-se em conta sua relevância para um fato da história recente da Itália, o assassinato do jovem Peppino Impastato pela máfia, em 1978. Foi o filme mais aplaudido de todo o festival.

Um prêmio que não deve provocar polêmica é o de melhor atriz para Rose Byrne, do australiano The Godess of 1967. Ela é nunca menos que brilhante ao fazer uma garota cega que embarca numa viagem das mais estranhas pelo interior da Austrália em companhia de um japonês. O filme poderá ser conferido em breve pelo público brasileiro, pois foi comprado pela distribuidora Imovision.

Enfim, num festival de nível apenas médio, acabou vencendo o melhor, o que não desculpa os equívocos cometidos nas outras categorias da premiação. Veneza, este ano, privilegiou a quantidade sobre a qualidade. Foram muitos filmes na programação (foram 20 apenas na competição de longas) e poucos que terão lugar duradouro na história do cinema. Já se fala, para o ano que vem, em uma curadoria mais seletiva.

Lista dos premiados

Leão de Ouro para o melhor filme: Dayereh (O Círculo), de Jafar Panahi (Irã)
Prêmio Especial do Júri: Before Night Falls, de Julian Schnabel (EUA)
Direção: Buddhadeb Dasgupta (Índia)
Melhor roteiro: I Cento Passi (Itália), de Marco Tulio Giordana, escrito por Claudio Fava, Monica Zappelli e Marco Tullio Giordana Coppa Volpi pela melhor interpretação masculina: Javier Bardem, pelo filme Before Night Falls, de Julian Schnabel (EUA)
Coppa Volpi pela melhor interpretação feminina: Rose Byrne pelo filme The Goddess of 1967, de Clara Law (Austrália)
Prêmio Marcello Mastroianni para ator revelação: Megan Burns pelo filme Liam, de Stephen Frears (Inglaterra)
Medalha de ouro da presidência do senado: La Virgen de los Sicarios, de Barbet Schroeder (França/Colômbia)
Prêmio Venezia Opera prima, para diretor estreante: La Faute à Voltaire, de Abdel Kechiche (França)
Curta-metragem Leão de prata para o melhor curta-metragem: A Telephone Call for Genevieve Snow Menções a Trajets, de Faouzi Bensaid e Sem Movimento, de Sandro Aguillar (Luiz Zanin Oricchio, AE)

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